sexta-feira, agosto 31, 2012

Uma das fotos do lançamento do meu livro

Como aqui não é rede social para estar compartilhando fotos, posto apenas uma, para representar os que se fizeram presentes no evento. Aqui estou ao lado do Aguinaldo Severino, um dos grandes leitores de Joyce, sendo organizador do "Bloom's day" em Santa Maria, e autor do blog "Livros que eu li": http://guinamedici.blogspot.com.br/. Ele veio para prestigiar meu lançamento e a vinda do Skármeta à Santa Cruz do Sul. Falando em Skármeta, um belo momento na minha vida foi ver o autor de O carteiro e o poeta folhando meu livro e elogiando o título. Pena que estava sem a máquina para registrar o momento.

Desabafo

Ontem percebi o grau de desimportância que tenho no meio literário de Santa Cruz, apesar de colaborar no maior jornal da cidade, escrevendo sobre literatura já há algum tempo. Os organizadores da Feira do Livro fizeram pouco caso de mim desde bem antes, quando tentava com um deles marcar meu lançamento. Quando consegui, me foi sugerido um dia e horário em que concorri com um encontro com o patrono Antonio Skármeta e outras atividades. No estande da organização da Feira, não sabiam de nada, pois eu não constava na programação, apesar da matéria no jornal. Quando pedi que falassem no microfone, disseram o nome do livro errado. Nem mesmo no Espaço Gazeta sabiam do evento, pois a mulher que estava trabalhando não foi informada. Pelo menos foi muito simpática e me deu o apoio necessário quando cheguei. Fico grato a alguns parentes, amigos e colegas, tanto das Letras quanto do Luiz Dourado, que me fizeram sorrir e me emocionaram com o carinho. Me senti feliz inclusive com quem só foi me dar um abraço, atendendo o meu convite. Estou assim, num misto de decepção e alegria. Não sei o que fazer agora, ficou um vazio que não sei explicar, por isso resolvi escrever este desabafo, mesmo contrariando a patroa que não vai gostar do que estou fazendo. A Deise, aliás, é a quem mais eu agradeço. Sempre do meu lado, apesar de não entender por que às vezes eu "me queimo" por ser sincero demais. Há pessoas que me viram cara por eu ter apontado um plágio que fizeram num jornal e por criticar a falta de revisão de outro, acreditam nisso?
É escrevendo sobre algo que me angustia que fico mais leve. Precisava fazer isso. 
Logo mais eu posto algumas fotos do evento.
Penso ainda, em fazer uma outra programação de lançamento num bar, inspirado, como já escrevi, no filme "Alma corsária", do Carlão Reichenbach. Aceito sugestões, pois não sou frequentador.
Abraço e me desculpem por qualquer coisa.

quinta-feira, agosto 30, 2012

Matéria sobre o lançamento do meu livro

Clique na imagem para ampliar

Matéria sobre o lançamento de Arranhões e outras feridas no jornal Gazeta do Sul, escrita pelo Romar Beling. http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/365399-tracando_arranhoes/edicao:2012-08-30.html O título faz referência a minha coluna Traçando Livros.

Painel sobre ficção científica

foto: Iuri Azeredo

Participei ontem de um painel sobre Ciência e Ficção Científica. Os alunos do Curso de Comunicação Social da Unisc fizeram um bom resumo do que ocorreu: http://hipermidia.unisc.br/25feiradolivro/?p=677

O livro chegou

Quentinho, direto do forno.

Hoje é o dia do lançamento do meu livro

Chamada na capa do Mix de hoje e há uma matéria na página 3 sobre o lançamento.

segunda-feira, agosto 27, 2012

Primeiras aquisições na 25ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul

Primeiras aquisições na Feira do Livro, encontradas nos sempre riquíssimos balaios. Todo rato de Feira visita primeiro os balaios. Nesse ano o jornalista e poeta Mauro Ulrich saiu na frente, mas eu consegui achar alguns bons livros: "Cobertor de estrelas", do Ricardo Lisias; "Azar do personagem", do Reginaldo Pujol Filho; "O gaudério Macunaíma e a pititinga macia de Brunilde", de Sérgio Schaefer; "A mulher em flagrante", do Leon Eliachar; e "Ravelstein", de Saul Bellow.

domingo, agosto 26, 2012

Cortázar, 26 de agosto

No dia do aniversário do Cortázar, me deparo com este texto do Milton Ribeiro. Milton, caíste no meu conceito. Uma simples pesquisa nos periódicos argentinos e as constantes reedições da obra cortazariana provam que o teu mestre Idelber Avelar, que prefere Paulo Coelho, está equivocado ao usar opiniões de alguns críticos para tentar derrubar o autor de Rayuela.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Salvo por mi audífono



