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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2017

Minha crônica na Gazeta do Sul de hoje.

“Decifra-me ou te devoro”

Em alguns momentos da minha vida eu vivia com a Bíblia debaixo do braço. Não ficava, porém, sempre com ela debaixo do braço. Eu também a lia. Lia, sublinhava, fazia anotações. E a questionava. Talvez a sua leitura a tenha me tornado um ateu, ou, como costumo dizer, voltado a ser ateu, afinal, nascemos sem crença alguma. É um livro repleto de contradições, mas não é o meu objetivo debatê-las agora.
Um dos métodos que seguia para ler a Bíblia era abrir aleatoriamente uma página, apontar com o dedo um trecho, de olhos fechados, e depois desfrutar dos versículos ao acaso. Achava que era alguma mensagem divina que recebia. Hoje utilizo a mesma estratégia com os livros do filósofo Friedrich Nietzsche.
Abro aleatoriamente uma página do livro Humano, demasiado humano II, em uma edição recente, de bolso, da Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza. No topo da página 117, um aforismo, de número 348, me chama a atenção:
Da terra dos canibais. – Na solidão o solitário devora a si mes…

Escrevo no site Amálgama uma crítica sobre romance de Antônio Xerxenesky

Minha coluna "Uma biblioteca na cabeça" no site Entre textos

Minha crônica no jornal Gazeta do Sul de hoje

Clique na imagem para ampliar. Também pode ser lido aqui: https://cassionei.blogspot.com.br/2017/02/super-herois-ou-viloes.html

A intrusa: um romance quase dispensável

Por compromisso profissional, li em pouco dias o romance A intrusa, de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), numa edição em PDF do site Domínio Público, do MEC. Além de ler a obra devido a sua inclusão na lista de leituras obrigatórias de um vestibular (em cima da hora, diga-se, com pouco tempo para os candidatos se prepararem), tinha curiosidade de conhecer a obra da escritora, tendo em vista elogios de críticos como Wilson Martins e Rodrigo Gurgel. A maioria dos estudiosos de literatura, porém, ignoraram sua existência. Ela não consta em livros essenciais da história da literatura brasileira. Ou seja, não está no cânone literário do nosso país.
Ao ler os dados biográficos de Júlia Lopes de Almeida, destaca-se o fato de ela ter sido uma intelectual influente no final do século XIX, tendo inclusive participado do grupo que discutiu a existência da Academia Brasileira de Letras. Não levou nenhuma cadeira, porém, pelo fato de decidirem seguir o modelo francês e fundar uma instituição exclu…

Minha resenha no Caderno de Sábado do Correio do Povo

Criar é transgredir
O artista é um transgressor por excelência, mesmo se não está transgredindo. O simples fato de não fazer nada pode ser uma transgressão. Se esperam algo dele e ele não o faz, está transgredindo. Penso nisso quando vejo uma patrulha que espera uma posição do artista em meio a questões políticas e ele se furta a participar, opinar. “Alienado!”, gritam os inquisidores das redes sociais. Ou “fascista!”, “comunista!”, “coxinha!”, “mortadela!”, se o seu silêncio for interpretado como adesão a um lado da peleia ou se ele muda de posição.
Paulo Ribeiro é um transgressor em vários sentidos. Sua obra é prova disso, bem como suas posições ideológicas declaradas. Recentemente, rompeu com o PT, do qual era filiado, em meio às reiteradas denúncias de corrupção. Decepcionou-se justamente porque não viu mais na sigla a transgressão que a firmava como o partido dos transgressores, muito menos dos trabalhadores. Os petistas traíram os transgressores (e os trabalhadores) ao se adaptar …