segunda-feira, agosto 29, 2011

O chope de sábado na Gazeta de hoje

O chope que citei no post de sábado foi devidamente clicado pelo Mauro Ulrich e foi parar na sua coluna de hoje no jornal Gazeta do Sul, Sopa de Letras. Na foto, eu e Romar Beling.

sábado, agosto 27, 2011

Feira

Começou hoje mais uma Feira do Livro em Santa Cruz do Sul. Percorrer os balaios foi minha primeira providência. Saí com três exemplares por dois reais cada: Cela, Chesterton e Chamisso (curiosamente, todos começando com a letra C). Infelizmente, ainda são poucos os balaios, e predominam, como em todos os anos, os livros religiosos e os infantis em edições duvidosas (não faltam as famosas maletas).
No mais, só pelo fato de caminhar por um ambiente em que o livro é o astro principal (ou quem os escreve) é um prazer e me faz “perder” boa parte de um sábado já comprometido por outras atividades.
Melhor ainda foi poder tomar um chope (bem, não foi só um) com o Mauro e o Romar. Os dois finalmente tiraram os originais da gaveta e nos brindam com seus poemas. Cellophane Flowers, do Mauro Ulrich, e Noite em chamas, do Romar Beling, foram lançados pela editora da Gazeta Grupo de Comunicações. Não os comprei ainda, porque espero a tarde de autógrafos, que será no último domingo da feira, mas deu para perceber que a carne é de primeira. Ambos, aliás, foram intimados a pensar numa boa dedicatória para meus exemplares.
Quanto aos textos do blog, a regularidade com que vinha escrevendo foi prejudicada devido às leituras do mestrado, assim como a elaboração de ensaios e artigos acadêmicos, sem contar todas as atividades de um professor de ensino médio. Vou tentando, porém, aparecer mais vezes por aqui.

terça-feira, agosto 16, 2011

Blog dos meus alunos


Blog destinado à publicação de textos escritos pelos meus alunos. Há ótimos trabalhos que merecem ser lidos por mais pessoas. Fiquem à vontade para comentar.
Boa leitura!

segunda-feira, agosto 08, 2011

Agosto, mês do bom gosto


Meu texto que saiu hoje no jornal Gazeta do Sul, na página de opinião. Publiquei no ano passado aqui no blog, mas fiz uma pequena revisão, inclusive no título.

Chamar agosto de mês do desgosto me causa, justamente, desgosto. Elenca-se uma porção de fatos negativos para justificar esse epíteto, mas se esquece de que outros tantos acontecem nos demais meses. Esse tipo de superstição serve para difundir um pensamento místico tolo, alargando preconceitos e crenças irracionais.

Coincidentemente, alguns acontecimentos negativos aconteceram em agosto: o início das duas grandes guerras mundiais, o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagazaki, o suicídio de Getúlio Vargas, a morte de Juscelino Kubitscheck, só para citar eventos bastante conhecidos. Tudo isso contribuiu para a difusão da lenda. Por outro lado, a história também registra fatos ruins em outros meses: o ataque às Torres Gêmeas em Nova Iorque foi em setembro, a Guerra Civil espanhola teve início em julho e Tancredo Neves morreu em abril. Ou seja, uma simples pesquisa sem muita metodologia científica comprova que desgosto não é exclusividade do oitavo mês do calendário.

Em agosto também aconteceram fatos positivos. Foi o mês do meu nascimento, por exemplo, e talvez por isso minha ojeriza a essa lenda. Além disso, se pensarmos na origem da palavra, veremos que nada tem de negativa. O mês ganhou esse nome por decreto do imperador César Augusto, pois ele não queria ficar para trás do imperador anterior, Júlio César, homenageado com o mês de julho. Por isso ambos os meses têm 31dias. O nome Augusto vem do latim augustos, e significa venerável, que merece respeito, magnífico, majestoso, sublime.

Agosto também é conhecido como o mês do cachorro louco, mas aí há uma explicação científica: ocorre um grande número de cadelas no cio devido a condições climáticas. Logo, os machos se atiçam, há mais promiscuidade entre os animais e vírus como o da raiva se propagam com facilidade. Por isso campanhas de vacinação de cães acontecem em agosto. Nada tem relação com espíritos à solta como muitos alegam.

Criticar superstições bobas é tentar secar o chão molhado com toalha de papel. É muito mais fácil acreditar em histórias fabulosas do que em fatos racionalmente comprovados. Astrologia, búzios, numerologia, homeopatia, cartomancia, quiromancia, oniromancia, assombrações, sessões de descarrego, curas espirituais e outras crendices afastam as pessoas do pensamento crítico, pois elas acabam aceitando facilmente a palavra da autoridade no assunto, seja o guru, o xamã, o vidente, o padre, o pastor, o médium. Logo, sei que minha defesa do mês de agosto surtirá pouco efeito, afinal de contas, o misticismo deve ser mantido, para o bem do bolso dos “comerciantes da superstição”.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Desabafo sobre o mestrado II

Depois da aula de hoje no mestrado, vou escrever um "desabafo parte II", que ficará provavelmente, assim como o primeiro, inédito.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Leitura sobre a leitura


Online

Na minha coluna Traçando Livros de hoje, no jornal Gazeta do Sul.


“Como conseguia transformar meras linhas em realidade viva, eu era todo-poderoso”, escreve Alberto Manguel, sobre o momento em que descobriu que sabia ler. Às vésperas da 24ª Feira do Livro em Santa Cruz do Sul, que começará no final deste mês, as palavras do escritor vêm bem a calhar. Serão milhares de seres todo-poderosos que circularão pela praça Getúlio Vargas – por sinal, outro grande leitor – e aproveitarão a chance de utilizar esses poderes. Também é um pretexto para ler ou reler Uma história da leitura (Companhia das Letras, 405 páginas, tradução de Pedro Maia Soares), escrita pelo autor argentino, naturalizado canadense, e entender o fascínio dessa arte.

Alberto Manguel entende do assunto. Além de escrever várias obras sobre o ato de ler, ele tem no currículo a experiência de ter sido contratado para ser, digamos assim, os olhos de ninguém menos que Jorge Luis Borges, cumprindo, durante anos, o papel de ler para o grande escritor que estava ficando cego. “Jamais tive a sensação de apenas cumprir um dever durante minhas leituras para Borges; ao contrário, era como se fosse uma espécie de cativeiro feliz.”

A viagem histórica da leitura começa com a descoberta, na Síria, de duas placas de argila com entalhes representando animais e um número, datadas de quatro mil anos antes da nossa era, até chegar aos estudos de neurolinguística, que tentam explicar a complexidade da relação cérebro e linguagem. Como a percepção se torna leitura? “Como o ato de apreender letras relaciona-se com um processo que envolve não somente visão e percepção, mas inferência, julgamento, memória, reconhecimento, conhecimento, experiência, prática?”

No meio da viagem, mais precisamente na Idade Média, nos deparamos com o espanto de Agostinho – para quem “a palavra falada era uma parte intrincada do próprio texto” –, ao ver o bispo Ambrósio lendo silenciosamente e não em voz alta, como era de costume. “Olhos perscrutando a página, língua quieta: é exatamente assim que eu descreveria um leitor de hoje”, escreve Manguel. Mesmo com a necessidade que temos de compartilhar nossas leituras, seja através de sarais, contação de histórias ou debates, a melhor forma de ler é no silêncio e na solidão.

Nas demais estações da viagem, Manguel aborda as formas de aprender a ler, os lugares onde podemos apreciar uma leitura, os livros proibidos, a leitura de imagens, o roubo de livros, etc. Ficamos sabendo que Franz Kafka, autor de A metamorfose, era funcionário de um instituto de seguros e roubava “tempo do seu trabalho para se deixar absorver pelo livro que tivesse consigo”; também conhecemos a intimidade de alguns leitores-escritores, como Geoffrey Chaucer, que gostava de ler na cama; e, por fim, somos lembrados que Laurence Sterne e Julio Cortázar, ao escreverem seus romances, deram um enorme poder a quem lê, os “livros deixados abertos para a construção do leitor, como uma caixa de Legos”.

O tema da Feira do Livro desse ano, “Ler é uma arte”, põe o leitor também como criador, um artífice. Se o escritor utiliza a palavra como matéria-prima e a transforma em obra artística, o leitor, da mesma forma, cria, a partir das palavras disponíveis nas páginas dos livros, novos sentidos para o texto, muitas vezes bem diferentes dos sentidos pensados pelo autor. O texto, em princípio, é apenas silêncio e só se transforma em arte “quando rumoreja/o sopro da leitura”, como escreveu Ferreira Gullar. Por isso, leitor, circule pela feira, abra os livros, leia-os e se metamorfoseie num artista da leitura, fazendo companhia a Manguel, Borges, Agostinho, Kafka, Sterne, Cortázar...

Cassionei Niches Petry é mestrando em Letras pela Unisc, com bolsa do CNPq. Assim como Kafka, já roubou tempo do seu trabalho para ler. Escreve regularmente para o Mix e no seu blog, cassionei.blogspot.com.