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A mostrar mensagens de Julho, 2010

Arranhões

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Eis mais um conto que escrevi há alguns anos e que compartilho com meus 7 leitores. Estejam à vontade para críticas, tanto positivas como negativas.
A MÁQUINA DE ESCREVER
(Frejat / Guto Goffi / Guioseppe Ghiaroni) Mãe, se eu morrer
De um repentino mal
Vende meus bens
À bem dos meus credores
A fantasia de festivas cores que usei
No derradeiro carnavalVende esse rádio
Que ganhei de prêmio
Por um concurso
Num jornal do povo
E aquele terno novo
Ou quase novo
Com poucas manchas
De café boêmioVende também meus óculos antigos
Que me davam ares inocentes
Não precisarei de suas lentes
Pra enxergar os corações amigosSem ruído é mais provável
Que eu alcance o céu
Vou penetrar e então provar seu mel
No paraíso só preciso de um olhar
Sem teu sorriso,outro sorriso pra me enganarMas poupa minha amiga de horas mortas
Com teclas bambas, minha máquina de peças tortasVende todas as grandes pequenezas
Que eram o meu íntimo tesouro
Mas não!ainda que ofereçam ouro
Mas não!ainda que ofereçam ouro
Não vendas o meu filtro de tristezas

Carl Sagan

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"Sim, o mundo seria mais interessante se houvesse UFOS escondidos nas águas profundas, perto das Bermudas, devorando os navios e os aviões, ou se os mortos pudessem controlar as nossas mãos e nos escrever mensagens. Seria fascinante se os adolescentes fossem capazes de tirar o telefone do gancho apenas com o pensamento, ou se nossos sonhos vaticinassem acuradamente o futuro com uma frequência que não pudesse ser atribuída ao acaso e ao nosso conhecimento do mundo.Esses são exemplos de pseudociências. Eles parecem usar os métodos e as descobertas da ciência, embora na realidade sejam fiéis à sua natureza - frequentemente porque se baseiam em evidência insuficiente ou porque ignoram pistas que apontam para outro caminho. Fervilham de credulidade."

Carl Sagan, em "O mundo assombrado pelos demônios".

"Eu, robô" na Gazeta de hoje

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Os robôs somos nós?

Recentemente, o cientista Craig Venter, junto com sua equipe, anunciou acriação de um organismo vivo a partir de um genoma sintético. Um passo importantíssimo para a criação de vida artificial. Logo, muitas vozes exaltadas protestaram contra o ser humano que mais uma vez quis brincar de Deus. Isso nos remete ao chamado “conhecimento proibido”, retratado em mitologias de diferentes civilizações. No mito grego da “Caixa de Pandora”, por exemplo, a primeira mulher criada pelos deuses foi mandada à terra junto com um recipiente, mas com a proibição de não abri-lo. Como a curiosidade é inerente a todo ser humano (ia dizer a toda a mulher, mas aí atrairia a ira feminina sobre mim), Pandora não se conteve e abriu a caixa para conhecer seu conteúdo. Como consequência, de dentro da caixa saíram todos os males do mundo. Mito semelhante é relatado no livro sagrado dos cristãos, na história de Adão e Eva. Deus proibiu que comessem do fruto da Árvore do Conhecimento. A m…

Os robôs somos nós?

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Cassionei Niches Petry
Recentemente, o cientista Craig Venter, junto com sua equipe, anunciou acriação de um organismo vivo a partir de um genoma sintético. Um passo importantíssimo para a criação de vida artificial. Logo, muitas vozes exaltadas protestaram contra o ser humano que mais uma vez quis brincar de Deus. Isso nos remete ao chamado “conhecimento proibido”, retratado em mitologias de diferentes civilizações. No mito grego da “Caixa de Pandora”, por exemplo, a primeira mulher criada pelos deuses foi mandada à terra junto com um recipiente, mas com a proibição de não abri-lo. Como a curiosidade é inerente a todo ser humano (ia dizer a toda a mulher, mas aí atrairia a ira feminina sobre mim), Pandora não se conteve e abriu a caixa para conhecer seu conteúdo. Como consequência, de dentro da caixa saíram todos os males do mundo. Mito semelhante é relatado no livro sagrado dos cristãos, na história de Adão e Eva. Deus proibiu que comessem do fruto da Árvore do Conhecimento. A mulher…

Filosofices de segunda

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Dia 25 de julho - Dia do Escritor

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Parabéns a todos os escritores e aos que, como eu, estão tentando ser.

É o ócio...

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Foi assim que a emissora Record cresceu

Sobre a cruz na camisa da Seleção

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Confesso, nunca tinha reparado no emblema da camisa.

