quinta-feira, março 26, 2009


"Eu, estrangeiro e infeliz
Num mundo que não fiz."


A. E. Housman

Citando a mim mesmo

"A diferença entre religião e a ciência é que a última levanta hipóteses e tenta comprová-las, já a primeira impõe verdades e ameaça quem contrariá-las."

quarta-feira, março 18, 2009

Meu texto "Lei de Deus?" foi publicado no blog Bule Voador, um dos melhores blogs sobre ceticismo e ateísmo. Vale a pena dar uma boa lida nos textos disponíveis lá.

Também pode ser lido na minha coluna "O corvo" no site The Graverobber.

sábado, março 14, 2009

LEI DE DEUS?

Em meio à discussão sobre a excomunhão dos envolvidos no aborto da menina de 9 anos, estuprada em Pernambuco, o bispo Dom José Cardoso Sobrinho afirmou que a “lei de Deus” é superior às leis dos homens. Superior para quem?

Ora, é típico das religiões imporem sua verdade aos outros. A lei referida pelo bispo está nos 10 mandamentos da Bíblia, livro sagrado dos cristãos, mas não de toda a humanidade. O mandamento “não matarás”, segundo o escritor Janer Cristaldo, “deve ser visto em seu contexto. Jeová o dirige à sua tribo, à tribo de Israel. Não matarás os de tua raça. Não matarás um judeu. Quanto às outras tribos, pode-se matar à vontade, como aliás Jeová ordena diversas vezes no Pentateuco.” É só ler o Antigo Testamento, com as chacinas ordenadas por Deus, para se banhar em sangue. Não é à toa que há edições da Bíblia apenas com o Novo Testamento indicadas para os fiéis, talvez para que não fiquem sabendo que o “Deus de amor” era na verdade um assassino cruel com os outros povos que não o cultuassem.

O que me incomoda, como ateu, são frases do tipo “a humanidade está se destruindo porque falta Deus no coração das pessoas”. Ora, como se a maioria dos atos de barbárie praticados na História da Humanidade não fossem feitos em nome de um deus, ou de vários deuses, não escapando nem a Igreja Católica com sua Inquisição (só para dar um exemplo)! Há vários conflitos religiosos no mundo todo, padres pedófilos, mutilação de mulheres, etc. E quantos assassinos não fazem o sinal da cruz antes de dar um tiro em alguém?

Ser bom, honesto, ético, carinhoso, amoroso, caridoso, feliz, independe de religião ou de crença. A moralidade não nasceu devido a nenhuma inspiração sobrenatural, mas sim porque o homem precisa estipular regras para o bom convívio. Não precisa haver uma crença em punições ou uma ameaça de inferno para praticarmos o bem. Um ateu pode ter todas estas qualidades, bem como o religioso. Da mesma forma, há ateus e religiosos dos quais devemos manter distância.

Penso que todos nascemos ateus. Depois, a família e a sociedade nos “presenteiam” com uma religião (isso, quero reforçar, é apenas uma opinião minha). Nossa cultura é tomada pelo cristianismo. O calendário é um exemplo. Os crucifixos pregados em paredes de instituições públicas como juizados e escolas também não no deixam esquecer que somos frutos de uma religião e que as outras crenças ficam em segundo plano. Se nascemos em uma família com uma determinada crença, fatalmente desde pequenos aprenderemos que essa é a correta. Com o passar do tempo (o senhor da razão) podemos afirmar essas crenças, questioná-las ou buscar outras. É próprio do ser humano querer respostas para suas perguntas. Se são dadas pelas religiões e nos satisfazem, nos confortam, permanecemos com elas. Mas para as mentes mais inquietas, essas respostas geram novas perguntas e assim por diante. O importante é que cada um se sinta feliz com o que acredita ou deixa de acreditar. Procurar a satisfação pessoal, mas sem impor sua verdade aos demais, eis a verdadeira tolerância.

Quanto à chamada “lei de Deus”, ela serve apenas para quem deseja segui-la. As leis dos homens, porém, mesmo com suas falhas, devem ser seguidas por todos. Do contrário, este mundo é que será (ou permanecerá) um inferno.

quinta-feira, março 12, 2009

“O que me dava tanto pavor, o enigmático, o Além, não existe. Tudo é deste mundo. Tudo existe dentro de nós, tudo se passa dentro de nós, nos infiltramos uns nos outros e nos libertamos uns dos outros. É tudo.” Ingmar Bergman

quinta-feira, março 05, 2009

Achei este debate a partir do meu texto "Somos ignorantes". Que tal o rapaz!

Nesta semana recomeçaram as aulas, por isso apareci menos por aqui. Mas pretendo retomar a regularidade.

O que me deixou feliz foi um comentário, no final de uma aula, de uma aluna: "Gostei da tua aula, professor!" É o que me faz insistir nessa profissão...

domingo, março 01, 2009

Assim falou Zaratustra...

Na ZH de hoje:

- Os sinos da catedral anglicana de Liverpool interpretarão em maio a canção Imagine, de John Lennon, definida pelo próprio como “hino antirreligioso”. Os administradores do local, construído entre 1904 e 1978, consideraram “a sensibilidade” da letra e decidiram que sua capacidade de atrair as massas supera seu potencial para a ofensa.


Isso me fez recordar do que ouvi em uma palestra há alguns anos, de um professor de linguística da Alemanha, na Semana Acadêmica de Letras da UNISC. Nos primeiros dias em que estava morando no Brasil, assistia à TV pela manhã bem cedo, quando começou um programa desses da Igreja Universal. Como tema de abertura, a música “Also sprach Zaratustra”, de Richard Strauss. Disse o palestrante: “ora, o que falou Zaratustra na obra de Nietzsche? –Deus está morto. Das duas, uma – ou os membros da IURD são ignorantes e usaram a música sem saber seu significado, ou realmente não é Deus quem é o exaltado nesta instituição.”

Mas até é elogiável a atitude dos administradores da catedral anglicana, pois perceberam que as artes, para serem belas, independem do caráter religioso, assim como eu, que sou ateu, fã de Bach, por exemplo, admiro várias obras de inspiração religiosa (muitas delas, aliás, realizadas por descrentes).

Convertei-vos, irmãos!