sábado, agosto 29, 2015

Trilogia de um texto só


Sou um homem das letras, das palavras, das frases, dos parágrafos, do texto. Os números não são minha praia. O máximo das aulas de matemática de que me lembro é que 2 + 2 = 5 (ou foi a literatura que me ensinou isso?).
Mas há alguns números que me perseguem e eu os persigo vez ou outra. Que o digam os pobres dos alunos, que aguentam as filosofices deste medíocre professor quando escreve a data no quadro. Um destes números é o 33, o número do suicídio. Quem leu o meu romance, Os óculos de Paula, entenderá, assim como quem acompanha há mais de 3 anos o meu blog (clique no marcador 33 ali ao lado e verá).
“O que faço com estes números?”, canta o engenheiro das palavras Humberto Gessinger. Vinha ouvindo esta música há pouco no meu golzinho usado, cuja primeira dona morava numa casa de número 333. Dois versos da canção dizem: “Aos 33 Jesus na cruz/Cabral no mar aos 33”. Gessinger é um obcecado pelo número 3. Já escrevi sobre seu livro Pra ser sincero: 123 variações sobre um mesmo tema e a relação do músico com o número. Reproduzo aqui o que escrevi na época do lançamento:
“HG nasceu em 1963. A banda teve em sua formação original 3 membros: Gessinger, Carlos Maltz e Marcelo Pitz. O primeiro show foi num dia 11/ 1 (somando, dá o número 3). Já no primeiro LP, o número aparece nos versos da música “Longe demais das capitais”, que dá nome ao disco: “O 3º sexo, a 3ª guerra, o 3º mundo”. Mais adiante, Augusto Licks entra no lugar de Pitz, completando aquela que seria a formação mais importante da banda. No segundo LP, o número está presente nos versos de “Revolta dos Dândis II”: Esquerda e direita, direitos e deveres,/ os 3 patetas, os 3 poderes”. Inspirados em outro “power trio”, os canadenses do Rush, os Engenheiros estabeleceram que depois de 3 discos, iriam gravar sempre um outro ao vivo, plano que eles cumpriram até o final dos anos 90. Também criaram várias trilogias de seus discos, uma delas é a trilogia da bandeira tricolor do Rio Grande do Sul, formada pelos álbuns “A revolta...”, “Ouça o que eu digo...” e “Várias Variáveis”, cada um com uma das 3 cores da bandeira gaúcha na capa. Quando resolveu realizar um trabalho solo, HG juntou mais dois músicos e formou o Humberto Gessinger Trio. Poderíamos citar mais músicas ainda (“3ª do plural”, “3X4”, “3 minutos”, etc.)...”
Também ando relendo A divina comédia, de Dante, cujas 3 partes contém 33 cantos (o “Inferno”, na verdade, tem 34, mas o primeiro é um prólogo). O poema é composto por estrofes de três versos, tem 3 personagens principais (o próprio Dante, o poeta latino Virgílio e Beatriz), o Inferno é descrito como um lugar que tem 9 círculos (3X3), alguns divididos em outras 3 partes. Habita o 3° círculo o Cérbero, mitológico cão com 3 cabeças. No 9º círculo, os 3 maiores traidores da História, segundo Dante, Judas Iscariotes, Brutus e Cassius (opa!), são devorados por Lúcifer. O purgatório e o paraíso aparecem também com 9 círculos cada um, perfazendo um total de 27, ou seja 3³. Há mais referências ao 3, sendo que a principal é a Santíssima Trindade da Igreja Católica.
Completei neste mês augusto 36 anos de idade (3+3+3+3+3+3+3+3+3+3+3+3). Já passei do “meio do caminho desta vida”, que é 35 anos no poema dantesco. Há 3 anos eu estava nos 33, como já disse, idade do suicídio. Não gosto de números, mas, como disse Pitágoras, eles governam o mundo. Curvo-me a eles, então.

