Sábado, Novembro 28, 2009
Mas hein?
http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=18690623
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Novo livro de Paul Auster
Estou ansioso para ler o novo romance de Paul Auster, Invisible, apesar de algumas críticas desfavoráveis. Gosto dos romances dele, para mim um dos grandes escritores da literatura norte-americana. Claro que não é da mesma altura de um Roth, mas seus livros me inquietam, me provocam reflexão ou às vezes, simplesmente, me deixam embasbacado com coisas tão simples do nosso cotidiano, como as coincidências e o “se eu (não) tivesse feito isso…”
Fala, mestre
Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?
Estou começando a escrever umas resenhas literárias, incentivado pelo editor da Gazeta do Sul, Mauro Ulrich, que me pediu que continuasse colaborando com o Caderno Mix.
Entre várias leituras paralelas que faço, estou mergulhando na obra de Philip K. Dick. Comecei com seus contos completos, em espanhol, porque não há tradução de todos os seus contos em português. E estou terminando a leitura de Leite derramado, de Chico Buarque.
E hoje é o tal de Dia de Ação de Graças. Mas agradecer a quem? A deus e as coisas boas que ele proporciona? E as coisas ruins que ele deixa acontecer? Bom, é melhor ficar quieto antes que outro raio caia por aqui.
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Na Gazeta do Sul de hoje

Minha resenha sobre o romance Indignação, de Philip Roth foi publicada no jornal Gazeta do Sul de hoje.
http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=123328&intIdEdicao=1940
Terça-feira, Novembro 17, 2009
Livros à mão cheia...
Um aluno meu da 8ª série disse uma vez um coisa curiosa. Ele não lia porque lhe doía os olhos. E o computador, perguntei? Ele disse que ficava a maior parte do tempo na frente da tela. Pensando nisso, sugeri então que ele lesse livros no PC. Ele gostou da ideia. Por isso, abro este espaço para postar links de livros para que alunos como ele possam ler no computador. Inicio a série com um pacotão das obras quase completas do Tolkien. É só baixar e depois descompactar o arquivo. Vocês vão ver as preciosidades que há ali.
Mas lembrem-se: procurem comprar os livros de que gostarem, pois só assim a literatura nunca vai morrer.

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Boa leitura!
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
Religulous

Atendendo a pedidos, posto aqui o link para o documentário que vem causando polêmica e, para meu espanto, está agradando a muitos dos meus alunos de Filosofia, que geralmente não gostam de assistir a documentários, quanto mais legendados. O filme é Religulous, do diretor Larry Charles, o mesmo de Borat e Bruno. Bill Maher, ator cômico e apresentador de TV, percorre várias partes do mundo para questionar a religiosidade das pessoas. Irreverente e perspicaz, daqueles que não perdem nenhuma piada, ele consegue deixar em saia justa seus entrevistados e mostra quão ridículo é o fanatismo religioso. Mas o que mais me tocou foi a mensagem final, uma reflexão sobre os destinos do homem.
Confesso tenho certo receio de passar o filme, pois tenho muitos alunos religiosos e não sei a reação que as famílias podem ter. Porém, o meu objetivo, e isso deixei bem claro, é causar reflexão. Como diz o próprio Bill, "enquanto eles estão vendendo certezas, eu estou vendendo dúvidas".
Curiosidade:
Foi dito a todos os entrevistados que o nome do documentário seria "A Spiritual Journey", “Uma Jornada Espiritual”, em tradução livre.
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Créditos para a comunidade no Orkut sobre o filme.
Domingo, Novembro 15, 2009
Eu na coluna do Scliar
A hora da verdade
MOACYR SCLIAR
Como muitos, sempre achei Michael Jackson esquisito, para dizer o mínimo. Ali estava aquele cantor de enorme sucesso, ganhando uma grana sem tamanho, morando num absurdo lugar chamado Neverland (evocando a Terra do Nunca da história de Peter Pan, o menino que não queria ficar adulto); tentando branquear a própria pele, no que parecia uma tentativa de escapar à própria identidade, e, por último mas não menos importante, suspeito de pedofilia.
E aí Michael Jackson morre. A morte é uma comum forma de reabilitação – De mortuis nil nisi bonum, dos mortos só se fala bem ou não se fala – e de fato, uma espécie de culto começou a surgir em torno da figura do cantor.
***
Mas o filme Michael Jackson, This Is It não faz parte desta tendência. Trata-se basicamente de um documentário dirigido por Kenny Ortega que gira em torno ao show que seria apresentado por Jackson. Alguns críticos de cinema não gostaram; provavelmente pela razão de que, afora os números musicais, aparentemente pouco aparece, pouco acontece.
