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A mostrar mensagens de Junho, 2010

Resenha sobre Sabato na Gazeta de hoje

“A descida ao eu”

Cassionei Niches Petry A frase que intitula esta resenha sintetiza o romance do século XX, segundo o escritor argentino Ernesto Sabato, que completou 99 anos no dia 24 de junho. A Argentina é um país que pode não ter o melhor futebol do mundo (apesar do título eminente), mas possui a melhor literatura, pelo menos na humilde opinião de quem escreve estas linhas, pois é o berço de Julio Cortázar, Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e tantos outros. Não estranhe, caro leitor, se em plena Copa do Mundo estou neste espaço elogiando “los hermanos”. Não podia, porém, deixar passar a oportunidade de escrever sobre um grande escritor e sobre um livro que me tirou algumas noites de sono. Sabato foi um grande físico, chegando a trabalhar no Laboratório Curie, em Paris. Nos anos 40, depois de questionar esse mundo tão racional – que lhe provocava, segundo suas palavras, “um vazio de sentido”–, abandonou a ciência para se dedicar à literatura e à pintura. Publicou livros de ensaios e romances, po…

Lançamento do livro do Leonardo Brasiliense

Sabato, 99 anos hoje

"Creio que a verdade é perfeita para a matemática, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança."

Meu texto sobre o Saramago na Gazeta de hoje

O texto que escrevi sobre o Saramago saiu na Gazeta do Sul de hoje, muito bem acompanhado pela ótima resenha do Luís Fernando Ferreira sobre o livro O sorriso do lagarto, de João Ubaldo Ribeiro.

Aqui em PDF.

Mais sobre o José

Tornou-se lugar-comum, nesses dias em que se comentou a morte de Saramago, frisar a todo o momento que:
1º) ele era comunista, como se fosse defeito;
2º) ele era ateu, como se fosse defeito;
3º) sua obra é interessante até “Ensaio sobre a cegueira”;
4º) Lobo Antunes era melhor do que ele;
5°) ele fez declarações que desagradaram os judeus;
6º) que ele chorou ao ver o filme do Fernando Meirelles;
7º) que a cegueira no mundo…, etc. Quase tudo que se leu sobre ele, inclusive de críticos literários, se referem mais ao intelectual do que ao escritor. A obra dele foi colocada em segundo plano.
1 – Apontar que Saramago nunca disse nada sobre as ditaduras comunistas é desconhecer algumas entrevistas em que afirmava que os regimes deturparam o pensamento marxista.
2 – A velha mania de impor suas crenças e condenar aquele que não concorda com ela. Afirmou-se até que D-us o receberia de braços abertos, perdoando-o. E sobre as declarações vindas do Vaticano, então?
3 – Não gostar das obras alegóricas…

Sugestão de leitura

Sabático especial, no Estadão de hoje, sobre Saramago.


Texto do Romar Beling, grande poeta e crítico literário de Santa Cruz do Sul, sobre A questão dos livros, de Robert Darnton, na Gazeta do Sul de hoje.

Saramago ou simplesmente José

por Cassionei Niches Petry
A morte não foi intermitente com José Saramago. Ela, a indesejada das gentes, que em um dos romances do escritor decidiu parar de agir, resolveu agora nos levar o gênio. Como ele mesmo escreveu uma vez, “somos uma pequena e trémula chama que a cada instante ameaça apagar-se”. A chama, ou o lança-chamas, apagou-se. Já disseram que o mundo ficou mais burro nesta sexta-feira. A cegueira vai continuar, a lucidez vai diminuir, vamos continuar presos na caverna.
As mentes pequenas, que não aceitavam um contestador como Saramago, hoje se regozijam. Livraram-se do incômodo. Será? Creio que não. Seus livros estão aí, cada vez mais se multiplicando, como a cegueira do seu romance adaptado para o cinema. Continuarão chegando a todos os continentes, tal qual a jangada de pedra que se desprendeu do continente europeu. Ele continuará incomodando por muito tempo ainda.
Saramago, um “ser amargo” para alguns, que não esquecerão O evangelho segundo Jesus Cristo, censurado pela…

Repostagem em homenagem a Saramago

Texto que escrevi para o jornal Gazeta do Sul, caderno Mix, publicado no dia 03 de fevereiro de 2006.

http://gazeta.via.com.br/arquivos/pdf/28168.pdf

Saramago e a morte
Viemos a este mundo para nascer, crescer e morrer, certo? Talvez. Talvez? Bom, eu nasci, você nasceu, eu cresci, você cresceu. Mas eu vou morrer? Você vai morrer? Já disseram que a única coisa certa na nossa vida é que vamos morrer. Certa por quê? Porque outros morreram? Agora porque os outros passaram dessa para melhor (?) eu tenho que ir também?

Bom, não estou velho e nem no fim da vida para me preocupar com isso, muito menos uma inquietação filosófica me faz escrever este texto. O tema vem à tona por causa do último romance de José Saramago (ou melhor, do mais recente, porque ele não vai morrer agora), As intermitências da morte (Companhia das Letras, 208p.). Imaginem, senhoras e senhores, se as pessoas deixassem de morrer. Quais as conseqüências? Imaginaram? Pois esse é o ponto de partida da história. Bem, mas o que vo…

Bloomsday

Sem tempo de escrever algo sobre o Bloomsday, sugiro esse post do Mundo Livro: aqui

Rubião na Gazeta de hoje

Minha resenha sobre a Obra completa, de Murilo Rubião, no jornal Gazeta de hoje:

A engenharia de Murilo Rubião Cassionei Niches Petry O oroboro é uma serpente mítica, ou um dragão, que morde sua própria cauda, formando, assim, um círculo. Não confundir com o cão que tenta morder comicamente seu próprio rabo. Aqui, a simbologia é a do eterno retorno, da circularidade do universo e da sua criação. O crítico Jorge Schwartz apontou esse mito como chave para a obra de Murilo Rubião. A julgar pela republicação de sua Obra completa (Companhia das Letras, 232 páginas), os mesmos 33 contos que ele vinha durante toda sua vida escrevendo e reescrevendo – e pela temática de boa parte deles – a analogia é mais do que justificada. Para nos guiar na leitura de alguns contos do escritor mineiro, usarei as letras da banda Engenheiros do Hawaii, cuja capa de um dos discos estampava a imagem do oroboro. Os versos de Humberto Gessinger servirão como epígrafes, assim como Rubião colocava frases bíblicas ant…

A engenharia de Murilo Rubião

Cassionei Niches Petry O oroboro é uma serpente mítica, ou um dragão, que morde sua própria cauda, formando, assim, um círculo. Não confundir com o cão que tenta morder comicamente seu próprio rabo. Aqui, a simbologia é a do eterno retorno, da circularidade do universo e da sua criação. O crítico Jorge Schwartz apontou esse mito como chave para a obra de Murilo Rubião. A julgar pela republicação de sua Obra completa (Companhia das Letras, 232 páginas), os mesmos 33 contos que ele vinha durante toda sua vida escrevendo e reescrevendo – e pela temática de boa parte deles – a analogia é mais do que justificada.Para nos guiar na leitura de alguns contos do escritor mineiro, usarei as letras da banda Engenheiros do Hawaii, cuja capa de um dos discos estampava a imagem do oroboro. Os versos de Humberto Gessinger servirão como epígrafes, assim como Rubião colocava frases bíblicas antes de seus textos.“Há tantos quadros na parede, há tantas formas de se ver o mesmo quadro” (Ninguém = ninguém)M…