(Coincidência, ou não, enquanto termino estas linhas, na MEC FM começam os primeiros acordes da Sinfonia nº 9, opus 33, de Glazunov. Sem mais para o momento.)

segunda-feira, agosto 24, 2015

A pequena grande obra de Josefina Vicens


Josefina Vicens (1915-1988), assim como seu conterrâneo Juan Rulfo, publicou  apenas dois livros. O suficiente, porém, para fazer dela um grande nome da literatura mexicana, apesar de se notabilizar muito mais pelo trabalho jornalístico (assinando, com pseudônimos masculinos, crônicas sobre touradas) e pelos roteiros de cinema. Mesmo assim, não alcançou o reconhecimento obtido pelo autor de Pedro Páramo e El llano en llamas, por isso não temos traduções da sua obra por estas bandas.
Conheci a escritora pelo seu segundo romance, Los años falsos, de 1982, uma curta narrativa daquelas que te agarram já no primeiro parágrafo, numa construção que leva a pensar que o narrador é um defunto, tal qual Brás Cubas, contando a visita de sua família, ele junto, ao seu próprio túmulo. “Todos viemos me ver” é a primeira frase, numa tentativa de tradução minha. Na verdade, é seu pai que está ali enterrado, personagem em quem se espelha e passa a seguir todos os passos que teve em vida, como se tivesse tomando o seu lugar, de chefe de família (composta agora, além dele, somente por mulheres: a mãe e as irmãs gêmeas), de amigo de bar, ajudante de deputado e, por fim, na cama da amante. Todo o enredo é contado pelo personagem falando com o pai à beira do túmulo, ora usando a 1ª pessoa do singular, ora a 1ª do plural, numa tensão crescente, indo da identificação incondicional até chegar à repulsa à figura paterna por lhe ter provocado a perda da identidade.
Vinte e quatro anos antes, em 1958, seu primeiro romance vinha a público, El libro vacío. Interessei-me por esse livro porque tem como narrador e protagonista um escritor, José García, um dos tantos que querem escrever, mas não conseguem, porém enchem cadernos e mais cadernos com reflexões sobre os seus fracassos, na literatura e na própria vida. Somos todos José García, um funcionário de escritório de contabilidade que sente necessidade de escrever, mas não consegue. “Comprei dois cadernos. Assim não poderei terminar nunca. Insisto em escrever neste o que depois, se considero que possa interessar, passarei ao número dois, já selecionado e definitivo. Mas a verdade é que o caderno número dois está vazio e este quase cheio de coisas imprestáveis.” (Mais uma tentativa de tradução minha.)
Seria mais fácil não escrever, diz García, mas ainda assim continua escrevendo, falando sobre a mulher, compreensiva ao extremo e suporte da casa; sobre seus filhos, que não terão a oportunidade de ver seu pai como grande escritor; sobre os colegas de trabalho; sobre uma amante que aparece pelo caminho; sobre a própria escrita, que não anda. (“Sempre o que me afeta, o que me importa. Sempre o mesmo, como um ruminante. Creio que precisamente por isso não pude começar livro”) Os anos passam, o caderno vazio permanece vazio. O primeiro caderno, porém, vai sendo preenchido, páginas e páginas falando sobre a sua própria vida, sobre a qual não queria escrever, “só para dizer que meu mundo é reduzido, plano e cinza; que jamais me aconteceu nada de importante; que minha mediocridade é evidente e total”.

