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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2016

Conto de Ribeiro Couto

O crime do estudante Batista

Aquela situação era aflitiva.O senador Messias de Freitas prometera-lhe um emprego no Ministério da Agricultura: entretanto, passara-se um ano e a promessa não fora cumprida. Florêncio Batista escrevera-lhe uma carta ansiosa, explicando que o pai estava doente, naturalmente não lhe poderia mandar mais a mesada e era necessário que o emprego viesse salvá-lo.A resposta fora uma decepção: "Não se apresse, menino. O Governo está tratando da reforma do Serviço de Povoamento e nessa ocasião v. verá o seu nome na lista dos nomeados. Não se dê ao trabalho de escrever-me, que eu estou atento. E seu pai, meu querido amigo de infância, como vai passando ultimamente?"Com essa resposta, Batista ficara impossibilitado de insistir. Tinha de esperar a reforma do Serviço de Povoamento. E o pobre do velho Batista, doente, que tirasse do sustento das irmãzinhas para fazer o filho bacharel.Todos os meses Batista recebia duzentos mil réis. Mas isso não chegava para na…

No Traçando Livros de hoje, "O som e a fúria", de William Faulkner

“Os relógios matam o tempo”
26 de julho de 2016O crítico recebe uma ligação do editor interino do caderno cultural para o qual colabora. Ele pede para adiantar para esta semana a resenha que seria para a outra. Atordoado pelas últimas leituras, o crítico, que é também escritor, despejava naquele momento na tela em branco do seu computador as palavras que estão formando seu próximo romance, ao mesmo tempo em que esboçava uma crônica para seu blog. Havia anotado no seu moleskine de pobre algo sobre o último livro lido, na verdade relido. Trata-se de O som e a fúria, de William Faulkner (Cosac Naify, 380 p., tradução de Paulo Henriques Britto), romance arrebatador, que mereceria realmente ser tema do Traçando Livros.22 de julho de 2016Um desavisado que começa a ler O som e a fúria tem vontade de desistir nas primeiras páginas. Linguagem difícil, enredo aparentemente confuso, saltos inesperados no tempo de uma linha para outra. O primeiro capítulo, intitulado “7 de abril de 1928”, é narrad…

Nova tradução de Schopenhauer

Rosana Jardim Candeloro, professora da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), traduziu seis ensaios deParerga e Paralipomena, do filósofo Arthur Schopenhauer.  A edição é bilíngue e tem a chancela da Editora Zouk, de Porto Alegre.
A Rô, como é carinhosamente chamada pelos amigos, sabendo do meu interesse pelo suicídio (por estudá-lo, que fique bem claro), me dedicou a tradução do ensaio sobre o tema.  O livro pode ser adquirido pelo site da editora: http://www.editorazouk.com.br/

Histórias ordinárias

Winesburg, Ohio, lançado em 1919, é o livro mais conhecido de um escritor que, pelo menos para nós, ainda é bem desconhecido, Sherwood Anderson (1876-1941). Em que pese não ter o mesmo sucesso de seus contemporâneos, ele os influenciou bastante, como atestou William Faulkner em uma de suas entrevistas. Mais tarde, Ray Bradbury afirmou, no seu livro de ensaios Zen e a arte da escrita, que se inspirou no livro de Anderson para escrever suas Crônicas marcianas. Temos aqui um conjunto de contos que poderia ser um romance cujo protagonista é a cidade de Winesburg e seus habitantes. George Willard, um jovem repórter do jornal local, é o personagem que aparece em todas as histórias, apenas citado ou diretamente envolvido. Aspirante e escritor, tudo nos leva a crer que é ele que escreve as histórias anos depois de sair da cidade, numa espécie de acerto de contas com seu passado.O primeiro conto, “Os relatos e as pessoas”, traz um episódio da vida de um velho escritor (os velhos são presença c…

Sobre a Escola Sem Partido no site Amálgama

http://www.revistaamalgama.com.br/07/2016/escola-partida-em-pedacos/
Na minha segunda colaboração com o site Amálgama, escrevo sobre o projeto Escola Sem Partido.

Minha coluna de hoje no Digestivo Cultural

Minha crônica na Gazeta do Sul de hoje

O leitor diante das lombadas dos livros

Passando os dedos pelas lombadas de suas estantes, o leitor se sente O exército de um homem só e As armas secretas são os livros que causaram A metamorfose em sua vida. Histórias extraordinárias que o fizeram refletir sobre A comédia humana, as Vidas secas, as Vidas sombrias, as Vidas amargas que percorrem uma Odisseia neste Vasto mundoAlém do bem e do mal.Visto como um Dom Casmurro por quem não entende seu modo de viver, ele percorre A biblioteca de Babel em miniatura que chama de A toca, sempre indeciso sobre que obra escolher. Quem sabe algo sobre Os miseráveis deste Admirável mundo novo,Pequenas criaturas que nutrem Grandes esperanças e saem à procura de Um lugar ao sol nesses Dias perdidos, lutando como Os três mosqueteiros ou Dom Quixote de la Mancha.Ou então talvez possa procurar algo para ler sobre O país do carnaval, também chamado de Brasil, o país do futuro, que vive De jogos e festas, com As meninas em seus Corpos divinos nas praias, que tem Ligações perigosas em Brasília,…

"A Bíblia do Che", de Miguel Sanches Neto, no Traçando Livros de hoje

Na minha coluna no jornal Gazeta do Sul de hoje, caderno Mix, escrevo sobre o mais recente romance de Miguel Sanches Neto.
Do idealismo à corrupção
Carlos Eduardo Pessoa é um dos meus personagens preferidos da literatura brasileira contemporânea. Narrador e protagonista do romance A primeira mulher, o professor criado pelo paranaense Miguel Sanches Neto é dono de uma frase que resume minha profissão: “O bom professor de literatura é antes de tudo um carregador de livros.” Posso não ser um bom professor, mas sempre estou com minha pasta forrada desses objetos subversivos.Pessoa volta à ativa em A Bíblia do Che (Companhia das Letras, 283 páginas), dez anos depois da última investigação em que se meteu. Morando em uma sala comercial, tentando se isolar o máximo possível de todo mundo, o antes mulherengo mestre deixou sua profissão e se abstém de encontros amorosos, porém não abandona os livros, que compra aos montes pela internet e depois doa para bibliotecas. Sua tranquilidade é quebrad…