Já tem nome e cartaz o documentário no qual fui entrevistado, sobre o preconceito contra os ateus. Divulgação de @Carylmmig
Quinta-feira, Junho 30, 2011
Além do ateu e do ateísmo
Já tem nome e cartaz o documentário no qual fui entrevistado, sobre o preconceito contra os ateus. Divulgação de @Carylmmig
Sexta-feira, Junho 24, 2011
Minha casa deixou de ser ilusão
As imagens descem como folhas
No chão da sala
Folhas que o luar acende
Folhas que o vento espalha
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens descem como folhas
Enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
As imagens se acumulam
Rolam no pó da sala
São pequenas folhas secas
Folhas de pura prata
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens se acumulam
Rolam enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
As imagens enchem tudo
Vivem do ar da sala
São montanhas secas
São montanhas enluaradas
Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens enchem tudo
Vivem enquanto falo
Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei
Segunda-feira, Junho 20, 2011
Frustrações literárias

Assisti ao filme You Will Meet a Tall Dark Stranger, do mestre Woody Allen. Gostei particularmente de um dos personagens, um médico que abandonou a profissão para se dedicar a escrever – aliás, sempre me chama a atenção qualquer filme que tenha um escritor como personagem. Autor de um romance de sucesso, ele tenta desesperadamente emplacar outro, mas suas tentativas são frustrantes. Seu último trabalho está nas mãos do editor. Espera ansiosamente por uma resposta que, quando chega, mais uma vez o decepciona.
Da mesma agonia eu tento fugir nos últimos meses. Há dois originais meus com editores. Meu livro de contos está com um editor local, um grande amigo dos círculos literários, esperando seu lugar ao sol (sei que é um lugar-comum, mas é o que vem a calhar agora). Esperava ser publicado no início desse ano, mas, ao que tudo indica, não virá à luz nem esse ano ainda. Tento esquecer que ele existe e sigo escrevendo meu romance.
Já meu livro infantil, mandei-o para uma grande editora nacional. Resolvi arriscar. Como a resposta demora – um sim ou um não –, tento esquecer que o livro foi enviado, para não viver a mesma agonia do personagem do Allen. É difícil.
Sábado, Junho 18, 2011
Suicídio exemplar
Fala, mestre!
Sexta-feira, Junho 17, 2011
No Vale dos Suicidas

Postei no Twitter e no Orkut ontem: "Entreguei meu ensaio sobre o suicídio. Não ficou bom. Acho que vou me suicidar."
Informo aos meus 6 leitores (tenho um a menos do que o Milton Ribeiro) que consumei o fato e estou no Vale dos Suicidas, que tem a internet tão precária quanto aí.
Quinta-feira, Junho 16, 2011
Bloomsday
Quarta-feira, Junho 15, 2011
Aforismos por Cassionei (XIII)
Segunda-feira, Junho 13, 2011
Domingo, Junho 12, 2011
Meu querido diário
Em pleno domingo de dia dos namorados, estou aqui, sozinho, pois a patroa está trabalhando. Leio e escrevo sobre o suicídio, para um ensaio do mestrado, e escuto música clássica, mais precisamente Martha Argerich, que completou há pouco 70 anos.
Hoje à tarde fomos tomar posse da nossa nova casa. Daqui a uma semana ou duas estaremos nos mudando. Finalmente teremos nossa casa própria. Sou agora um devedor da Caixa, por isso já peço antecipadamente aos meus leitores que, quando eu publicar meus livros, que os comprem, por favor! Se não puder pagar mais o financiamento, de 25 anos, posso perder a moradia! Não me deixem só!!!
Brincadeiras à parte, ter seu próprio cantinho é o que todos querem, apesar de muitos gostarem de serem parasitas. Morei por anos nos fundos da casa da minha sogra e dos meus cunhados, tudo gente boa, mas nada melhor do que ter mais privacidade. Só espero não ter vizinhos escutando funk e sertanejo a todo volume – o que será muito difícil.
Quanto ao mestrado, começaram as novas aulas. Pela bibliografia, acho que serão muito proveitosas. Já o desabafo que escrevi, permanecerá inédito, e só poderá ser publicado se eu morrer ou me suicidar.
Que mais... Bem, estou trabalhando com alunos da 6ª série leitura e produção de um diário e depois falaremos sobre o blog. Com a 7ª, trabalho o conto e com alunos do 3º ano do Ensino Médio, os minicontos. Pelo menos nos próximos dias, a gramática vai dar um tempo, mas depois tenho que voltar a ser gramatiqueiro, afinal os olhares dos colegas mais velhos e conservadores, presos à grade curricular, estão em cima.
O post de hoje está com cara de diário pessoal, hein? Mas não foi para isso que criaram o weblog?
Sábado, Junho 11, 2011
Quarta-feira, Junho 08, 2011
Lygia Fagundes Telles no Traçando Livros de hoje

Na minha coluna Traçando livros, do jornal Gazeta do Sul de hoje:
Verdes contos
A Lygia foi a primeira escritora que me conquistou. Amor à primeira vista. Ou melhor, paixão, pois adorar a Lygia é uma patologia da qual não queremos ser curados. Ela encanta, seduz, manipula seus leitores e faz deles, segundo suas próprias palavras, cúmplices das histórias.
Para nossa sorte, toda a sua obra vem sendo reeditada pela Companhia das Letras, num trabalho primoroso. Entre os relançamentos, destaco o livro Antes do baile verde, lançado originalmente em 1970. Nele, Lygia Fagundes Telles reuniu os melhores contos até aquela data. Obras-primas da narrativa curta.
Lygia pega o leitor pela mão e o faz entrar nesse baile, numa dança sedutora, levando-o a lugares estranhos. Quando menos espera, o leitor já está dentro de uma loja de antiguidades, “com seus panos embolorados e livros comidos de traça”, no conto fantástico “A caçada”, e acompanha o personagem que se encanta com uma tapeçaria. Cada vez mais inebriado, o leitor é levado depois para um cemitério abandonado, na obra-prima “Venha ver o pôr-do-sol”, acompanhando a tentativa de um rapaz de se aproximar da amada, que o trocara por outro mais rico. O final, surpreendente, fica ecoando nos desvãos da mente do leitor, enquanto os dois rodam e rodam, como as crianças brincando no portão do cemitério.
A dança prossegue embalada pelo “Moço do saxofone”, cuja triste sina é tocar seu instrumento no mesmo instante em que sua mulher dorme com outro no quarto ao lado. Depois, Lygia conduz o leitor a conhecer a história de um menino que, contente por sua mãe tê-lo levado ao cinema (“tão bom sair de mãos dadas com a mãe”), acaba tendo uma grande decepção com ela.
O par continua a rodar no salão. O leitor sente uma tontura e logo se vê numa embarcação, no conto “Natal na barca”, observando uma mulher com seu filho doente. Um conto triste, tão triste quanto à indiferença da filha em relação ao seu pai moribundo, na história que dá título ao livro.
Depois de terminada a dança, depois de mais outras voltas no salão, o leitor percebe que Lygia usa um belíssimo vestido verde, cor predominante nas narrativas, em que há olhos verdes, um rio verde, um lagarto verde, lantejoulas verdes, o baile verde. Apesar de o verde ser considerado a cor da esperança, esse sentimento não está presente nos textos, que refletem a miséria humana em todas as suas formas. O verde, talvez, seja um recado de Lygia Fagundes Telles, dizendo o quanto precisamos ainda amadurecer para melhorarmos nossas relações.
Cassionei Niches Petry é mestrando em Letras, com bolsa do CNPq. Não gosta de dançar, mas abre uma exceção para a Lygia Fagundes Telles. Escreve regularmente para o Mix e mantém o blog cassionei.blogspot.com.
Segunda-feira, Junho 06, 2011
Domingo, Junho 05, 2011
Anti-Elegia nº 2, de Murilo Mendes
Sábado, Junho 04, 2011
Uma crônica fria
Gosto do frio. Minhas mãos gelam para digitar, porém não me importo. Meus pés necessitam de três meias, porém não me importo. Na cabeça, uma touca, que incomoda e revira meus cabelos, porém não me importo.
Já aquele mendigo na rua...
Gosto do frio, mesmo morando numa casa de madeira, cheia de frestas por onde entra um vento gélido. Prefiro o frio ao calor, pois nos dias quentes transpiro demais e tenho que ficar sempre na frente de um ventilador. Gosto muitos desses dias frios.
Aquele mendigo, porém...
O inverno é minha época preferida. Não gosto nem de meia estação. Acho engraçado quando as pessoas dizem que preferem o verão, mas se refugiam em ambientes climatizados, instalam ar-condicionado em seus carros e enfrentam o estresse de uma ida à praia com o intuito de se livrar do estresse do dia a dia. Assim como há as pessoas que preferem o frio, porém se munem com uma parafernália de panos e lãs para se proteger, correm para o fogão à lenha mais próximo ou se embrulham em um grosso edredom. Eu, por exemplo.
O mendigo, no entanto...
O inverno, paradoxalmente, é a época mais quente do ano. Ao contrário das outras estações, no inverno as pessoas se aproximam mais, ficam a maior parte do tempo em casa, os casais se abraçam para se aquecer, muitos se reúnem em volta da lareira para tomar um chimarrão ou um bom vinho, comer uma pipoca ou pinhão. Precisa-se mais do calor humano.
Mas o mendigo...
Alguns animais sofrem nessa época, outros aproveitam para hibernar. Há de tudo um pouco no mundo animal. Muitos donos vestem roupas quentes nos seus cachorrinhos, afinal os animaizinhos não podem passar frio. Imagine!
O mendigo levanta-se. Dirige-se àquela senhora que leva seu cachorrinho no colo, bem enroladinho no cobertozinho. Ela anda com pressa, tentando se esquentar naquele final de tarde de baixa temperatura. O mendigo pede uma moedinha. A mulher, indignada, retruca:
- Pra quê? Pra comprar cachaça e ficar mais bêbado?
- É para comprar cachaça sim, minha senhora. Mas eu bebo cachaça para poder me esquentar nesse frio.
O cachorrinho late para o mendigo e a noite cai. Fria.
***
Ouvindo:











