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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2015

Bauman foi mais esperto (XVIII)

“A literatura, pelo pouco que sei dela, nasce quem sabe de uma forte tendência à incomunicação ou à má comunicação. Um escritor de ficções é alguém que na vida cotidiana muito raramente pode comunicar o que sente, seus medos, suas admirações, suas paixões, seu amor. É algo assim como um olhar de surpresa ante o real de que falavam os gregos: o que ao filósofo lhe permite refletir e, ao escritor, escrever. O único lugar onde um homem que escreve se comunica é em seus livros, e são suas personagens que falam por ele.”  Abelardo Castillo, em “Ser escritor”. A tradução deste trecho é minha. Aliás, é um grande escritor argentino ainda não traduzido por estas bandas.
Quando tu te dás conta de que algumas pessoas desfizeram "amizade" contigo no Facebook, pensas no por que disso e é reafirmada a convicção de que estás no caminho certo. Não estás lá para agradar ninguém. Apesar de louco para sair, continuas lá porque é uma forma de compartilhar o que escreves, tuas opiniões, tuas angú…

Feira do Livro: sob as árvores ou sob os telhados de zinco?

Crônica minha na página de opinião do jornal Gazeta do Sul de hoje.

Seu José passava pela Praça Getúlio Vargas. Iria a uma loja comprar um presente para a esposa. Viu algumas barracas e gente circulando por elas, mexendo em espécie de balaios, folheando livros. Alguns indivíduos, parecendo um pouco loucos, até cheiravam as páginas. Crianças num palco ao lado riam com uma apresentação de teatro infantil. No outro lado, uma bruxa boazinha encantava outros pequenos com suas histórias. Mais adiante, jovens concentradíssimos jogavam xadrez. “Que mundo é esse que eu não conhecia?”, perguntou Seu José ao homem alto, cabelo comprido, que com uma caderneta nas mãos compunha um poema escorado na grade do chafariz. “É o mundo mágico da Feira do Livro, meu senhor”, respondeu o poeta. Seu José acabou levando um presente diferente para sua amada: um livro de poesias devidamente autografado pelo grande escritor.O relato é fictício, mas baseado na realidade. Já escrevia o bardo Castro Alves: “A praça…

Texto meu no blog "Letras in.verso e re.verso"

Bauman foi mais esperto (XVII)

Quando vejo comentários dizendo "melhor professora" ou "todos deveriam ser assim" para um vídeo que mostra uma professora sambando na sala de aula para "explicar" uma matéria, me dá uma agonia... *Que interpretação espetacular do Osmar Prado para o "Poema em linha reta", do Fernando Pessoa. E numa novela de televisão!https://www.youtube.com/watch?v=uElwCENBDJQ *Assisti com a família ontem ao show doVitor Ramil, Kleiton & Kledir e Orquestra da Ulbra, com abertura daOrquestra da UNISC. Me arrepiei nos primeiros acordes de "Loucos de cara" e na música "Corpo e alma", versão dos irmãos para um clássico de outra grande dupla,Simon & Garfunkel. *E a Feira do Livro de Santa Cruz do Sul sairá da praça. Estou escrevendo um artigo sobre o assunto para o jornal da minha cidade. Espero que publiquem. *Relendo "Zuckerman acorrentado", do Roth, sobre o qual já escrevi uma resenha. Estou relendo a obra do Roth em paralelo …

Uma toca, um refúgio

Quando me sento à frente da tela branca do computador, aciono o “qwertick”, aplicativo que simula o som de uma máquina de escrever enquanto digito. Esse som é música para meus ouvidos. Quando sonhava em ser escritor, me imaginava num quarto cheio de livros, iluminado por um abajur, bebendo muito café, fumando cigarro ou cachimbo, varando a madrugada e martelando uma máquina de escrever (Remington, Olivetti, Underwood, tanto faz), criando um mundo só meu, que seria depois bisbilhotado por algum leitor. Imagens de escritores escrevendo em velhas máquinas são minhas favoritas nos filmes a que assisto, assim como gosto de ler obras em que um personagem é escritor. A literatura é um grande tema, por mais que alguns críticos não gostem dessa escrita autorreferente por considerarem-na repetitiva.Agora me acomodo na minha toca para escrever a coluna “Traçando Livros”, ponho a xícara de café ao lado, muito café (faz parte do ritual) e fico na dúvida sobre qual livro comentar entre tantos que l…