Nos próximos meses, a escrita do romance e as notas sobre o processo de criação terão como trilha sonora uma sinfonia de martelos, betoneiras, caminhões transitando, gritos de pedreiros e radinhos de pilha ecoando sertanojo primário. Bem em frente à minha casa, serão construídas quatro residências, não sei se geminadas ou duplex. Não estou reclamando, apesar de o barulho ser um incômodo. Outras pessoas vão realizar o sonho que eu e minha família alcançamos recentemente que é ter a casa própria. Preciso, no entanto, me adaptar ou tentar contornar o problema.

Será que a quebra do silêncio interferirá no ritmo do romance? De qualquer forma, um aliado que já tenho há algum tempo terá papel de destaque: o fone de ouvido. Desde os tempos em que passava boa parte do meu tempo no ônibus entre a cidade de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul, com o fone me fechava no meu mundo interior, povoado de cenas e personagens literárias, ouvindo música clássica ou notícias oriundas de rádios AM de Porto Alegre. Na minha biblioteca, não é diferente. Comprei, inclusive, uma extensão para ligar o fone ao computador, pois o fio é muito curto. Pela internet, consigo ouvir rádios como a Cultura FM de São Paulo, recheada de música erudita de qualidade, o que é uma redundância, ou a webrádio Mínima FM, com programas encabeçados por gente como o Luis Fernando Verissimo, José Pedro Goulart, Eduardo “Peninha” Bueno, Wander Wildner e Jorge Furtado. Nada disso elimina o barulho externo, mas ajuda.

Há um capítulo de Salvo el crepúsculo, livro póstumo de Julio Cortázar, em que o escritor argentino escreve que escutava jazz com seus fones de ouvido não só para não atrapalhar os vizinhos, mas porque o som é melhor, a música parecendo que brota do interior de nós mesmos. Além disso, escreveu este poema:

Cuando entro en mi audífono, 
cuando las manos lo calzan en la cabeza con cuidado 
porque tengo una cabeza delicada 
y además y sobre todo los audífonos son delicados, 
es curioso que la impresión sea la contraria, 
soy yo el que entra en mi audífono, el que asoma la 
cabeza a una noche diferente, a una oscuridad otra. 
Afuera nada parece haber cambiado, el salón con sus lámparas,
Carol que lee un libro dc Virginia Woolf en el sillón de enfrente,
los cigarrillos, Flanelle que juega con una pelota de papel,
lo mismo, lo de ahí, lo nuestro, una noche más.
y ya nada es lo mismo porque el silencio del afuera amortiguado
por los aros de caucho que las manos ajustan 
cede a un silencio diferente,
un silencio interior, el planetario flotante de la sangre, 
la caverna del cráneo, los oídos abriéndose a otra escucha,
y apenas puesto el disco ese silencio como de viva espera,
un terciopelo de silencio, un tacto de silencio, algo que tiene
de flotación intergaláxica, dc música de esferas, un silencio
que es un jadeo silencio, un silencioso frote de grillos estelares,
una concentración de espera (apenas dos, cuatro segundos), ya la aguja
corre por el silencio previo y lo concentra 
en una felpa negra (a veces roja o verde), un silencio fosfeno
hasta que estalla la primera nota o un acorde 
también adentro, de mi lado, la música en el centro del 
cráneo de cristal  
que vi en el British Museum, que contenía el cosmos 
centelleante
en lo más hondo de la transparencia, así
la música no viene del audífono, es como si surgiera de mí mismo, 
soy mi oyente,
espacio puro en el que late el ritmo
y urde la melodía su progresiva telaraña en pleno 
centro de la gruta negra.