Engano. O filme é tremendamente revelador, o filme é mesmo surpreendente. Mostra um Michael Jackson que nada tem a ver com as imagens escandalosas que dele surgiram através dos tempos; na verdade, mostra que o Michael Jackson cantor, o Michael Jackson artista – sim, porque temos de reconhecer, é de arte que se trata – é uma entidade completamente diferente. Para começar, temos nos ensaios alguém que encara com profunda seriedade aquilo que está fazendo. O cantor é detalhista, é obsessivo mesmo. Faz questão de que as coisas funcionem à perfeição. Mais que isto, não estamos diante de um cantor temperamental, daqueles que têm ataques de fúria. Não: no trabalho, Michael Jackson mostra-se cortês, afetivo mesmo. E afeto é o que ele obtém daqueles que integram a sua equipe, afeto, respeito, admiração.
Ou seja: era no palco que Michael Jackson encontrava a sua hora da verdade. Fora do palco, ele deveria sumir. Aliás teria sido melhor para ele próprio se sua existência se resumisse à música e à dança. Mas isso, nós sabemos, é coisa impossível na sociedade midiática em que vivemos. O artista tem de estar presente – como pessoa, junto àquilo que faz – seja música, ou filme, ou livro: ninguém mais escreve sob pseudônimo. As editoras não o aceitariam: querem que o autor esteja presente, para autografar, para dar entrevistas. E é aí que começam os problemas; no caso de Michael Jackson tais problemas levaram-no até ao tribunal. O filme mostra qual era, na verdade a praia dele: era o palco. No palco ele se transfigurava, no palco ele se revelava como artista. E isso, ao fim e ao cabo, é uma lição para todos nós. Há coisas que sabemos fazer bem, e há coisas que fazemos por equívoco, por ilusão. Tudo indica que, aos 50 anos, Michael Jackson estava prestes a descobrir essa diferença. A vida não lhe permitiu ir adiante. Uma pena. Mas fica o filme: this is it
Agradeço as mensagens de Ruy França, Roni Quevedo, Elizabeth Romero, Leni Almeida, Sara Martins, Dep. Alberto Oliveira, Esther Zamel, Marcia Kern Papaleo, Aron Taitelbaum, Juliana Bohn, Mauricio F.de Macedo, Celina V. F. Kohler, João Paulo R. H. da Silva, José Antonio Pinheiro Machado (“Voltaremos!”), Maira Knopf, Marco Jesus, Themis Lopes, José Diogo Cyrillo da Silva, Maiza S.Maciel, Marcos Barbosa, Wagner Carlos, Leandro Figueiredo, Maria Aparecida G. Z. Zancan, Renato Lampert, Eduardo Trindade, Cassionei N. Petry – e a todos que me cumprimentaram pelo prêmio Jabuti.
Meu abraço a vocês!
Sábado, Novembro 14, 2009
Professor
Pandora's box - OMD
Como quinta-feira falei sobre a caixa de Pandora, vale a pena lembrar uma música que eu escutava muito nos anos 90, do grupo OMD. O link está no blog Flash House Mix, que, para quem gostava dessa época, é um prato cheio para a nostalgia.Format: CD, Maxi-Single
Country: USA
Released: 1991
Genre: Electronic
Style: Synth-pop
Tracklisting:
01. Pandora's Box (It's A Long, Long Way) (Andy McCluskey 7")
02. Pandora's Box (It's A Long, Long Way) (Carl Segal 7")
03. Pandora's Box (It's A Long, Long Way) (Steve Anderson 12")
04. Pandora's Box (It's A Long, Long Way) (Steve Anderson 12" Edit
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Sexta-feira, Novembro 13, 2009
Mestre Érico
Érico Veríssimo - "Solo de clarineta: memórias" - v. 1
Quinta-feira, Novembro 12, 2009
Eva e Pandora (ou A boceta e a maçã)
O primeiro mito é da antiguidade grega: a Caixa de Pandora. Ela teria sido a primeira mulher criada por Zeus como, vejam só, castigo para os homens, pois o titã Prometeu roubara o fogo do Olimpo. O deus mais poderoso do panteão grego a presenteou com uma caixa, porém, com a ordem de não abri-la. Logicamente, como toda mulher, que é muito curiosa, ela não respeitou a proibição. Como consequência, de dentro do recipiente saíram todos os males lá guardados. Ou seja, quem é a culpada pelas coisas ruins do mundo? A mulher. Mas isto, veja bem, é o mito que diz.
