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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2009
Cometi a façanha de ler todo o livro “Anjos e demônios”, de Dan Brown. Façanha por ter aguentado quatrocentas e poucas páginas de uma narrativa inverossímil. Arranquei os cabelos todas as vezes que, depois de páginas e páginas de ação, diálogos, e etc., o personagem principal olhava para o seu relógio com o desenho do Mickey e haviam se passado poucos minutos.
O que tem de interessante na história são as discussões sobre ciência e religião, em que pese haver uma clara defesa da segunda, o que faz com que o filme baseado na obra não vá incomodar tanto a Igreja Católica como o fez “O código da Vinci”, apesar do final "surpreendente", por ser ilógico. Gostei também das interpretações dos símbolos, assunto que me atrai sempre. Além do passeio por pontos de Roma onde há vários monumentos, o que me fez visitar várias vezes o Wikipédia.
Aliás, sempre leio com certa desconfiança o Wikipédia, que coloca com destaque Dan Brown em sua página sobre literatura. Ora, se se fizer uma compara…
Reproduzo o comentário do escritor Fernando Monteiro neste post do blog do Milton Ribeiro.

"Cassionei, obrigado pela notícia na Gazeta do Sul -- e pelo elogio. Milton, obrigado por repercutir a mensagem do Cassionei, e gentilmente enviá-la para o Recife. Sobre a pergunta de Cassionei ("O terceiro livro -- da trilogia Graumann -- seria lançado com os dois anteriores em uma caixa, sabes como anda esse projeto?"), eu esclareço a respeito do terceiro e último "Graumann": O livro iria ser lançado em 2008, dentro de "box" com o primeiro e o segundo volumes, porém a editora engajada nesse projeto (a Francis, que editou o Graumann 2, "As Confissões de Lúcio") fechou as portas, no final do ano passado. A Francis foi criada -- com o maior zelo -- pela Sônia Nolasco (jornalista, viúva do Paulo Francis) e pelo Wagner Carellli, uma das grandes cabeças "deste país", jornalista que criou a BRAVO e a REPÙBLICA, duas das melhores revistas brasileir…

L. F. Verissimo na ZH de hoje

Versões

Era uma vez uma donzela que caminhava pela beira de um rio quando ouviu um “psiu”. Era um sapo, que lhe contou que na verdade era um príncipe amaldiçoado, transformado em sapo por uma bruxa malvada com poderes mágicos. Se a donzela o beijasse, o sapo voltaria a ser príncipe. A donzela acreditou no sapo, beijou-o, ele se transformou de novo em príncipe e os dois se casaram e viveram felizes para sempre.
***
Anos depois outra donzela teve a mesma experiência. Ouviu a mesma história, sobre a maldição da bruxa que transformava qualquer coisa em outra coisa e fizera o príncipe virar sapo. A donzela concordou em beijar o sapo para livrá-lo da maldição, com uma condição:– Beijo de língua, não.E viveram felizes para sempre.
***
Muitos anos mais tarde, depois da revolução industrial, uma donzela desempregada caminhava pela beira do rio e ouviu a mesma história de um sapo. Concordou em beijá-lo, mas o sapo se transformou num príncipe muito feio, talvez devido à poluição do rio. A donzela pro…

Falou e disse...

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Diálogo no livro “Anjos e demônios”, de Dan Brown. Lembra “O mundo de Sofia”, do Jostein Gaarder:

“- Disseram que você faz uma porção de perguntas - disse o moço.
Vittoria replicou, mal-humorada:
- E é ruim fazer perguntas?
Ele riu.
- Acho que não.
- O que você está fazendo aqui fora?
- O mesmo que você: pensando por que as gotas de chuva caem.
- Não estou pensando por que elas caem! Eu já sei!
O padre olhou espantado para ela.
- Você sabe?
- A irmã Francisca disse que as gotas de chuva são lágrimas dos anjos que caem
para lavar nossos pecados.
- Puxa! - ele disse, em um tom admirado. - Então, está explicado.
- Não, não está! - disparou a menina. - As gotas caem porque tudo cai! Tudo!
Não é só a chuva!
O padre coçou a cabeça.
- Sabe, mocinha, você tem razão. Tudo cai mesmo. Deve ser a gravidade.
- Deve ser o quê?
Ele olhou para ela com ar incrédulo.
- Você nunca ouviu falar da gravidade?
- Não.
O padre fez um gesto decepcionado.
- É uma pena. A gravidade responde a uma porção de perguntas.
Vittoria sentou-se…

Hieronymus Bosch - O Jardim das Delícias

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Clique sobre a imagem para ampliá-la. PS.: A Jorcenita mandou um link do Wikipédia sobre esta obra. Há interpretações interessantes e ficheiros com resoluções melhores para apreciar a pintura. O que a Jo pensa da obra? E a Nita?
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Mais uma listinha para comentarem, desta vez com filmes que, de uma forma ou de outra, fizeram minha cabeça, seja pelo aspecto emocional, seja pelo aspecto intelectual. Como todas as listas, há omissões. São todos filmes do gosto pessoal e gosto se discute sim.