O lançamento de "Arranhões e outras feridas" começa a repercutir


Nota no Jornal do Ike, coluna social do jornal Gazeta do Sul, edição de ontem: http://www.gaz.com.br/ike/notas/rapidas

segunda-feira, agosto 20, 2012

Lançamento do meu livro: 30 de agosto




Dia 30 de agosto, a partir das 17h, será lançado meu primeiro livro: Arranhões e outras feridas, 74 páginas, Editora Multifoco/Redondezas contos. Local: Praça Getúlio Vargas, no Espaço Gazeta, na 25ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Os valores:
Sem autógrafo: R$32,00
Com autógrafo em que eu necessite perguntar o nome: R$32,00
Com autógrafo em que eu não necessite perguntar o nome: R$32,00
Com autógrafo, aperto de mão e/ou abraço: R$32,00
Somente aperto de mão e/ou abraço: não tem preço.
Conto com a presença dos meus leitores ou possíveis leitores, pelo menos para um bate-papo e para causar uma boa impressão aos que estiverem circulando pela Feira.
Penso ainda em um segundo lançamento, num bar mequetrefe qualquer de Santa Cruz ou de outra cidade, inspirado no filme Almas corsárias, do saudoso Carlos Reichenbach. Aceito sugestões.

sábado, agosto 18, 2012

Tuítes sobre Paulo Coelho X James Joyce

Paulo Coelho brabinho com o The Guardian

Os tuítes da sobre o Paulo Coelho são de matar. 

RT Ensayo de literatura del Siglo XX por Paulo Coelho. Cap 2. Max Brood: hubieras quemado los manuscritos como te pidió Franz.

Paul Rabbit, brabinho com a , do Clarín, lembrou que suas obras completas serão lançadas junto com o La Nación, jornal rival. 

Depois o Paul Rabbit disse que a fez uma trollada inteligente. Ele só ganha com a polêmica.

Alguns aqui tuitando e retuitando seu orgulho por não ter lido "Ulysses", do Joyce. Putz. Tudo bem não ter lido, mas se orgulhar disso? 

Idelber Avelar, que chamou o Cortázar de escritor para adolescentes, defendendo o Paulo Coelho. Isso explica muita coisa.

 Idelber Avelar, que já chamou o Cortázar de escritor para adolescentes, agora também defende o Paulo Coelho:

Essa brincadeira de resumir a alta literatura num só tuíte é um elogio ao Paulo Coelho. Pessoal que entrou nessa não notou. 

 Defender o Paulo Coelho e a novela das oito virou moda para certa intelectualidade brasileira. 

  Mas também não dá pra ficar quieto com essa babação de ovo de alguns intelectuais e colunistas de literatura de jornais. 

 A Cláudia Laitano disse tudo em poucas palavras hoje na sua crônica na ZH sobre o que Paulo Coelho pensa de Ulisses, de Joyce => 
“Não tem nada ali” é o slogan perfeito para a mediocridade arrogante de uma época que olha com desconfiança para tudo que exige esforço..." 

 "“Não tem nada ali” não diz muito sobre Joyce, mas diz tudo sobre Paulo Coelho."

 " “Não tem nada ali”, disse Paulo Coelho, a respeito de Ulysses, um livro que há 90 anos motiva leitores de todas as partes do mundo a => 
 ... a procurarem na literatura não uma variação comportada do que já é conhecido, mas a provocação, a inquietude, o desafio."

 Aqui, na íntegra, o texto da na ZH que mencionei de manhã, sobre a bobagem dita por Paulo Coelho sobre Joyce.

 "ha aparecido una tradición que está resistiendo en interesantes catacumbas a la tentación de presentarse como antiintelectual". Vila-Matas 

 Leio no , mais um escritor que critica "los textos aburridos". Querem fazer da literatura uma parque de diversões. É um complô? 

 O Paulo Coelho apoiando a volta do ? Quero retirar meu apoio, então. O cara está fazendo de tudo pra se promover mais ainda. 

 Aceitar o apoio do Paulo Coelho é um tiro no pé. , , abram o olho. 

 Quanta ingenuidade de muitos intelectuais brasileiros ao acreditarem nas boas intenções do mago Paul Rabbit. 

 Ver o Pablo Conejo (estou me inspirando em ) como um grande representante da nossa cultura é o fundo do poço. 

 Minha timeline está cheia de citaçãos ao texto do PC em apoio ao . Bem feito. Minha mãe me dizia, cuidado com as cias. 

 Ele está querendo conquistar um público como mais peso intelectual, que eram os frequentadores do . Ele é esperto. 

 Já disse, , entendo o posicionamento, e minha posição não é política, mas literária. 

 Depois de mais um round vencido pelo Paulo Coelho em busca de reconhecimento literário, vou dormir. Jogo a toalha. 

 A Folha dando espaço para Idelber Avelar dizer que Paulo Coelho é bom escritor. Putz! 

 Um dos argumentos para defender Paulo Coelho é que ele leva muita gente a se tornar leitor. Engraçado, os brasileiros continuam lendo pouco. 

 Dizem que o PC é divulgador da nossa literatura pelo mundo. Seríamos a literatura mais lida, se ele realmente cumprisse esse papel. 