Numa entrevista, Josefina Vicens disse que “escrever é entrar no inferno branco” e que El libro vacío é autobiográfico. A necessidade de escrever, impossibilidade de escrever, o que escrever, se o que se escreve vai servir para alguma coisa, o não escrever, se vão ler o que o escritor escreveu, enfim. O escritor preenche vazios, mas não consegue preencher o seu vazio. Ou, como escreve José García no seu caderno, “esse vazio está cheio de mim mesmo”.

sexta-feira, agosto 21, 2015

O poder e a vaidade

Há quem diga que conhecemos a pessoa quando damos poder a ela. Não é o poder que a corrompe, no entanto, e sim a posição em que ela se encontra que vai revelar quem realmente é. Um síndico eleito pelos seus vizinhos pode mostrar-se o ser humano mais desprezível. O diretor da escola, por sua vez, vira um ditador. O funcionário promovido a gerente transforma-se no carrasco. Já o político, antes adorado, passa a ser odiado (apesar de a cegueira partidária ou as benesses particulares que ele proporciona a seu eleitorado ainda lhe renderem uma boa porcentagem de aprovação).
Alguns lutam para obter o poder, às vezes gastam uma enormidade de dinheiro para chegar a um cargo e depois continua investindo para se manter lá em cima. Para essas pessoas, não é apenas o salário elevado o objetivo maior: importa, da mesma forma, a sensação de mandar, decidir, ter o controle dos demais, manter um status, ser conhecido, respeitado, ter o seu nome lembrado em uma lei ou obra realizada. A vaidade, enfim.
Ah, a vaidade humana! Juan Pablo Castel, protagonista do romance “O túnel”, do escritor argentino Ernesto Sabato, diz, aqui na tradução de Sérgio Molina, que “a vaidade se encontra nos lugares menos esperados: ao lado da bondade, da abnegação, da generosidade!” Por isso desconfio de gestos de caridade desprovidos de qualquer vaidade. Dia desses, depois de anos afastado, visitei uma igreja por ocasião de um batismo de meu sobrinho e deparei-me com as bonitas portas da pequena edificação religiosa. Acima delas, havia estampados, em letras garrafais, os nomes dos doadores, aqueles que se desprenderam do seu dinheiro para poder ver bonita a casa de sua divindade. Então, por que os nomes? O mesmo se pode dizer do político que participou da construção de um posto de saúde, pensando no bem da comunidade, mas que gostaria de ter visto o seu nome gravado em uma placa. Já não basta receber um belo salário para cumprir com suas obrigações?
Ingênuo sou, é verdade, mas também vaidoso (não no sentido estético do termo), por isso entendo quem age dessa forma. Não ganho nada para escrever artigos  de opinião e crônicas. Além de gostar de escrever, move-me a vontade de ser lido, comentado, elogiado, receber um “curtir” ou ser “retuitado” nas redes sociais. A vaidade move o ser humano, para o bem ou para o mal, mais do que o dinheiro, que pode ser uma consequência dela. É o mesmo Juan Pablo Castel, aliás, quem vai dizer: “Da vaidade não digo nada: creio que ninguém está desprovido desse notável motor do Progresso Humano. Fazem-me rir esses senhores que falam da modéstia de Einstein ou de gente da laia; resposta: é fácil ser modesto quando se é célebre; quer dizer, parecer modesto.”
Comecei a falar do poder e passei para a vaidade, esse, veja bem, “motor do Progresso Humano”! Volto ao poder para dizer aos poderosos que nos governam: sejam vaidosos. Queiram ser lembrados por realizar coisas úteis para a população. Não meçam esforços para aparecerem, mas façam por merecer. Usem o poder não só para sua vaidade, mas também o empreguem para o bem comum.