Cidadão Kane, de Orson Welles
Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti
Sociedade dos poetas mortos
O iluminado, de Stanley Kubrick
Annie Hall, de Woody Allen
Efeito Borboleta
1984, de Michael Redford
O anjo exterminador, de Luis Buñuel
O sétimo selo, de Bergmann
Édipo Rei, de Pasolini
Os pássaros, de Hitchcock
12 homens e uma sentença, de Sidney Lumet
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Quando me pedem uma “lista dos livros que não se pode deixar de ler”, tenho muito receio porque os gostos variam muito e o que é muito bom para mim, é uma porcaria para outro. Ao perguntar sobre Kafka ao Janer Cristaldo, por exemplo, ele me disse que o escritor checo “era um chato. Era um gênio, mas um chato.”
Também posso esquecer algum título e depois ficar me remoendo. Da mesma forma, a lista sempre será pequena, pois há muita coisa boa para ser lida. Fico com inveja dos leitores do século XIX, que tinham menos livros para ler!
Aí vai uma listinha pessoal, com inúmeras omissões. Se quiserem, meus poucos leitores podem acrescentar as suas listas nos comentários. (Coloquei alguns link para baixá-los, mas aviso que as digitalizações não estão bem revisadas.)

*Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago – leiam o livro antes de ver o filme! Passei mal!
*Relatos, de Júlio Cortázar – 4 volumes com os contos completos do Julio Cortázar.
*O processo, de Kafka – obra máxima!
*Ópera dos mo…

25 anos sem Cortázar

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Hoje faz 25 anos que morreu o escritor argentino Julio Cortázar. Poucos escritores me fisgaram na primeira leitura. Cortázar foi um deles. O conto “Bestiário”, que li quando adolescente, me causou uma estranheza tamanha, que parecia ver um tigre passeando pelos cômodos da minha casa como acontece na história. Depois da leitura do conto “Ônibus”, durante um tempo fiquei receoso de entrar em um coletivo. Sério! As histórias não tinham nada de terror, mas sim um mistério difícil de explicar sem ler.
Depois que aprendi o espanhol, passei a ler o autor no original e descobri novos livros. O mais famoso é o romance “Rayuela”, ou “Jogo da Amarelinha”, mas eu prefiro os contos. Para mim, junto com Kafka e um ou outro, Cortázar foi um dos maiores escritores da Literatura Universal.
Leia o conto Casa Tomada (em português) no site Releituras: http://www.releituras.com/jcortazar_menu.asp

Quem se arrisca no espanhol, pode baixar o livro “Bestiário”, com 8 contos, aqui: http://www.4shared.com/file/87…

Falou e disse...

"Os leitores acham que, para a gente escrever, basta sentar e a coisa vai saindo. Nada disto, isto só nos acontece no banheiro." Luiz Vilela (lido no blog do Milton)

Não olhe para trás...

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Desafio enviado pela Jorcenita, que foi desafiada pela Inara.
Escrever seis coisas que denigrem ou não minha imagem imaginada.
1- Já roubei livros.
2- Nunca me arrependi de ter tomado posse deles. (Ficaram em melhores mãos, modéstia à parte.)
3- Já fui petista.
4- Já fui admirador do Olavo de Carvalho.
5- Já acreditei em velhinhos barbudos, tipo Papai Noel e deus.
6- Já fui fã do Michael Jackson. (E ainda gosto de escutar suas músicas.)
Passo a bola pra ti, Grazi.

