Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2012

É o que penso sobre o conto também

“A ‘velocidade’, ao contrário do que se acredita por aí, não é ‘superficialidade’. Não é mesmo. Velocidade é precisão. E é sutileza. Mas, acima de tudo, é retirar metade da história do papel impresso e colocá-la na cabeça do leitor.” (Samanta Schweblin, escritora argentina, no Sabático do Estadão de hoje.)

Algumas fotos de "Los autonautas de la cosmopista", de Cortázar e Dunlop

33

Los autonautas de la cosmopista, livro de Julio Cortázar e sua mulher Carol Dunlop, em que são narrados os 33 dias de viagem que o casal fez entre Paris e Marselha numa velha kombi.

Marcelo Moutinho no Traçando Livros de hoje

A coluna de hoje, no jornal Gazeta do Sul, caderno Mix, é sobre o novo livro de contos do escritor carioca Marcelo Moutinho: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/337257-de_palavras_e_nao_palavras_faz_se_o_conto/edicao:2012-03-28.html

De palavras e não palavras faz-se o conto

De pequenas ausências se faz a boa literatura. A ausência de palavras, por exemplo. A arte literária se elabora a partir não do que está na superfície do signo, mas sim dos espaços em branco. “Que é poesia?/Uma ilha cercada de palavras por todos os lados”, escreveu o grande e ausente poeta Cassiano Ricardo. O mais recente livro de contos do carioca Marcelo Moutinho leva no título essa premissa. A palavra ausente(Rocco, 120 p.) reúne 10 histórias curtas que revelam não revelando as faltas e as perdas que acontecem em nossas vidas: da dignidade, do respeito, da tolerância, do amor, do jogo, do emprego, da esperança, do que dizer. Moutinho ausentou as palavras para escrever prosas poéticas. Ele sugere e não diz. Ou…

Chico Anysio, escritor

Poucos sabem mas, entre as várias facetas de Chico Anísio (originalmente o Anísio era com i mesmo), havia a de escritor. Tenho na minha biblioteca alguns livros de contos dele: O enterro do anão, O tocador de tuba, Teje preso, O batizado da vaca, É mentira, Terta? (com os causos do meu personagem preferido, o Pantaleão) e o romance O tiete do agreste, a história de um nordestino, Bio, que funda um novo país, o Brasil-da-Peste. Em seu site, conta que começou a escrever o primeiro livro a partir de um convite de Ruben Braga e teve dicas de Fernando Sabino. Conta Chico: "eu me sentei à máquina das oito da manhã às sete da noite durante cinquenta dias. Minha mulher reclamava muito:  - Sai um pouco dessa máquina. Eu ficava. E foram saindo as histórias. Eram contos curtos. Uns engraçados, outros saíam sérios, sérios até demais." Depois dos cinquenta dias, aprontou três livros de contos. O primeiro foi O batizado da vaca, cujo conto que dá título à coletânea reproduzo aqui, como …

Mais um poema sobre o suicídio

HOMENAGEM Jack London               Vachel Lindsay               Hart Crane
René Crevel                Walter Benjamin            Cesare Pavese
Stefan Zweig               Virgínia Woolf                Raul Pompéia
                                     Sá-Carneiro


                           e disse apenas alguns
                           de tantos que escolheram
                           o dia a hora o gesto
                                     o meio
                                     a dis-
                                     solução

(Carlos Drummond de Andrade)

Aforismos por Cassionei (XX) e (XXI)

O silêncio é a crítica literária mais demolidora.
*** Gosto do silêncio, mas há um tipo de silêncio que é insuportável.

Concurso literário

cena do filme Howl
(Conto recuperado nas minhas desorganizadas pastas do computador. Havia até esquecido dele.)


Já na derrota do primeiro concurso, pensou em desistir. Não por se considerar um escritor medíocre, bem pelo contrário. Achava, ou melhor, tinha certeza de que o concurso não estava a sua altura. Continuou, porém, e novas derrotas se sucediam. Quando tinha acesso à leitura dos contos premiados, muito ruins na sua opinião, ficava com a sensação de que tudo não passava de panelinha, jogo de cartas marcadas ou qualquer outro lugar-comum que qualificasse os eventos. E os pseudônimos não serviam justamente para evitar tudo isso? Ah, vai saber se os jurados não conheciam antes o conto que iriam analisar. Como morava no interior do estado, não tinha acesso à vida literária, não conhecia ninguém do meio e que pudesse ler seu conto. Sua arte era realmente solitária. Para ele, no seu quarto, sentado na escrivaninha e rodeado por centenas de livros, o ritmo da máquina sendo espancada era…

No final do telejornal tinha um poeta...

No Traçando Livros de hoje, minha coluna no jornal Gazeta do Sul, o relançamento da obra de Drummond pela Companhia das Letras.
http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/334615-no_final_do_telejornal_tinha_um_poeta/edicao:2012-02-29.html

Sempre inicio minhas aulas de literatura, e às vezes as de língua portuguesa, com uma leitura e interpretação de um poema de Carlos Drummond de Andrade, mais precisamente com “Cota Zero”, publicado no seu primeiro livro. Lembro aos meus alunos da importância desse poeta, o maior da nossa literatura, o que é comprovada pelo espaço que foi dado a ele no Jornal Nacional quando do seu falecimento em 1987. O burocrático programa, bem diferente do que é hoje, não foi encerrado com o famoso “boa noite” de Cid Moreira, mas com uma declamação do poema “José”, na voz peculiar do então âncora do telejornal.
A obra do autor dos versos “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho” está sendo reeditada pela Companhia das Letras. Na primeira …

18 anos sem Bukowski

Vale tomar umas cervejas hoje em homenagem ao velho Bukowski. Umas não, várias! Como um dos temas que estudo é o suícidio, este poema cabe bem no blog:

Assim estou...

“Todo el día deprimido, pero escribiendo y leyendo como una locomotora.” In.: Los dectetives salvajes, de Roberto Bolaño.

Mudanças no horizonte da educação

Um novo ano letivo iniciou nas escolas estaduais, acompanhado, dessa vez, por mudanças significativas e necessárias no Ensino Médio. A palavra de ordem é mudar. Aliás, é a palavra da moda. É a palavra que não pode ser contestada. Onde já se viu ficarmos estagnados na mesmice ano após ano! É preciso mudança. Quem discorda é porque está atrasado, precisa se reciclar. Não, não é bem assim. Resistir a algum tipo de mudança não torna a pessoa um conservador insensível. Na verdade, aceitar tão facilmente algo de cima para baixo torna o indivíduo um ser passível, que pensa apenas pelo outros. São necessárias mudanças, sim, mas elas devem ser questionadas quanto a sua aplicação. Há algum mal, por exemplo, em querer que alguns valores permaneçam? O questionamento feito hoje sobre a indisciplina dos alunos pode ter a reposta justamente nas mudanças ocorridas nas relações comportamentais entre pais e filhos. Não há mais hierarquia e, por isso, o caos está formado. Se o filho não obedece mais ao…

"A risada do Diabo", de Paganini

Só dando risada para algumas coisas que vemos por aí. E melhor risada do que a do Diabo não há!

Textículos (IX)

33
Tinha um nome bastante incomum, talvez único. Dizia que, se soubesse da existência de um homônimo, o chamaria para um duelo, pois o mundo é pequeno demais para duas pessoas com esse nome.
Pois existia outro, que pensava a mesma coisa.
O enterro será hoje, dia 2 de agosto, às 3h30 da tarde.

Aforismos por Cassionei (XVIII)

Tudo tem seu tempo, inclusive perceber isso demanda tempo.