quinta-feira, agosto 20, 2015

terça-feira, agosto 18, 2015

Mais um Philip Roth na conta


Sigo lendo e relendo a obra de Philip Roth, paralelamente ao livro Roth libertado: o escritor e seus livros, de Claudia Pierpont, publicado pela Companhia das Letras. A última leitura foi de uma obra ainda não publicada no Brasil, “The facts: A novelist's autobiography”, de 1988, que pretende ser uma autobiografia, porém não passa de outra peça literária do autor de Complexo de Portnoy.
Com intuito de desvendar o que verdadeiramente estava por trás de suas primeiras narrativas, Roth conta fatos de sua vida desde a infância, passando pela universidade e depois a publicação e repercussão de suas primeiras obras. Ora, para quem leu seus primeiros livros, os fatos são facilmente identificados, como por exemplo, a trapaça que sua ex-esposa lhe fez ao fingir que estava grávida, artimanha utilizada por uma personagem em As melhores intenções. Mas também prova, ou tenta provar, que seus pais não foram contra a publicação de seus primeiros contos, geradores de uma perseguição da comunidade judaica, que o julgava antissemita.
Nathan Zuckerman, seu alter ego, aparece nesse livro, só que agora como interlocutor do próprio Roth, que lhe envia o manuscrito para que lesse e avaliasse. Numa carta ao final, que salva a obra, diga-se de passagem, Nathan Zuckerman sugere ao seu criador que não publique o manuscrito: “é muito melhor escrever sobre mim do que informar ‘escrupulosamente’ sobre sua própria obra.” Curiosamente esta obra nunca é mencionada no ciclo de romances em que aparece esse personagem, autor de Carnovski.
Zuckerman conta ainda na carta como está seu relacionamento com a esposa, Maria, depois do que foi narrado em O avesso da vida, sendo que ela também é personagem deste romance e lê o manuscrito de Roth, opinando sobre ele. Ela aparece em “The facts” na figura de May que, por sua vez, refere-se a uma mulher com quem Roth teve um caso na vida “real”.

“Que relação existe entre esta ficção e tua realidade presente?”, pergunta Nathan na carta. Roth não responde.

sábado, agosto 15, 2015

Durma-se com um barulho desses

(Mais uma participação do crítico e ex-professor Júlio Nogueira aqui no blog.)

Aqui na chácara, tudo tranquilo. Na última madrugada, um grilo deu o ar de sua desgraça, mas foi só. Ouço apenas o som do vento nas árvores, do canto dos pássaros e o da cozinha, pois minha mulher prepara o almoço. Por que não o faço eu, para agradá-la? Porque minha cozinha é outra, meu banquete não é comestível.
Hoje dispenso até a música clássica. Beethoven está mudo, em vez de surdo. Os instrumentos não falam por ele. Talvez o “4’33”, do Cage, fosse uma boa pedida.
Li alguma coisa de literatura contemporânea para ver se despertava algo para escrever. Nem para criticar estão servindo as últimas leituras. Já abandonei o último livro do Ricardo Lísias, um bom romancista, cujos contos isolados até são bons também, mas no conjunto se tornaram intragáveis pela repetição de temas e de personagens com o mesmo nome do autor. As descrições das partidas de xadrez são mais chatas do que o próprio jogo. Tchau, “Concentração”.
As redes sociais me apresentaram ao poeta e contista Diego Moraes. Gostei muito de alguns poemas e, principalmente, dos aforismos. É um bom frasista. Quando li um conto dele, porém, me decepcionei, pois a todo o momento tenta inserir uma dessas frases de impacto com uma reiteração de comparações no lugar de metáforas. Fiquei tão irritado como o Mirisola quando recebe críticas. Aliás, gostaria de ler o último livro do autor de “O herói devolvido”. Providencia um exemplar, minha filha.

Prometi escrever um texto ameno e acho que estou cumprindo minha promessa, por isso não vou escrever sobre a farofada que são os livros do Gregório Duvivier, cujos pontos nem ele consegue ligar. Tampouco vou falar sobre a Fernanda Torres, que como escritora é uma grande filha da Fernanda Montenegro. É o fim da picada essa moça (ops!) já ser alçada como grande nome da literatura ao lado de outros consagrados. Calma, muita calma. Também não vou falar do irmão do Julinho da Adelaide, nem vou ouvir sua música, pois eu quero silêncio. E o strogonoff preparado pela minha eterna namorada.

