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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2017

Escrevi na Amálgama sobre "Histórias extraordinárias", de Edgar Allan Poe

Meu conto de Natal preferido

Podemos elencar muitos textos literários que tenham o Natal como tema. “Missa do Galo”, de Machado de Assis, por exemplo, ou “Natal na barca”, de Lygia Fagundes Telles. Na literatura universal, o grande clássico é “Um conto de Natal”, de Charles Dickens.
O meu preferido é um conto não muito conhecido, de autoria de Luiz Vilela, intitulado tão somente “Feliz Natal”, publicado em 1978 no volume de contos Lindas pernas, Livraria Cultura Editora.
Nele, o narrador acompanha os passos do solitário protagonista, Ranulfo, durante a noite natalina. Ao contrário, porém, do que se possa imaginar, ele não está triste por ficar sozinho. Bem pelo contrário: ele foge de qualquer encontro com alguns conhecidos. E ele os tinha. E muitos.

Disfarçado, com um penteado diferente, barba crescida, roupa que não usava há tempos e óculos escuros, sai para comprar algo e cumprir um plano: “assim como Cristo nascia àquela noite, ele decidira renascer como outro homem (...)”. Faz de tudo para não ser visto, inclusi…

Imortal da Academia de Letras

(Foto: Maria Regina Eichenberg/Rádio Gazeta AM)



Imortal da Academia de Letras, pelo menos da Santa-cruzense. Tive a honra ontem de tomar posse e ser um dos fundadores, além de fazer parte da primeira diretoria. O time (escolhido com critérios determinados na lei que criou a Academia) é de peso e com muita experiência, inclusive sou o caçula. A nominata completa pode ser lida no link:  http://gaz.com.br/conteudos/variedades/2017/12/21/109896-municipio_ganha_academia_santa_cruzense_de_letras.html.php

Sobre “Amortalha”, de Matheus Arcaro

Gosto de contos concisos, daqueles que mais sugerem do que revelam. Faz-se necessário diferenciar o conto conciso do apressado. O primeiro apresenta todos os elementos da narrativa e conseguem manter, mesmo em poucas páginas, a tensão. Não sobra nada, mas também não falta. O segundo tipo pode até apresentar todos os elementos (muitas vezes não), mas falha na tensão, não provoca o clímax, sobra e falta muita coisa. Rubem Fonseca é mestre no conto conciso (vide “Passeio noturno”), porém nos últimos livros, vem nos apresentando contos apressados.
Matheus Arcaro demonstrou domínio do conto conciso no seu primeiro livro, Violeta velha e outras flores, de 2014, que já resenhei por aqui. Depois de uma experiência insatisfatória na narrativa longa em O lado imóvel do tempo, romance sobre o qual também resenhei por aqui, volta a acertar o alvo em Amortalha, livro de contos publicado, assim como as outras obras, pela brava Editora Patuá.
Como o título indica, as narrativas tratam de amor e morte.…

Minha resenha na Amálgama sobre "O cânone americano", do Harold Bloom

Minha resenha na Amálgama sobre "O cânone americano", do Harold Bloom (Ed. Objetiva, selo da Companhia das Letras, tradução de Denise Bottmann): https://www.revistaamalgama.com.br/12/2017/resenha-o-canone-americano-harold-bloom/

Minha crônica na Gazeta do Sul de hoje

Um cheiro estranho no ar “Aquelas pessoas estavam apodrecendo e não sabiam.” Assim termina uma crônica de Nelson Rodrigues em O reacionário – memórias e confissões. Curioso é que muita gente considera a palavra reacionário um xingamento e ao mesmo tempo enaltece a obra do escritor. Pinçam algumas frases que, mal sabem, atingem a eles e acham que estão “lacrando”, como dizem.
A frase acima encerrava uma crônica de 1970 em que um velho comunista, numa reunião de intelectuais (“Preliminarmente, devo confessar meu horror ao intelectuais, ou melhor dizendo, a quase todos os intelectuais”, escreve Nelson), afirmou ser inevitável o assassinato em nome da ideologia. Nelson, então, contestou: “Se você acha inevitável um assassinato de um inocente, também é um assassino”.
Não é diferente do que vemos hoje, quando se defende bandidos em nome de um partido, de uma ideologia, ou apenas por não dar o braço a torcer e dizer que errou. Direita e esquerda pregam aos convertidos que, em bando, em manada,…

Notas de leitura sobre “Siete casas vacías”, de Samanta Schweblin

Para Gaston Bachelard a casa representa o ser em seu interior, cada cômodo e andar simbolizando os estados da alma. O filósofo também atribui à casa o símbolo feminino de proteção, refúgio. Para mim foi inevitável ler os contos de Samanta Schweblin reunidos em Siete casas vacías (Editorial Páginas de Espuma, 123 páginas, ainda sem tradução por aqui. Se alguma editora se interessar, me habilito para a empreitada) sem pensar nessas representações. Almas vazias, mulheres desprotegidas e em busca de proteção.
Também me provocou a escolha do número sete. Por que este número? O livro originalmente se chamava “Las casas vacías”, contando com seis narrativas ganhadoras de um concurso. Posteriormente foi acrescentado outro conto, “Un hombre sin suerte”, que destoa (aparentemente como vamos ver mais adiante) dos demais. Por acaso (ou nada é por acaso?), chegou aqui na toca há pouco tempo o “Dicionário de símbolos”, de Jean Chevalier e Alan Gheerbrant, que reserva boas páginas para o verbete sobr…

Quando se perde um membro

Leonardo Brasiliense reforça intencionalmente alguns clichês sobre famílias disfuncionais em seu segundo romance, Roupas sujas (Companhia das Letras, 177 páginas): a primogênita que vê a irmã mais nova se casar primeiro e além disso precisa assumir o papel materno já que a mãe morreu, os gêmeos que disputam a mesma mulher, um pai autoritário e beberrão, que também tem uma rixa com um vizinho por causa de limites de propriedade, terminando de forma trágica, a irmã boazinha e o irmão que a tudo observa, analisa e depois transforma em um romance.
O que poderia ser um problema, nas mãos de um bom escritor como Leonardo Brasiliense se percebe que é uma estratégia e não deixa de ser um resgate de um tipo de narrativa que pouco se faz hoje em dia, um relato de uma família do interior com todos os códigos patriarcais bem delineados e as funções de cada membro estabelecidas e que são devidamente trocadas quando um membro falta. Não por acaso cada um dos gêmeos perde uma parte do corpo (um a ore…