Bauman foi mais esperto (XVI)

Querido diário:
A leitura de meus artigos de opinião, ensaios e crônicas, se publicadas algum dia em um livro, demonstrará um sujeito incoerente. No entanto, não sou eu o incoerente: o mundo o é.*Evitei olhar os vídeos do terremoto no Nepal, com exceção de um que mostrava uma piscina balançando e transbordando como se fosse uma bacia com água transportada por braços vacilantes.*Entendo os jovens que reclamam da TV por assinatura. Mas velhos como eu que nos anos 80 tinham só Globo, Band, SBT e Manchete pra assistir?*O corvo do Edgar Allan Poe existe!https://www.youtube.com/watch?v=rIX_6TBeph0&feature=youtu.be*Esse é o meu país, em que a escola é chata, precisa mudar, os professores precisam se atualizar, se adaptar ao mundo da criança e do adolescente, trazer a realidade deles para a sala de aula e tornar as aulas mais atrativas. Essa é a realidade de muitas crianças hoje, então, vamos "quicar".Preciso dizer que estou sendo irônico?https://www.youtube.com/watch?v=X921KUZiR…

Bauman foi mais esperto (XV)

Tenho azar com as pequenas editoras que fazem parceria para publicação. Há algumas boas, mas não recomendo as que editaram meus dois livros.*Vi uma propaganda de uma ONG pedindo para apadrinhar crianças no Brasil que passam fome. Depois vi um post nas redes sociais dizendo que no Brasil não há mais fome. Em quem acreditar? Bom, é só dar uma volta nas periferias das médias e grandes cidades para saber.*Maior cantor de samba de todos os tempos? Tenho vários candidatos, um deles, Roberto Ribeiro (a propósito da infeliz frase de um certo pagodeiro num certo programa de TV).*Ed Motta, Ruth Rocha e agora o Ziraldo. Qual será o próximo a ser execrado só por ter uma opinião?*Esta frase me guia:“Todo el día deprimido, pero escribiendo y leyendo como una locomotora.” In.: Los dectetives salvajes, de Roberto Bolaño.*Ainda em fase de testes, mas já disponível para leitura, começo a "blogar" no site do Digestivo Cultural. Postando, por enquanto, textos que já foram publicados no meu blog…

Orson Welles, 100 anos

Capítulo das "tretas" literárias

O Humberto Werneck andou escrevendo esses dias no Estadão sobre alguns entreveros no nosso mundinho literário no Brasil.  Esta briga, que pode ser lida nas imagens acima, não foi mencionada, mas aparece no livro "As melhores entrevistas do Rascunho - vol.1", organização de Luís Henrique Pellanda e edição da Arquipélago. Foi lembrada a partir da entrevista do Nelson de Oliveira, que organizou a coletânea "Geração 90: manuscritos de computador".

Bauman foi mais esperto (XIV)

Às vezes me considero um gênio incompreendido. Outras vezes me considero um fracasso. Não sou nenhum nem outro.*Escrevemos sobre o que nos angustia. Por isso tenho muitas personagens que são escritores.*Afastando-me de qualquer opinião política para que minha atividade de leitor e escritor não sofra nenhuma influência.*
“Todo diario íntimo es un síntoma de debilidad de carácter, debilidad en la que nace y a la que a su vez fortifica. El diario se convierte así en el derivativo de una serie de frustraciones, que por el solo hecho de ser registradas parecen adquirir un signo positivo.” Julio Ramón Ribeyro