quarta-feira, agosto 12, 2015

Richard Dawkins no Traçando Livros de hoje

Memórias de um ateu ainda não militante


“Sempre me interessei pelas questões profundas da existência, as questões a que a religião aspira a responder (e não consegue), mas tenho a sorte de viver num período em que essas questões ganham respostas científicas em vez de sobrenaturais.” Richard Dawkins
Livro mais recente do britânico Richard Dawkins, Fome de saber – a formação de um cientista (Companhia das Letras, 364 págs., tradução de Érico Assis) traz as memórias das quatro primeiras décadas de vida e trabalho daquele que coleciona legiões de detratores no mundo todo. É autor de Deus, um delírio, publicado em 2006, uma das mais contundentes obras contra a figura da divindade de várias crenças e realiza palestras e documentários no mundo todo na tentativa de destruir essa ilusão coletiva ao afirmar que o mundo estaria muito melhor se não houvesse religiões, como imaginava John Lennon.
Pelo menos neste primeiro volume de suas memórias, as críticas às religiões não são tão fortes, mesmo assim, entretanto, são mostrados os motivos de ele ter se tornado ateu. Antes, no entanto, retrata seus pais, avós e tios, uma família de cientistas, pessoas inquietas e curiosas de quem Dawkins herdou os genes, nesse caso não egoístas, só para ficarmos no termo que irá marcar sua trajetória acadêmica. Relata, ainda, a partir principalmente das pesquisas que fez nos diários e ilustrações de sua mãe, a infância que passou em alguns países da África, continente onde nasceu em 1941, mais precisamente no Quênia, já que seu pai assumira o posto de oficial agrônomo do serviço colonial britânico. São belas páginas com descrições da natureza africana.
Sua formação foi religiosa e era um menino crédulo, sendo que algumas histórias da infância, segundo ele, revelam “uma triste ausência de qualquer coisa remotamente parecida com pensamento crítico ou cético.” Na adolescência, ao fazer a crisma, chegou ao ápice da sua religiosidade: “Todo carolinha, censurava minha mãe por não frequentar a igreja.” Seus pais, diga-se, sempre lhe explicavam os mistérios do mundo a partir de respostas científicas, apesar de não serem necessariamente descrentes. Foi somente no colégio secundário, ao conhecer a fundo a teoria de Charles Darwin, que Dawkins passou a ser antirreligioso, recusando-se, junto com dois amigos, a se ajoelhar nos cultos da capela, “desafiadores como altivas ilhas vulcânicas no meio de um mar de cabeças abaixadas e murmurantes”.
A narrativa sobre a sua permanência na Universidade de Oxford, no Balliol College, também é interessante. Todos os rituais de entrada, as metodologias de ensino através de tutores e o contato com professores importantes, alguns futuros ganhadores do Prêmio Nobel, construíram a figura do cientista (“... se há algo que me fez ser quem sou, esse algo foi Oxford.”). Mais adiante, no entanto, as páginas sobre o já formado zoólogo e professor universitário, resultam numa leitura maçante para quem não é acostumado com os jargões científicos. São descrições pormenorizadas das pesquisas de Dawkins como etólogo, especialista em comportamento animal, bem como seus estudos de programação de computador, no início dessa tecnologia.
O livro se recupera ao falar sobre o processo de criação do primeiro best seller de Dawkins, O gene egoísta, publicado em 1976, aos 35 anos, e para por aí. A continuação das memórias, abarcando o período em que escreveu a maioria dos seus livros, está prevista para ser lançada ainda este ano no Reino Unido.

sábado, agosto 08, 2015

Kafka e seu pai

Meu texto sobre o Dia dos Pais, na Gazeta do Sul, sobre um dos piores pais da história, mas que inspirou as obras literárias do Franz Kafka.

segunda-feira, agosto 03, 2015

"Quando Bolaño apareceu no meu quarto..."


Meu conto "Quando Bolaño apareceu no meu quarto..." está disponível para baixar de graça, promoção que vai até quinta-feira. O conto concorre ao prêmio do caderno Prosa, de O Globo, em parceria com a Amazon Kindle Direct Publishing​, portanto seria legal se meus poucos mas qualificados leitores comentassem e avaliassem a obra na página: