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A mostrar mensagens de Março, 2017

Com a espada no pescoço

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Sherazade precisava contar histórias todos os dias, caso contrário seria morta pelo marido em As mil e uma noites. O paranaense Marcio Renato dos Santos parece ter a mesma sina, pois está publicando novas coletâneas de contos a cada ano. A alusão é inevitável, tendo em vista que o título de seu novo livro dialoga com o clássico árabe, que por sua vez empresta um trecho para a epígrafe da obra. Outras dezessete noites, lançado pela Tulipas Negras, de Curitiba, tem 120 páginas e é o 6º livro do autor. Diferentemente das outras coletâneas de Marcio Renato dos Santos, há pouca experimentação de linguagem nessa. A preocupação agora é realmente contar histórias que nos envolvam, no seduzam, nos prendam na leitura, apesar da curta extensão dos contos. Há personagens que são retomados na história seguinte, algumas vezes narrando sob outro ponto de vista os fatos, como o empresário japonês que assiste ao show de uma banda favorita em um bar, no conto “O voo de Ryouji”, e que depois aparece em “…

Bolaño para iniciados

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Mais um texto meu lá na Revista Amálgama. Dessa vez, escrevi sobre mais um livro do baú de Roberto Bolaño: https://www.revistaamalgama.com.br/03/2017/resenha-o-espirito-da-ficcao-cientifica-roberto-bolano/.

O ventre, de Cony, e o suicídio assistido

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Nascidos do mesmo ventre, um é mais estudioso, calado, comportado, enquanto o outro vai mal nos estudos e tem um comportamento inadequado de acordo com as normas paternas. Por isso é este é desprezado pela família, uma ovelha negra. Ele mesmo narra sua nada agradável situação. O amor não correspondido, o amigo que era o exemplo de safadezas e deixa de sê-lo, o irmão protegido pelos pais, o horrível internato. José Severo, o protagonista de O ventre (Editora Nova Fronteira, 208 páginas, também disponível em e-book) é um anti-herói à moda de Macunaíma, feio, desengonçado, alto e narigudo, pouco inteligente, mas esperto para certas coisas (com muitos zeros no boletim, mas “um seis em composição”). Carlos Heitor Cony estreou com esse romance em 1959. E estreou muito bem. O ventre aqui não é só o útero que gera a vida, mas também o abdome da vizinha do colégio pelo qual a mão do jovem passa até chegar aos pelos pubianos. O ventre que degenera. Apesar das brincadeiras com Helena no porão de …

"Cacos e outros pedaços" no Caderno de Sábado do Correio do Povo

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O lançamento do meu livro na semana passada teve divulgação no Caderno de Sábado do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre.

Resenhas sobre obras de Machado de Assis - I

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“Rabugens de pessimismo”
Apesar de assinar sempre como escritor os textos que publico no jornal ou na internet, não é essa a função que sustenta a minha família. Sou o claro exemplo do escriba amador, no sentido de não receber e também no de amar o que faz, sem esperar receber por isso. Acabei escolhendo como atividade profissional a de professor, principalmente de Literatura, para poder me manter e, ainda assim, continuar falando e escrevendo sobre livros. É essa profissão que me dá a satisfação de, quase todos os anos, ler e reler, quando a memória começa a falhar (e ela sempre falha), obras literárias fundamentais. Entre elas está Memórias póstumas de Brás Cubas, do maior escritor brasileiro, Machado de Assis, publicada em 1881. Reli a obra em uma edição recente da Penguim/Companhia das Letras, com prefácio de Hélio de Seixas Guimarães e estabelecimento de texto e notas de Marta de Senna e Marcelo Diego. Edição caprichada, portanto, apesar da capa sem graça. Brás Cubas, que narra sua…

Hoje é o lançamento de "Cacos e outros pedaços"

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Primeira resenha sobre "Cacos e outros pedaços"

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Resenha de Romar Beling na Gazeta do Sul, mais precisamente no Caderno Mix, sobre o meu livro de contos “Cacos e outros pedaços” (Editora Penalux). Apenas uma correção na matéria: o livro custa R$ 34,00.


"Somos filhos de Machado de Assis"

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Quem é mesmo massa de manobra?

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