 O PC é best seller há mais de década e não formou novos leitores de outro tipo de literatura nesse tempo todo, apenas novos leitores dele. 

 Maioria que lê PC fica esperando novo lançamento dele e não lê mais nada, assim como maioria dos fãs de séries como Crepúsculo. 

 É errado dizer que a crítica só dá pau no PC sem o ler. O Manuel da Costa Pinto dissecou a obra dele na prestigiosa Cult há alguns anos. 

 , , , e dando razão ao Paulo Coelho:  

 Preparem-se para hoje: mais pedras serão erguidas para o túmulo da literatura no Brasil: novos Ulisses reduzidos a um tuíte surgirão. 

 No dia em que a Folha dá espaço para uma crítica positiva ao Paulo Coelho, anuncia o fim de sua coluna na Gazeta do Povo. 

 R.I.P. Literatura RT Participei de brincadeirinha da Folha de resumir Ulisses em um tweet:

 Agora desliga o modo irônico RT exímios esses artistas do ulysses monotweet, parabéns aí, parceirada 

 E os livros deles se espremer não dão nem um tuíte RT inclusive dá pra nos perguntarmos quantos deles efetivamente leram o livro 

 Trocadilho infame: que "parábola" o Idelber Avelar está fazendo para tentar colocar o Paulo Coelho no panteão da nossa literatura. 

 É só ele deixar a literatura em paz. RT Por que o incomoda tanto vocês? Deixem o cara em paz! 

 Pe. Fábio de Melo elogiando a "párabola" do Paulo Coelho. Espero que o PC queira a partir de agora ocupar o lugar de Jesus e não do Joyce. 

 As coelhetes agindo RT todo o universo conspira para que você realize o seu desejo




Sábado de manhã serve pra isso



Às vezes me questiono por que sou professor, enfrentando alunos que não gostariam de estar em aula e fazem questão de demonstrar isso. Nece$$idade talvez, aliada a uma utopia: o ensino vai melhorar. Gostaria, porém, de ficar apenas escrevendo, no máximo fazendo palestras sobre meus livros ou tendo colaboração paga nos jornais – ao contrário do que muitos pensam, não recebo nada pela minha coluna Traçando livros, do que não reclamo, pois aceitei assim.

Quando visualizo meu futuro, o caminho mais certo é o de professor. Sim, estou publicando um livro, sou escritor. No entanto, não sei me vender como tal. Não aceito esse mundinho literário do “me elogia que eu te elogio”, “não critica para não te queimar”. Por conseguinte, minhas obras serão como tantas outras publicadas por aí, esquecidas em prateleiras ou gavetas de amigos e parentes que vão comprar alguns exemplares por compromisso social. Não, não é choradeira. Minha escolha acabou sendo essa, na medida em que desisti de publicar por uma grande editora e não faço parte de uma patota literária que, antes mesmo de lançamento de um livro, já utiliza o twitter para dizer que o grande amigo vai publicar mais uma grande obra. Serei lido por poucos leitores qualificados, boa parte aqui do blog, outra do twitter, que já conhecem alguns contos. Com essa leitura qualificada, que vai elogiar o que tem que ser elogiado e criticar o que tem que ser criticado, ficarei satisfeito. 

Continuarei sendo professor, portanto. Não sei se para sempre. Não mais com o mesmo entusiasmo dos vinte e poucos anos. Talvez saia do Ens. Médio e lecione na universidade. Não sei. Sei que não gostaria de enfrentar alunos indisciplinados, idiotas que não atendem nosso apelo de que é preciso ouvir, é preciso ler, é preciso escrever, é preciso aproveitar a chance que muitos não tiveram, em décadas passadas, de estudar e adquirir conhecimento. Estou cansado e desestimulado.

Ainda estás aí, caro leitor?  És paciente, hein?

quinta-feira, agosto 16, 2012

Quarta capa do meu primeiro livro e Painel Ficção Científica

Clique na imagem para ampliar

Foi lançada a programação da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, cujo destaque será a presença do chileno Antonio Skármeta. Na programação oficial, estarei no dia 29, às 16h, no Painel “Ficção Científica e Leitura”.
Infelizmente o lançamento do meu livro, Arranhões e outras feridas, não entrou na programação oficial. Segundo um dos organizadores, com quem solicitei a data e horário, "diante das várias solicitações e incertezas quanto a dias, horas de lançamentos dos autores locais, na programação apenas consta que autores locais estarão lançando livros em diversos ambientes, com a divulgação regular dos autores, das obras, dos dias e horários, pela imprensa e pela mídia em geral." Ou seja, os autores locais foram um pouquinho menos valorizados, com algumas exceções. Mas tudo bem, faz parte do crescimento de uma feira dar importância ao que vem de fora, nos colocando numa programação paralela. Pena que isso aconteceu no meu primeiro lançamento.
Ainda não consegui confirmar data, horário e local (que provavelmente será o Espaço Gazeta). Qualquer coisa, pego minha pasta e me paro à beira do chafariz pra divulgar o livro.
Quando tiver tudo confirmado, prendo o grito. Depois do lançamento, o livro estará disponível, por R$32 + frete, nos sites da editora Multifoco e da Livraria Cultura.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Fracasso recomendável



O Traçando Livros de hoje, página que publico quinzenalmente no jornal Gazeta do Sul, caderno Mix. O título aí em cima foi dado pelo pessoal do jornal, mas combinou bem com o espírito da minha pseudoresenha. O título original está abaixo e ficou como "cabeça" da matéria. http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/362777-fracasso_recomendavel/edicao:2012-08-15.html

Seis motivos para ler o novo livro de Vila-Matas, Ar de Dylan, e uma coda dispensável


1
O escritor espanhol Enrique Vila-Matas é um apaixonado pela literatura. “Mas todos os escritores não o são?”, pergunta o leitor. Infelizmente não, eu respondo. Há muitos que veem na publicação de livros apenas como forma de se ganhar fama e admiração, sendo lidos por milhares de pessoas, fazendo, para tanto, um tipo de escrita mais acessível para o grande público. Não espere isso de Vila-Matas.
2
Ele vive tão intensamente a literatura, que faz dela seu principal tema. Escritores que deixam de escrever, que desejam desaparecer, que sofrem de um mal que o fazem confundir vida e ficção, que se reúnem em sociedade secretas literárias, que seguem os passos de seus ídolos da escrita, editores que assistem ao fim dos livros e seu funeral. O leitor que entra nesse mundo vila-matiano, se não tem uma bagagem de leituras muito grande, acaba procurando as obras e os autores citados para buscar conhecê-los, mesmo que às vezes não os encontre, pois boa parte é criação do autor, seguindo os passos de Jorge Luis Borges.
3
Seu romance mais recente, Ar de Dylan (Cosacnaify, tradução de José Rubens Siqueira), também tem escritores e muitos livros, mas não apenas isso. O protagonista (será que há um protagonista?) é um cineasta, Vilnius Lancastre, que chama a atenção das pessoas por ser muito parecido com o cantor Bob Dylan quando jovem. O livro, portanto, pode agradar quem gosta de cinema e de música.
4
Vilnius é filho de um escritor famoso, Juan Lancastre, que havia sido convidado para palestrar em um congresso sobre o fracasso, mas acabou morrendo antes disso. Vilnius o substitui e escreve uma conferência sobre o tema. Ele gostaria de fracassar na própria leitura do texto, o que acaba conseguindo apenas parcialmente, pois a extensão e a monotonia começam a espantar a plateia. A tentativa de fracassar lendo sobre o fracasso se torna um fracasso, no entanto, pois uma pessoa permanece até o fim: o narrador da história.
5
O romance retoma, sob o prisma metaliterário característico de Vila-Matas, referências à peça Hamlet, de Shakespeare. Assim como o fantasma do rei da Dinamarca aparece para seu filho denunciando seu assassinato perpetrado pela esposa e pelo irmão que toma o poder, o espectro de Juan Lancastre infiltra-se na memória de Vilnius, avisando que a esposa, Laura Verás, e seu amante, Claudio Maxwell, lhe provocaram um ataque cardíaco. Vilnius, como Hamlet, tenta descobrir a verdade, assim como encontra em Débora a sua Ofélia e no narrador o amigo Horácio, com quem desabafa. Há mais coisas em Ar de Dylan do que sonha nossa vã filosofia.
6
“A arte é, também, fugir do que acham que você é ou do que esperam de você”, diz Vilnius em certo momento da história. Ar de Dylan é um exemplo de arte sofisticada, povoada de referências literárias e extraliterárias, e, como toda boa literatura, aborda as questões humanas mais angustiantes, nesse caso, o fracasso. Por isso, é uma obra altamente recomendável.
7 
Espero não ter fracassado ao escrever sobre mais esse esplêndido romance de Vila-Matas.


Cassionei Niches Petry é professor e mestrando em Letras. No final do mês lançará seu primeiro livro, Arranhões e outras feridas, destinado a ser um fracasso de vendas. Escreve quinzenalmente para o Mix e mantém o blog cassionei.blogspot.com.
 


sexta-feira, agosto 10, 2012

Capa do meu primeiro livro

Esta é a capa do meu primeiro livro, Arranhões e outras feridas, que está sendo editado pela Multifoco, através do selo "Redondezas contos". Logo que estiver disponível para compra, anunciarei por aqui, bem como os detalhes do lançamento, na Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, no final deste mês.

quarta-feira, agosto 01, 2012

Suicídio aos 33

Traçando Livros de hoje, minha colaboração quinzenal no caderno Mix, no jornal Gazeta do Sul. A página ficou belíssima, a partir da edição de Mauro Ulrich e diagramação de Derli Gonçalves.

http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/360098-suicidio_aos_33/edicao:2012-08-01.html



É graças a best-sellers como Ágape, do Padre Marcelo Rossi (que gerou um filho, o Agapinho... ops, filho do livro, que fique bem claro), detentor da marca de 8 milhões de exemplares vendidos, que a literatura artisticamente mais elaborada, como a do argentino Antonio Di Benedetto (1922-1986), pode ser publicada por grandes editoras como a Globo. É um escritor que interessa àqueles poucos leitores apreciadores de uma narrativa que não visa apenas o entretenimento ou que diga coisas confortáveis, edificantes. A grande literatura é aquela que incomoda, que destrói nossas certezas. 

Os suicidas (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro) é o terceiro romance de Di Benedetto. Publicado em 1969, faz parte da Trilogia da espera, composta ainda pelos romances Zama e O silencieiro (todos publicados pela Editora Globo). O protagonista é um jornalista, cujo pai se matou aos 33 anos, numa sexta-feira. Ele está prestes a completar a mesma idade, justamente nesse dia da semana: “nunca havia me preocupado seriamente com isso, mas, quando cheguei perto dessa idade, a lembrança adquiriu vivacidade para meu espírito”. Como se não bastasse, seu chefe lhe incumbe de trabalhar numa série de matérias sobre o suicídio: “O mistério dos que se matam”. Passa a investigar, junto com sua colega, Marcela, o que leva o indivíduo a cometer tal ato. Para o protagonista, no entanto, a pergunta é diferente: “a questão não é por que me matarei, mas sim por que não me matar”. O leitor, durante toda a narrativa, se pergunta: será que ele vai ser mais um a engrossar a lista dos que decidem deixar de viver?

Os primeiros contos do livro de estreia de Antonio di Benedetto, O mundo animal, já trazem o tema quando borboletas com “propósitos suicidas” entram dentro da boca de uma personagem ou quando um filho emudece depois de ver seu pai “pendurado no cano da ducha”. Em Os suicidas, além da autoimolação paterna, também aparecem, nas investigações dos jornalistas, suicídios de animais: “O cachorro se joga sobre o túmulo do seu dono e se deixa morrer. O escorpião se crava seu próprio ferrão e perece”. Na verdade, diz o narrador, “os irracionais não se suicidam (...), eles ignoram que vão morrer e menos ainda poderiam conhecer como se matar”. De acordo com filósofos como Albert Camus e David Hume, citados na investigação dos dois jornalistas, a morte voluntária pode ser uma questão filosófica e há motivos favoráveis e contrários para o ato, sendo que é a reflexão profunda e racional que nos aproxima ou nas afasta desse limite. “Destruir a si próprio é um privilégio da absurda condição humana.”

O 33 é um número recorrente quando se fala em suicídio. O caso mais notório é o de Jesus Cristo que, segundo os relatos bíblicos, entregou sua própria vida aos 33 anos de idade para curar os pecados do mundo. Lógico que os fiéis não vão usar essa expressão, mas, pelo contexto da morte, tendo em vista que Jesus era Deus e, consequentemente, poderia se salvar e não o fez, podemos dizer que houve a chamada morte voluntária nesse caso. Polêmicas à parte, o tema é doloroso para quem teve um familiar ou amigo que praticou esse ato tresloucado. Porém, são questões humanas como essa, que nos angustiam, a matéria-prima da boa literatura.

Cassionei Niches Petry é professor e mestrando em Letras, com bolsa do CNPq. Amanhã fará 33 anos, mas não vai se suicidar, pois deseja ver seu primeiro livro publicado no final deste mês. Escreve quinzenalmente para o Mix e mantém o blog cassionei.blogspot.com.