O lobo da estepe

“— O senhor está vindo do trabalho? É verdade que disso nada entendo; vivo um tanto à margem, o senhor compreende... Mas creio que também lhe interessem os livros e coisas assim; sua tia me disse que o senhor completou seus estudos e que era um bom estudante de grego. Esta manhã encontrei uma frase em Novalis.. Permite-me que lha mostre? O senhor também há de gostar de vê-la.
Fez-me entrar no quarto, que recendia a forte cheiro de fumo, tirou um livro de uma pilha deles, folheou-o, à procura.
— Esta aqui também é boa, muito boa — disse. — Veja só esta frase: "O homem devia orgulhar-se da dor; toda dor é uma manifestação de nossa elevada estirpe." Magnífico!
Oitenta anos antes de Nietzsche! Mas não é esta a passagem que eu pensava mostrar-lhe...
Espere, aqui está. Ouça: "A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer.'' Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar: f…

Leon Eliachar

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Quando jovem, recém descobrindo os grandes cronistas da nossa literatura, me deparei com a obra de Leon Eliachar. “Quem?” pergunta a Rovilda. Pois é, não sei por que hoje poucos conhecem os textos desse escritor, o que prova que nem sempre o tempo é senhor da razão.
Pois houve uma época que eu queria ser um escritor como ele, escrevendo crônicas cheias de humor e sarcasmo. Ele era do estilo de um Millôr, de um Stanislaw Ponte Preta. Para a Rovilda e para quem mais nunca ouviu falar no autor, o próprio se apresenta:

SEM MODÉSTIA À PARTE

POR ALTO, BIOGRAFIA

Nasci no Cairo, fui criado no Rio, sou, portanto, "cairoca". Tenho cabelos castanhos, cada vez menos castanhos e menos cabelos. Um metro e 71 de altura, 64 de peso, 84 de tórax (respirando, 91), 70 de cintura e 6,5 de barriga. Em 1492, Colombo descobriu a América; em 1922, a América me descobriu. Sou brasileiro desde que cheguei (aos dez meses de idade), mas oficialmente, há uns sete anos: passei 35 anos tratando da naturalizaç…
Reproduzo aqui um e-mail que recebi do Marcelo, neto do criador da expressão que dá nome a este blog, conforme escrevi no primeiro post:

Olá meu caro! Estava navegando pela rede e acabei desaguando no seu blog e li sobre o Porém. Bom, este tal Jorge Porém era meu avô materno e realmente ficou conhecido pelo "ah porém". No entanto o momento de sucesso, se assim podemos dizer, não foi perene. Em verdade foi um rio que passou na vida dele.
Foi legal ver alguém falar sobre ele, mesmo que de forma sucinta.
Um forte abraço!

Calvin

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Citando a mim mesmo...

“Quando as pessoas morrem na mão de um médico, o culpado foi ele. Quando sobrevivem, foi milagre de deus.” Cassionei N. Petry, professor.
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Na revista “Sociedades secretas”, especial da Superinteressante, lançada no final do ano passado, a reportagem sobre os maçons afirma que um dos requisitos para se entrar nela é acreditar em um deus, seja ele qual for. E o grão-mestre de uma loja maçônica da argentina afirma: “Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”. Ora, se é obrigado a acreditar em um deus, essa meta não tem valor nenhum.

A edição ainda traz ainda uma matéria sobre a Ku Klux Klan, uma das sociedades secretas mais nefastas desse nosso mundinho. Em uma das fotos, a barbaridade perpetrada por esses monstros americanos. Precisa dizer alguma coisa?
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Desisto. Já é fevereiro e não consegui fazer quase nada que planejei para janeiro. Não escrevi um conto sequer. Não li todos os livros que queria. Como fevereiro será dedicado a família, já que a patroa estará de férias também, e em março recomeçam as aulas, precisarei repensar muitas coisas. Mas o blog acho que está dando certo. O que acham os meus quatro ou cinco leitores?

Texto que escrevi em homenagem ao meu primo que partiu aos 33 anos.

O nome Fabrício deriva da palavra fábrica. Pois quando lembro de ti, Fabrício, lembro disso:
Tu eras uma fábrica de risos. Quem te conhece sabe desse teu lado palhaço, brincalhão. Nas idas a Sapucaia para os encontros da família, eras um dos que puxavam as brincadeiras, a cantoria. Será uma voz a menos para cantar o Chico Mineiro “com calça e sem calça”.
Tu eras uma fábrica de seriedade. Sim, aquele mesmo cara brincalhão se tornava um sério pai de família, um filho responsável, um profissional dedicado. O mundo perde mais uma pessoa exemplar.
Tu eras uma fábrica de simpatia. Era aquela pessoa que fazia questão de cumprimentar todo mundo com entusiasmo, mesmo se conhecesse a pessoa há pouco tempo. Será um sorriso a menos entre nós.
Tu eras uma fábrica de música. O som do teu clarinete ou do saxofone deliciava a todos, como aconteceu na última Enfasa. Também ensinava aos jovens a magia das notas musicais e a serem artistas. …