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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2017

Meu livro já está à venda no site da Editora Penalux

Janelas indiscretas

O que faria hoje um sujeito com a perna imobilizada por conta de um acidente, tendo que ficar em casa, sem poder trabalhar? Acredito que ficaria no seu celular ou no computador acessando redes sociais na internet e também assistindo à TV. Poucas pessoas aproveitariam o tempo de molho para ler. No clássico filme de Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta, o fotógrafo Jeff fica observando as janelas dos fundos da casa de seus vizinhos, como se abrisse muitas páginas na tela do computador. Passam pelos seus olhos cenas do cotidiano desses personagens, que o permitem saber suas vidas, que eles não fazem questão de esconder, achando ou fingindo achar que suas janelas abertas não seriam bisbilhotadas por ninguém. Um casal de mais idade que dorme na sacada devido ao forte calor, demonstra felicidade com seu cachorrinho, porém, depois que ele é envenenado de forma misteriosa, grita para toda a vizinhança reclamando da falta de humanidade e companheirismo entre os vizinhos, como se tivesse escreve…

Primeira notícia sobre o meu próximo livro

Nota sobre o meu livro (que está sendo publicado pela Penalux) na coluna social do Ike, jornal Gazeta do Sul de hoje.

Louco, ma non troppo

Recebi pelo correio um manuscrito, com letra trêmula, porém legível, enviada pelo irmão do autor do texto. Este, segundo escreve o irmão, se suicidou há uma semana, não sem antes rasgar quase todos os seus cadernos. Deixou apenas essa folha intacta, porém não sabe o motivo. Decidiu me enviar, pois havia lido no jornal da cidade um artigo meu sobre a morte voluntária. Disse que poderia fazer o que bem entendesse com o manuscrito. Reproduzo aqui em homenagem ao suicida e ao escritor Jacques Fux, cuja obra é o mote do texto.Por que me prendo aqui? Prendo-me porque os outros não me querem solto, mas têm receio de me prender. Simples. Não, não é tão simples. Se me refugio na leitura e na escrita é porque no mundo dos livros eu encontro o meu lugar. Que são muitos, diga-se. É porque, da mesma forma, me identifico com as personagens. Que são muitas. Eu sou muitos. Aqui eu não incomodo os outros. Aliás, incomodo meus pais apenas para que comprem livros e não me deixem nunca sem lápis, borrach…

Em breve, lançamento do meu terceiro livro, "Cacos & outros pedaços", Editora Penalux

Uma orgia com Alberto Mussa

Júlio Nogueira saiu um pouco de sua reclusão, criou perfis em redes sociais e um blog para divulgar suas críticas, mas logo depois se recolheu novamente. Trocamos, porém, impressões de leitura por e-mails, tendo em vista que abriguei no meu blog algumas de suas críticas, sem contar que também esboçou a minha “biografia precoce não autorizada”, publicada no site Digestivo Cultural. De seu sítio no interior de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, me pergunta se já terminei de ler Os contos completos, de Alberto Mussa (Record, 398 páginas). “Terminei a leitura há pouco”, respondi. Prosseguindo o diálogo via internet, perguntou-me o que achei e respondi que gostei muito.“Pois olha, Cassionei”, ele escreveu, “sabes que os escritores brasileiros têm uma tendência a tratar somente do presente e, quando tocam no passado, não ultrapassam a barreira do século XX, com honrosas exceções, como a deste escritor. Quando leríamos algo sobre os índios brasileiros pré-Cabral ou relatos do tempo…

Um pouco de loucura faz bem

Assisti ontem a “Loki – Arnaldo Baptista”, documentário de 2008, sobre a vida e a obra do líder da banda “Os Mutantes”, uma das mais importantes do rock nacional. Um dos assuntos abordados foram os surtos de loucura do músico, provocados pelo uso de drogas, principalmente o LSD, que resultaram inclusive numa tentativa de suicídio. A loucura dos artistas é um tema que vem me atraindo. Tem, inclusive, um lugar importante no enredo do meu livro Os óculos de Paula, bem como em alguns dos meus contos. Tive, vale ressaltar, de assumir um papel de maluco para escrever e publicar essas obras, assim como tenho que ser louco para insistir nessa coisa de criar histórias.Talvez a música de maior sucesso de “Os Mutantes” seja a “Balada de um louco”. Os versos “Mas louco é quem me diz/E não é feliz” e “Eu juro que é melhor/Não ser o normal” estão no nosso imaginário cultural.  Ser louco é ser diferente, não atender aos padrões rígidos da sociedade que nos deixam infelizes. Ser louco é ser um indiví…

Meu texto "A era do literal" no Amálgama

Um belo rebento

Rebentar, primeiro romance de Rafael Gallo (Record, 328 páginas), tinha tudo, pela sua temática, para ser um romance piegas, sentimental demais, se tornar um best-seller e, por último, arrancar lágrimas na sua adaptação para o cinema. O autor, no entanto, optou por fazer literatura de verdade e, por conseguinte, não escolheu soluções fáceis ou um final previsível e mágico. É um romance que requer paciência e ao mesmo tempo uma imersão do leitor, caso queira desfrutar da arte literária.Ângela é uma professora que deixou a profissão para ser única e exclusivamente, durante mais de 30 anos, a mãe de uma criança desaparecida. O pequeno Felipe sumiu quando tinha 5 anos, em uma galeria de lojas e nunca mais foi encontrado. Ângela, porém, manteve durante décadas a esperança de encontrá-lo, ajudada por uma ONG, denomina “Mães em busca”, porém se frustra, junto com o marido, Otávio, depois de cada falsa pista, de cada falso Felipe que aparece em algum abrigo. Uma dor incomparável: “Um filho de…

Concerto em LAAB Maior

AllegroLuiz Antonio de Assis Brasil foi violoncelista. Trocou o arco pela pena. Não o fizesse, talvez não conhecêssemos o grande artista. Assis Brasil seria um bem sucedido, porém obscuro músico como Julius, o protagonista de seu novo romance, O inverno e depois (L&PM, 348 páginas), mais uma obra pensada, estudada, preparada e bem executada pelo composi, digo, escritor gaúcho.  Encontramos Julius esperando sua mala no aeroporto de Porto Alegre. Vindo de São Paulo, seu destino é a Estância Júpiter, onde nasceu, na fronteira com o Uruguai. Pretende estudar o Concerto em Si Menor, op. 104, de AntonínDvořák, cuja execução é uma ideia fixa (“Tocar Dvořák poderia dar um sentido a sua vida”). A mala contém partituras e diferentes gravações do concerto, mas acaba se extraviando. É o primeiro percalço da viagem.Adagio ma non troppoEnquanto isso, a narrativa volta no tempo e em diferentes espaços para elucidar, aos poucos, as escolhas de Julius. Somos conduzidos a São Paulo, onde ele vive a…