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A mostrar mensagens de Outubro, 2017

Resenha minha sobre romance de Santiago Nazarian no Amálgama

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A insustentável leveza de ler (porque gosto de fazer trocadilho com títulos, deu pra perceber?)

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Ler Milan Kundera é uma aventura estética, em que a escrita cuidadosa, numa mistura de ficção e ensaio, ao mesmo tempo que nos transporta para uma situação política complicada e descreve relacionamentos amorosos tão conturbados quanto à situação do seu país, também nos faz refletir sobre temas universais, tanto do mundo das artes quanto do mundo das pessoas.
Não sei por que razão ainda eu não havia lido A insustentável leveza do ser. Receio pela obra ter se tornado um best-seller? Talvez. Sua reedição pela Companhia das Letras, com tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca, em mais uma bela edição de capa dura, num projeto gráfico que dá uma cara particular para as publicações do autor por aqui, me fizeram preencher essa inexplicável lacuna.
“O acaso tem suas mágicas”, escreve o narrador. E pelas forças do acaso é que se cruzam os caminhos de quatro personagens: Tomas, Tereza, Sabina e Franz. O primeiro é médico e solteiro, mas que se relaciona com muitas mulheres. Ele e Sabina, u…

Meu artigo sobre censura nas artes publicado no jornal Gazeta do Sul

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Arte vista por todos os lados
Nas últimas semanas, a arte vem sendo debatida e valorizada nos meios de comunicação. SQN, como escrevem os jovens nas redes sociais. Na realidade, sob o manto da defesa da liberdade de expressão artística ou da moral e dos bons costumes se esconde uma polarização política que vem se acentuando depois das eleições de 2014. A arte ganha alguma coisa com isso? Arte não "tem que ser", ela simplesmente "é". Não tem que ser transgressora, não tem que ser do contra, não tem que respeitar a moral, não tem que limitar seus temas. A arte é um trabalho elaborado com as linguagens, sejam elas as palavras, a expressão corporal, o desenho, as cores, as imagens, as notas musicais, etc., com o intuito de despertar os sentidos do apreciador. É o que chamamos de "estética" (do grego "aisthesis", que significa "faculdade de sentir"), por isso a relação com a beleza, sendo que o belo não é necessariamente algo "bonito&quo…

Vamos falar sobre suicídio?: Crônicas e ensaios sobre a morte voluntária na literatura

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Publiquei na Amazon um e-book, em versão para Kindle, uma reunião de artigos, crônicas, resenhas ensaios em que aparece a questão do suicídio, sempre relacionado, como não poderia deixar de ser, à literatura. Os textos já foram publicados aqui, em sites e em jornais em que colaboro.
"Crônicas e ensaios que tratam sobre o suicídio, principalmente na literatura: sobre obras que tematizam a morte voluntária ou sobre artistas que decidiram tirar suas vidas. Falar sobre o assunto tão impactante é uma forma de prevenção e isso pode ser feito de uma forma até bem-humorada. Cassionei Niches Petry não se furta em abordar o tema em suas obras, tanto nestes textos, quanto nos livros de contos ("Arranhões e outras feridas" e "Cacos e outros pedaços") e no romance ("Os óculos de Paula") que publicou. Não deixar de refletir sobre o suicídio é uma forma de jamais cometê-lo."
Para ler não é necessário um Kindle. Basta baixar os aplicativos para PC, tablet ou celu…

Notas de Cassionei Petry, professor (a respeito de Sant'Anna)

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Sérgio Sant'Anna vem desde 1969, com O sobrevivente, realizando uma literatura de alto nível, sem deslizes, diferentemente de muitos autores de sua geração, que não conseguem manter a mesma pegada.Anjo noturno, recém lançado pela Companhia das Letras, traz um conjunto de narrativas (termo que ele prefere no lugar de contos) em que mais uma vez o diálogo com diferentes tipos de arte (pintura, artes plásticas, teatro, música e, por que não, a TV)dá unidade aos enredos, além do tom memorialístico. Em "Augusta", o primeiro conto, um professor universitário se aproxima de uma produtora musicalem uma festa no Rio de Janeiro. Vão depois para a casa dela, onde um quadro pintado pelo antigo morador que se suicidou (o suicídio é um tema recorrente na obra) atrai a atenção dele: "uma mulher nua retratada frontalmente, mas com as pernas fechadas, de maneira que o seu sexo não se exibe ostensiva ou vulgarmente". Na altura de um dos seios, uma perfuração feita com faca pelo a…

“Os relógios matam o tempo”

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O crítico Júlio Nogueira desejava escrever algo sobre O som e a fúria, de William Faulkner (Companhia das Letras, 376 páginas, tradução de Paulo Henriques Britto), para não deixar passar em branco a reedição de um dos seus romances preferidos. Para isso recorreu às anotações do seu “moleskine de pobre” sobre a última releitura do livro, bem como decidiu reescrever um texto seu já publicado na coluna que tinha num jornal da sua cidade. Como a coluna foi extinta, recorreu a este blogueiro que, com muita honra, cede o espaço ao mestre. 1. Um desavisado que começa a ler O som e a fúria tem vontade de desistir nas primeiras páginas. Linguagem difícil, enredo aparentemente confuso, saltos inesperados no tempo de uma linha para outra. O primeiro capítulo, intitulado “7 de abril de 1928”, é narrado por um deficiente mental, um homem de 33 anos e uma cabeça de 3 anos. O que lemos são os seus pensamentos, pois ele não fala, é a reprodução de tudo o que ouve e, principalmente, cheira, as sensações…