Na ZH de hoje, na coluna do Mário Marcos de Souza:
"Ai de quem se atrever a vestir a camiseta da Seleção Brasileira no Estado de Johor, sul da Malásia. A vestimenta foi considerada contrária aos ensinamentos da religião islâmica, segundo Nooh Gadot, um dos líderes da região. Não apenas a brasileira, é verdade. Também estão na lista de restrições as de Portugal, Sérvia, Noruega e Barcelona, que teriam símbolos de outras religiões, e principalmente a do Manchester United, cujos jogadores são chamados de Diabos Vermelhos.Não foi decretada nenhuma guerra religiosa, mas apenas uma advertência, informam os imãs.
É duro misturar religião e esporte, ainda mais em uma região apaixonada por times e seleções de outros países, mas é prudente levar a recomendação a sério."


Aforismos por Cassionei (X)

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O homem criou deus para que ele criasse o homem.

Amanhã, sem texto

Sempre nas segundas, que era meu dia de folga, postava pelo menos uma crônica ou a resenha que sai na Gazeta de quarta. Como amanhã estarei na jornada pedagógica da escola durante o dia inteiro, não escreverei nada.
(Será que essa informação interessa a algum leitor?)

Despedidas

Calma, o blog não está se despedindo. Por enquanto, pois estou pensando seriamente em tirá-lo do ar. O meu perfil no Orkut, por sua vez, já está com os dias contados.

Mas despedidas mesmo ocorreram essa semana na minha escola, pois vou deixar de dar algumas aulas em Venâncio Aires para lecionar em Santa Cruz. Dentre homenagens, frases e depoimentos marcantes, destaco a frase de uma aluna na aula de Filosofia. "Gosto das aulas do senhor porque é o contrário da aula de Religião. O que a professora Fulana constrói, o senhor destrói."

Filosofices em uma manhã fria

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M.C. Escher, Main with cuboid

Sempre que se discute a existência de D-us, surge o falso argumento de que sem "E"le a vida não teria sentido. Digo sempre: o sentido da vida é ela não ter sentido. Não sei se tem um autor, mas me "adonei" dessa frase.
É só pensar no nosso dia a dia. Quantas coisas projetamos e que não dão certo? A vida nos prega peças, mas ela por si só já vale. Numa espécie de Aposta de Pascal ateia, penso que não podemos perder tempo da nossa vida pensando em uma outra "vida". Não deveríamos ver nela um sentido (ser superior), mas vários sentidos (família, amor, artes e tantos outros). A vida é muito melhor do que o "além da vida".
Desculpem o papo meio "auto-ajuda". É que estou feliz pra ca... com os novos rumos que estão surgindo na minha vida.
***
Vi há pouco no Bom dia, Brasil a história de duas pessoas que estão há quase 40 anos morando na UTI de um hospital devido à paralisia infantil. Ambos se formaram no ens…

Meu texto sobre "O vidiota" hoje na Gazeta

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Muito além da tela

O jardineiro Chance viveu durante toda a sua vida morando e trabalhando em uma casa, de onde jamais lhe fora permitido sair. Tinha como distração apenas uma TV com controle remoto, à frente da qual passava boa parte do dia. Não sabe sequer ler e escrever. Para ele, a realidade se resume ao velho dono da casa, que como pagamento pelos serviços lhe dava de presente suas roupas usadas, mas de grife; à empregada, que lhe servia o almoço; e à televisão, que lhe mostrava o mundo “além do jardim”. Agora, com a morte do velho, é expulso pelos herdeiros e se vê obrigado a conhecer o outro lado do muro. O início do romance O vidiota (Ediouro, 112 páginas), escrito por Jerzy Kosinsky nos anos 70, lembra a “Alegoria da caverna”, de Platão. Na história do filósofo grego, homens acorrentados desde tempos imemoriais viam sombras projetadas no fundo de uma caverna, produzidas por uma fraca luminosidade vinda da entrada. Quando um deles consegue se soltar, descobre que o que…

Muito além da tela

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Cassionei Niches PetryO jardineiro Chance viveu durante toda a sua vida morando e trabalhando em uma casa, de onde jamais lhe fora permitido sair. Tinha como distração apenas uma TV com controle remoto, à frente da qual passava boa parte do dia. Não sabe sequer ler e escrever. Para ele, a realidade se resume ao velho dono da casa, que como pagamento pelos serviços lhe dava de presente suas roupas usadas, mas de grife; à empregada, que lhe servia o almoço; e à televisão, que lhe mostrava o mundo “além do jardim”. Agora, com a morte do velho, é expulso pelos herdeiros e se vê obrigado a conhecer o outro lado do muro.O início do romance O vidiota (Ediouro, 112 páginas), escrito por Jerzy Kosinsky nos anos 70, lembra a “Alegoria da caverna”, de Platão. Na história do filósofo grego, homens acorrentados desde tempos imemoriais viam sombras projetadas no fundo de uma caverna, produzidas por uma fraca luminosidade vinda da entrada. Quando um deles consegue se soltar, descobre que o que viam …