quarta-feira, novembro 28, 2012

Desfazendo frases feitas (ou Provérbios adaptados aos novos tempos)

(Até provarem o contrário, essas frases foram criações minhas, fruto de uma mente que deveria estar escrevendo seu trabalho para o mestrado agora. Se forem reproduzir, não custa dar a fonte - no bom sentido, é claro.)



Em casa de ferreiro, até o cabo do espeto é de ferro.
Deus ajuda quem cedo madruga? Então está provado que ele não existe.
De onde menos se espera, aí é que sai alguma coisa.
Quem não tem cão não caça nem com gato porque é proibido.
A cavalo dado não se olha apenas os dentes, como também o pelo, a ferradura...
Um por todos, todos fogem depois.
Águas passadas já moveram muitos moinhos.
A pressa é a amiga do poste mais próximo.
Água mole em pedra dura se resolve fechando a torneira.
A mentira tem pernas bonitas e encantadoras.
Mulher de amigo meu é amiga da minha mulher.
Antes só, hoje mal-acompanhado.
As paredes têm ouvidos quase sempre sujos.
A união se faz à força.
A fruta sempre cai em cima do meu pé.
Cabeça vazia é oficina do Paulo Coelho.
Cada um por si, Deus contra todos.
Cada macaco quebra o seu próprio galho.
Caiu na rede é pra fazer download.
Custa os olhos, o nariz e a boca da cara.
Depois da tempestade vem a sujeira pra limpar.
Deus dá o calor e o homem o ventilador.
Dinheiro na mão é alucinação.
Devagar se vai ao longe do que se quer alcançar.
Diz-me se lês literatura, que eu te direi quem és.
Dois é bom, três é pecado.
Duas cabeças pensam melhor que uma, mas continuam não fazendo nada.
É dando que mais te pedem.
É dos carecas que as moscas gostam mais.
Em briga de marido e mulher alguém já meteu... a colher.
Não adianta chorar sobre a cerveja derramada.
Nunca diga: desta cerveja não beberei. Depois do primeiro engradado, qualquer marca serve.
O amor é ego.
Tal pai, tal filho, disse a mãe quando viu sua futura nora.
A voz do povo é a voz de Deus, disse o político corrupto recém-eleito.
Parem o mundo que eu quero subir!
Antes à tarde do que de manhã cedo.
Um dia é da caça, o outro também. E mais o outro e o outro...
Roupa suja se lava na lavanderia, mas por favor, sem marcas de freio na cueca!
Quem ri por último, ri pra não perder o amigo.
 

quarta-feira, novembro 21, 2012

No Traçando Livros de hoje, Paulo Roberto Pires


Na minha colaboração quinzenal com o jornal Gazeta do Sul, no caderno Mix, escrevo sobre o romance Se um de nós dois morrer, de Paulo Roberto Pires: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/379401-do_escritor_como_personagem/edicao:2012-11-21.html


Do escritor como personagem


     É o tipo de narrativa que gostaria de escrever. São fragmentos de cartas, e-mails, anotações e conferências de um escritor sobre seu fracasso na tentativa de produzir o segundo livro. Um romance em que a linearidade cede espaço às idas e voltas no tempo, num jogo literário em que o leitor é desafiado pelo escritor. São 117 páginas intensas, que tem a literatura como tema principal. A premiação é a presença do mestre Enrique Vila-Matas, o catalão autor do recente Ar de Dylan, como personagem. Os que sofrem do “Mal de Montano” agradecem. 
     Se um de nós dois morrer (Editora Alfaguara) é o segundo romance do editor e crítico Paulo Roberto Pires, depois de 11 anos do primeiro. Não fosse pela morte do protagonista, revelada já no início do enredo, poderíamos interpretá-la como uma ficção baseada na vida do autor.
    A história inicia quando Sofia encontra um envelope deixado pelo seu ex-companheiro Théo, recém-falecido, provavelmente por suicídio, dando instruções sobre o destino de suas cinzas. Depois de levá-las para jogar perto de túmulos de escritores famosos no Cemitério Montparnasse, em Paris, volta ao Brasil e encontra outro material deixado por ele, desta vez uma pasta contendo vários escritos e a orientação de ser entregue a Vila-Matas. “O que escrevi interessa antes de mais nada a mim e, talvez, quem sabe, a Enrique, colecionador que é de esquisitices literárias.” São essas anotações diversas, vila-matianas por excelência, o que atraem os aficcionados por literatura e podem, claro, afastar aqueles que desejam uma história de fácil digestão.
     No capítulo “O inventário da pasta”, temos o que poderia ter sido o segundo romance de Théo, mas não foi. Escritos em cadernos Moleskines, blocos, livretos e folhas soltas, os fragmentos são tudo o que restou daquilo que Théo tentou criar depois da primeira obra, na verdade a transposição para o papel de suas angústias e decepções. “Pois escrever, como o senhor bem sabe, pode ser nada mais do que um sofrimento”, afirma Théo em uma carta a seu editor. Na parte final, Sofia vai à FLIP, a festa literária da cidade de Paraty, à procura de Vila-Matas, para cumprir o último desejo do ex-namorado.
   Alguns críticos vêm tecendo comentários nada amistosos sobre escritores que realizam um tipo de literatura que se volta para a própria literatura, denominada metaficção. Propõem uma temática mais variada por parte dos autores, pois consideram que essa escrita autorreferente está se desgastando. Na verdade, Vila-Matas, Paulo Roberto Pires (que também é jornalista) e cia. escrevem não só para os seus pares, mas também para os leitores que gostam de tudo que se refere ao mundo literário. É uma possibilidade de tema que traz consigo uma infinidade de outros, afinal, o escritor, como personagem, é tão humano como os demais.
    Cassionei Niches Petry é professor, mestrando em Letras e escritor. Lançou seu primeiro livro, Arranhões e outras feridas (Editora Multifoco), com alguns contos metaficcionais. Escreve quinzenalmente para o Mix e mantém o blog cassionei.blogspot.com.
 

segunda-feira, novembro 19, 2012

Poema de Jorcenita Alves Vieira sobre meu livro


Os livros trazem de tudo
O amor e a dor da vida
A literatura que é grande
Trata de arranhões e outras feridas


Poema de Jorcenita Alves Vieira, citando o título do meu livro.