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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2009
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Respostas aqui:
http://www.ceticismoaberto.com/news/?p=1518#more-1518

John Updike

Morreu hoje John Updike, um dos maiores escritores da literatura norte-americana.http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u495110.shtml
Antologia pessoal – a ser publicada no dia 29 de fevereiro no Caderno 2, Cultura, do jornal Estado de São Paulo.

Cassionei Niches Petry – editor do desimportante blog “Porém, ah, porém”, escreve livros mais desimportantes ainda, os quais só não vieram a público porque teve o bom senso (ou por preguiça?) de não mandar para as editoras. Quando jovem, tinha o sonho de ser um cronista diário, como Rubem Braga e Luis Fernando Verissimo. Como não o realizou, escreve, de vez em quando, algumas crônicas para o jornal de sua cidade. Gostaria de ser um grande escritor da literatura brasileira. Como se considera um fracassado, está se acostumando com ideia de ser o maior escritor da sua rua.

Que livro você mais relê? E qual a sua impressão das releituras? Relatos, de Julio Cortázar. Como ele dizia, na nossa realidade há sempre um mistério a ser descoberto. Nos seus contos, a cada releitura descubro novos mistérios.
Dê exemplo de um livro muito bom injustiçado, pelo público ou pela crítica. Camilo …
AUTORRETRATO - Zero Hora - a ser publicado no dia 29 de fevereiro
Cassionei Niches Petry – ele é ele, segundo ele próprio, e gostaria de continuar sendo ele mesmo, se não fosse ele.

Qual é a primeira coisa que pensa ao acordar de manhã?
Ficar mais um pouco na cama.
Em que momento do dia é mais feliz?
Quando não estou triste.
O melhor e o pior de uma vida de professor.
O pior, quando estou dando uma aula e poucos alunos estão interessados. O melhor, quando um aluno diz: adorei tua aula, professor.
Por que motivo chorou a última vez?
Vendo uma filmagem onde aparecia minha falecida avó.
E por que motivo riu?
Lendo esta pergunta.
Quem você gostaria de ser se não fosse você mesmo?
Outra pessoa querendo ser eu mesmo.
E onde gostaria de viver?
Mesmo sem conhecer, queria viver em Buenos Aires.
Você tem medo de quê?
De acontecer coisas ruins com as pessoas que amo.
Qual a sua lembrança de infância mais remota?
Sábado à tarde, depois de uma chuvinha de verão, cheiro de terra molhada, na TV, o Chacrinha, e a mãe …

Ouvindo

Concerto For Cello And Orchestra In B Minor, Op. 104, de Dvorak Variations On A Rococo Theme For Cello And Orchestra, Op. 33, de Tchaikovsky Gravação: 1968Mstislav Rostropovich, ViolonceloHerbert von Karajan, RegênciaOrquestra Filarmônica de BerlimQuando dois gênios se encontram, interpretando as obras de outros dois gênios, passo cada vez mais a crer no ser humano.

Sou ateu e sou (ou tento ser) uma pessoa boa

"No lugar dele [Deus]podemos nos enredar no fundamentalismo religioso e eclesiástico, que é tão perigoso quanto o fundamentalismo econômico ou político. Ou fica o ateísmo, que normalmente reage ao seu irmão gêmeo, o fundamentalismo religioso.(...)

Darci Ribeiro empreendeu muitas batalhas em favor dos povos indígenas, da educação, da democracia inclusiva, do meio ambiente. Terminou dizendo que praticamente perdeu em quase todas as suas lutas, mas preferia não estar do lado dos que ganharam. Frequentemente, de fato, é melhor estar do lado dos que perdem. Darci Ribeiro, ateu confesso, não imaginaria o quanto estava perto do pensamento de Deus."
Luiz Carlos Susin, teólogo, professor da PUC-RS, na ZH de hoje.

Ora, assim como nem toda a religião é fundamentalista, nem todo o ateísmo o é. Da mesma forma, atrelar sempre a bondade a acreditar em um deus é uma coisa repugnante. Vindo de um teólogo de uma universidade católica, até não espanta muito. Revolta-me quando ouço dizer que o “mu…
Não estou a fim de escrever nada hoje. Quero só ler.
Opa, escrevi.

Falou e disse...

O inferno são os outros - Jean-Paul Sartre.








E os muros deste inferno serão, assim, cada dia mais herméticos – Ernesto Sábato
Texto publicado na Zero Hora de hoje:

Obama e a casa dividida, por Voltaire Schilling*
“Uma casa dividida não pode parar em pé. Eu acredito que este governo não pode manter-se, permanentemente, meio escravo e meio livre. Eu não espero que a União se dissolva – eu não espero que a casa caia – mas eu espero é que ela cesse de ficar dividida.”
A. Lincoln – Discurso da Casa Dividida(Springfield, Illinois, 18 de junho de 1858)
O adversário de Abraham Lincoln ao Senado de Illinois era um tipo formidável. Stephen Douglas, o pequeno gigante, era um orador brilhante e um polemista de primeira. Lincoln, quase um recém-chegado à política, mostrou, há 150 anos atrás, enorme coragem em desafiá-lo para uma série de debates públicos a serem travados em várias cidades do Estado (Ottawa, Freeport, Jonesboro, Charleston, Galesburg, Quincy e Alton, entre 21 de agosto e 15 de outubro de 1858).
Stephen acusava Lincoln de interpretar de modo incorreto a Declaração de Independência, que afirmava a igualdade de …

200 anos de Edgar Allan Poe

Precursor da literatura de horror moderna, o romancista, contista e poeta americano Edgar Allan Poe nasceu em Boston, no dia 19 de Janeiro de 1809.
Autor de contos como “A queda da casa dos Usher” e “O gato preto”, em que estão presentes o mistério e o terror góticos, típicos do século XIX. Já em histórias como “Os crimes da Rua Morgue” e “A carta roubada”, temos histórias policiais, sendo Poe considerado o precursor desse gênero. O poema “O Corvo”, já abordado aqui em post mais antigo, é uma das peças mais traduzidas de sua obra.

Poe inventou o gênero fantástico, podemos dizer assim, pois acabou influenciando diretamente escritores como Dostoiévski, Lautréamont, Júlio Verne, Stephen King, Clive Barker e tantos outros.

Teve também seus contos transpostos para o cinema, sendo as adaptações mais populares dirigidas pelo mestre dos filmes B, Roger Corman, com atuações de Vincent Price. Destaque para “O corvo”, misto de terror e comédia, tem Vicente Price, Boris Karloff e um jovem até então…
Em época de BBB (Besteiras, Bobagens e Bundas) na TV, nada melhor do que lembrar do livro que deu origem à expressão Big Brother. Trata-se do romance “1984”, de George Orwell. Publicado em 1948, se passa em uma sociedade futura, onde os “cidadãos” são vigiados por teletelas, que seriam os olhos do Grande Irmão, chefe supremo do Partido. Nesse regime totalitário, o personagem principal, Winston Smith, é funcionário do Ministério da Verdade, onde modifica as notícias dos jornais para que o Partido se perpetue no poder. Uma das passagens marcantes acontece quando o protagonista, depois de ser flagrado com uma mulher (o que era proibido) é preso e torturado. O torturador, chamado O'Brien, pede que ele responda quanto é 2 + 2. Ele dá a resposta correta. O algoz diz que está errado, o correto seria 5. E tome tortura até que Winston responde de acordo com a ordem dada por O'Brien.


O livro teve sua versão cinematográfica dirigida por Michael Radford, com John Hurt no papel principal.
Lo…
Estou relendo “O óbvio ululante”, de Nelson Rodrigues. Justamente sobre reler algo, o grande autor teatral escreve em uma das crônicas:

“Por tudo que sei da vida, dos homens, deve-se ler pouco e reler muito. A arte da leitura é a da releitura. Há uns poucos livros totais, uns três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.
Certa vez, um erudito resolveu fazer ironia comigo. Per­guntou-me: “O que é que você leu?”. Respondi: “Dostoievski”. Ele queria me atirar na cara os seus quarenta mil volumes. Insistiu: “Que mais?”. E eu: “Dostoievski”. Teimou: “Só?”. Re­peti: “Dostoievski”. O sujeito, aturdido pelos seus quarenta mil volumes, não entendeu nada. Mas eis o que eu queria dizer: pode-se viver para um único livro de Dostoievski. Ou uma única peça de Shakespeare. Ou um único poema não sei de quem. O mesmo livro é um na véspera…
Voltei a participar do programa Revista da Noite, da Rádio Gazeta AM, que ontem foi comandado por Rosemar Santos. Dentre os vários assuntos, falamos sobre literatura, cultura gaúcha, crise mundial, educação, etc.
Contei uma história curiosa, envolvendo minha família. Meu bisavô, José Altivo Pereira dos Santos, gostava muito de ler. Resolveu, então, batizar seus filhos com nomes referentes à literatura. Um dos seus livros preferidos era “As minas do rei Salomão”. Quando meu avô nasceu, meu bisavô queria que se chamasse como o personagem principal, Allan Quartmann. Como o escrivão não aceitou nome estrangeiro, o nome foi aportuguesado para Allão Quartemar.
*
Não tive contato com meu bisavô, que morreu bem antes de meu nascimento. E meu avô, que eu chamo de rocha da família, não é muito chegado às letras, bem como meus pais. Por isso, apesar desse antecedente literário, não tive contato com os livros quando pequeno, porém aprendi a ler sozinh…
Sou ignorante mesmo. Já tenho este blog há tempo e não sabia como adicionar links. Hoje aprendi e, aos poucos, vou linkando alguns sites e blogs que valem a pena dar “uma espiadinha” ou ler mesmo.
Estou promovendo algumas mudanças no blog para este ano (não só as mudanças ortográficas). Conversando com alunos pelo Orkut ou pelo MSN percebo que eles leem bastante este espaço. Portanto, além de publicar crônicas e artigos, o blog também será uma ferramenta para ampliar as discussões da sala de aula. Neste ano, vou dar aulas de Sociologia também, o que ampliará o leque dos assuntos. O visual aos poucos está sendo mudado, afinal de contas estou aprendendo a lidar com os recursos disponíveis.

Hoje irei retomar minhas participações no programa Revista da Noite, comandado pelo Ike, na Rádio Gazeta AM, de Santa Cruz do Sul, a partir das 22 horas. Amanhã abordarei o que foi discutido no programa.

Somos ignorantes

Texto publicado hoje no jornal Gazeta do Sul. (http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=107594&intIdEdicao=1674)Somos ignorantes

A expressão ignorante, infelizmente, ganhou um tom pejorativo, ofensivo muitas vezes. Vai alguém chamar o outro de ignorante!
Todos, no entanto, somos ignorantes. Eu sou. Tu, que me lês, também és. Alguns são “ingnorantes” (sic), outros “igonorantes” (sic). Ah, tu não sabes o que significa sic? És um ignorante.
Pois é, até Sócrates (o filósofo, não o jogador de futebol, seu ignorante!) se dizia ignorante: “só sei que nada sei”, afirmava ele. Ora, justamente por isso, o oráculo de Delfos confirmou ser ele o mais sábio dos homens. Quando assumimos que não sabemos tudo, somos sábios. Porém, é lógico que seremos sábios não apenas assumindo a ignorância, mas procurando o conhecimento.
Por isso, não concordo quando chamam o dicionário de “amansa burro”. Ora, quem procura o Aurélio ou o Houaiss, entre tantos outros, busca o s…

O mundo é kafkiano

Texto publicado na minha coluna "O corvo" no site The graverobber (http://www.the-graverobber.co.cc/)

"A partir de certo ponto não há mais qualquer possibilidade de retorno. É exatamente esse o ponto que devemos alcançar."
Kafka, Aforismos

Costumo dizer que minha religião é a Literatura. Sou devoto de São Machado de Assis e São Julio Cortázar. Quem seria Jesus? Franz Kafka, claro. Assim como o homem de Nazaré, Kafka teve problemas com seu pai (“por que me abandonaste?”, perguntou Cristo na cruz), não casou, nem teve filhos (por mais que tentem provar que Jesus se envolveu com Maria Madalena) e só teve reconhecimento depois de morto. Além disso, podemos dizer que ambos só são o que são graças à traição de um amigo. Não quero polemizar sobre o evangelho de Judas, tão atacado por conservadores da igreja, mas se o Iscariotes não tivesse dado o beijo delator, provavelmente não conheceríamos hoje o cristianismo e os crucifixos não estariam decorando paredes de milhões de ca…