A outra história é mais conhecida, pois está na Bíblia Sangrada, digo, Sagrada, mais precisamente no Gênesis. Neste mito, Deus fez Adão e depois, para que ele não ficasse sozinho, criou, a partir da costela dele, uma mulher, a qual foi chamada Eva. Aos dois foi ordenado pelo criador que não comessem o fruto da árvore do conhecimento. Pois a mulher, agora provocada por uma cobra falante, vai lá e come o fruto. Como se não bastasse, oferece a Adão, que, como todo o homem obediente a mulher, também come. Visto que era um alimento desconhecido para eles, Adão acaba engolindo o caroço, resultando no chamado Pomo de Adão. O resultado dessa desobediência: o pecado entra no mundo. Mais uma vez, a mulher é a culpada.
O mais curioso são as simbologias por trás disso tudo. Basta procurarmos o significado da palavra “boceta” no dicionário para sabermos que ela significa uma caixinha oval, que aparece inclusive em muitos textos de Machado de Assis, e era utilizada para guardar rapé.
"Dizendo isto, despiu o paletó de alpaca, e vestiu o de casimira, mudou de um para outro a boceta de rapé, o lenço, a carteira..."
Quanto ao mito bíblico, não há menção no Gênesis de que o fruto fosse uma maçã. Mas porque essa fruta acabou ganhando a fama,
e aparecendo em várias pinturas que retratam a história? Bem, imaginemos uma maçã cortada ao meio. Ela lembra justamente a vagina de uma mulher com as pernas abertas. E se Eva deu a maçã para Adão comer...Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Carl Sagan

Não poderia deixar passar esse dia sem fazer uma pequena homenagem a esse grande pesandor que foi Carl Sagan. Na data de hoje ele estaria completando 75 anos. Pelo menos um de seus livros me ajudou a formar o que sou: "O mundo assombrado pelos demônios".
Crônica de uma literatura assassinada
Crônica de uma literatura assassinada
Eu confesso: sou um assassino. Não premeditei esse crime, muito menos tentei justificá-lo com desculpas esfarrapadas tal qual Raskólnikov. Mas cometi, ou melhor, estou cometendo-o de forma consciente. Nenhum advogado, acredito, pegaria meu caso, afinal me declaro de antemão culpado. Sim, sou um dos responsáveis pela morte lenta e quase inevitável da literatura.
A paixão pela palavra escrita foi o que me levou a gostar da arte literária. Aliás, devo isso aos políticos, pois foi assistindo às propagandas eleitorais da campanha de 86 que aprendi a ler, juntando as letras dos nomes dos candidatos (e ficava bravo, já que, decifrando lentamente, não dava tempo para saber o cargo a que cada um concorria). Os escritos nas embalagens das balas, as quais adoçavam o chimarrão da família, também serviram. Porém, foram os gibis dos meus tios, depois os livros da estante dos meus avós (enciclopédias e dicionários) e mais adiante os da biblioteca da minha escola o passaporte para a viagem (analogia velha esta, hein?) a um mundo de fantasia que a literatura proporciona.
“Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca”, escreveu o escritor argentino Jorge Luis Borges. Era como eu me sentia na pequena sala de livros do colégio Luiz Dourado, para onde a professora Maria Geci me mandava quando eu terminava as atividades e ficava debochando dos “atrasados” (“tirminei, tirminei, tirminei”, eu cantava). Foi lá que conheci Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Ana Maria Machado e, bem mais tarde, Fernando Sabino, Marcos Rey, As viagens de Gulliver e A ilha do tesouro. À minha primeira professora, portanto, devo a paixão pelos livros.
Por isso, decidi ser professor, para poder passar aos alunos a mesma emoção que sinto ao abrir um livro, semear novos leitores, mudar o mundo, enfim. No entanto, todos os sonhos escorrem pelas mãos quando o professor vê pela frente o conteúdo programático que deve ser seguido.
No 1º ano do Ensino Médio, por exemplo, é uma tortura, mesmo para os amantes da arte literária, ler as cantigas de amigo do Trovadorismo ou a Carta de Pero Vaz de Caminha. No 2º ano, José de Alencar é de doer, salvo um ou outro romance. No 3º ano, Os sertões, que é uma grande obra, cansa o aluno com sua linguagem rebuscada. São só alguns exemplos de obras as quais possuem qualidades, sem dúvida, mas cuja linguagem é diferente da linguagem vivenciada pelos jovens. Obrigá-los a ler, porque o vestibular pede ou porque a escola serve para ensinar o que o aluno não conhece, é afastá-los do prazer do texto. Esse prazer que é uma descoberta que acontece aos poucos, quando se descobre um autor, depois outro, que nos remete a outro, e assim por diante.
Como professor, tento seguir o que é estabelecido, cumpro ordens, sigo os conteúdos propostos. Por isso me sinto um assassino. E o pior, assassino daquilo que amo.





