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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2016

"Uma crônica paranoica" no jornal Gazeta do Sul de hoje

Uma crônica paranoica

Observe, caro leitor, este curto poema de Carlos Drummond de Andrade chamado “Cota zero”: “Stop./ A vida parou/ ou foi o automóvel?”. Minha interpretação dos versos sempre relaciona a vida ao homem e o automóvel à máquina. Se respondermos a pergunta dizendo que foi o homem que parou, podemos dizer que, em consequência disso, a máquina também vai parar, afinal somos nós que a ativamos. Por outro lado, parando a máquina, o homem também para, pois estamos nos tornando tão dependentes da tecnologia que não fazemos nada sem clicar botões. O resultado disso está no título do poema, pois a nossa cota de participação no mundo será zerada: já há máquinas que criam, acionam e fazem a manutenção de outras máquinas. Sobrará algo para nós?A ficção científica discute há muitos anos a questão. As histórias de robôs (e para mim toda máquina é um robô em potencial) ora os mostram como vilões, ora como aliados. Um conto de Harl Vincent, “Rex”, de 1934, época próxima do poema drummondiano, traz um autôm…

De certezas e não-certezas vamos vivendo

Gostaria de ter a certeza que muitas pessoas têm. Elas acreditam tão fielmente nas suas verdades e acham que os demais estão errados, são “massa de manobra”, “corrompidos pelo sistema”, “ovelhinhas do capitalismo”. Por incrível que pareça esses chavões ainda persistem. Eu próprio caí em muitos deles. E ouvi essas frases feitas por estes dias.Mas se duvidarmos das nossas certezas, veremos que não são apenas os outros a “massa de manobra”. Se alguém diz, por exemplo, que não devemos simplesmente aceitar a tal da PEC (qual o número dela agora?), pois estaríamos sendo manipulados, devemos nos perguntar se quando somos contra porque nos disseram que ela é ruim, não estaríamos servindo da mesma forma de fantoches de alguém. Vejam que coloco tudo no plural porque me incluo como um cara que acaba sendo dirigido, robotizado, pois desconheço o assunto, meus interesses são outros. Minha opinião acaba sendo pautada por terceiros, por isso não exponho para não passar vergonha depois. Ou seja, não …

Uma barata chamada Cichetto

Prefácio que escrevi para o livro que reúne as crônicas do Barata Cichetto. Para comprar o livro, entre em contato com o autor: barata.cichetto@gmail.com
Conheci o Barata Cichetto há pouco mais de cinco anos através de um de seus programas de web rádio. Depois de muita paulada sonora, rock de primeira, entrava uma voz cavernosa, com efeito de eco e ar messiânico lendo poesia! Estava diante de algo diferente, não me lembrava de ter ouvido algo parecido em um programa de rádio, mesmo na internet. Entrei em contato com ele, visitei seus blogues, e conheci o Barata cronista, além do poeta, contista, editor e mais das “trocentas” atividades que o cara faz há décadas. E, bem, ele tem como uma das referências o Franz Kafka. A confraria dos kafkianos é seleta.Reunir suas crônicas em um volume que “para de pé” é necessário (e mais um desafio de uma cara que sempre arrisca) para registrar suas opiniões contundentes, sua pena sarcástica, seu lado “lítero-rock-cronicamente-incorreto”. Ter a honra…

Sobre “Visión del ahogado”, de Juan José Millás

Visión del ahogado, de Juan José Millás, tem uma condução da narrativa que começa a surpreender logo nos primeiros capítulos. O foco, sempre em terceira pessoa, recai no primeiro capítulo sobre Jorge e pensamos que ele será, por conseguinte, o protagonista. Nos próximos capítulos, no entanto, o foco vai alternando entre os demais personagens. O ponto em comum entre todos é Luis, apelidado Vitaminas, de quem Jorge era amigo desde os tempos da universidade. Este agora está dormindo com a ex-esposa do outro, Julia, que tem uma filha com Luis, que por sua vez está sendo perseguido pela polícia nas ruas de Madrid devido a um assalto a uma farmácia, buscando remédios para sua febre (são os seus delírios que inspiram o título do livro). Uma testemunha que viu o fugitivo e faz a denúncia aos policiais, Jesús Villar, também foi colega dos outros dois, e sua esposa, Rosario, havia tido um caso com Vitaminas, sendo que ela era filha de um dono de uma farmácia... Paro de falar para não revelar al…

Mais um texto meu no Amálgama

No Traçando Livros de hoje, Alberto Manguel

Indo além do conhecido
O menino olhava para as prateleiras de um móvel antigo e via enfileirados os gibis que pertenciam a seu tio. Não os alcançava e, por isso, a curiosidade por conhecer o que havia neles só aumentava. Quando descobriu uma forma de pegá-los, arrastando uma cadeira para poder subir nela, finalmente teve acesso àquele mundo misterioso. Abriu uma das revistas e os desenhos dos super-heróis, que antes via apenas na televisão ou nos bonecos de brinquedo, estavam ali, para serem admirados em suas cores e traços. Porém, as letras e as palavras dos balões ainda eram outro mistério que precisava ser desvendado. A curiosidade de saber o que estava escrito o levou a aprender a ler sozinho. E assim passaram-se os anos e novas coisas que surgiam aumentavam sua vontade de saber mais, de ler mais, de ouvir mais, de ver mais.Semelhante ao menino (que por acaso era este que vos escreve), a existência de Alberto Manguel também foi e ainda é movida pela curiosidade. O escritor argentin…

Meu texto sobre o Enem na Gazeta do Sul de ontem

Um exame que precisa ser reexaminado

O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, pode estar com os dias contados, pelo menos nos moldes como está sendo aplicado. Particularmente, espero por isso, depois de um novo governo ter assumido o poder. O que era para ser apenas uma avaliação do nível de conhecimento dos alunos que saem da educação básica acabou, nos últimos 10 anos, “metamorfoseando-se num inseto monstruoso”, tal qual o personagem Gregor Samsa, da obra de Franz Kafka, virando um processo de seleção obrigatório e único para muitas universidades, com os alunos sendo chamados de candidatos, realizando provas com questões de cunho ideológico acentuado, conduzindo o estudante a pensar do mesmo modo que os membros do partido que estava no poder, ainda o responsável pelo exame deste ano.Uma abordagem rápida da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias nos mostra alguns caminhos estranhos que o ENEM vem percorrendo, e olha que vou deixar de lado o caráter ideologicamente tendencioso nessa minha síntese crítica. Foco na…

Meu primeiro texto no jornal há 20 anos

Acabei esquecendo (ah, memória!) de postar antes, mas foi no dia 26 de outubro de 1996, há 20 anos, que estreei em letra impressa, escrevendo minha primeira crônica, intitulada "Memorião". Tinha 17 anos de idade. Foi publicada no Riovale Jornal, mais precisamente no Caderno 2, editado na época pelo escritor e advogado Roni Ferreira Nunes, meu primeiro editor, portanto. Imaginem a minha felicidade ao ver meu nome impresso pela primeira vez.

Por que não gosto do Enem

Minha colaboração com o excelente site Amálgama continua com este texto sobre o ENEM:
http://www.revistaamalgama.com.br/11/2016/por-que-nao-gosto-do-enem/