segunda-feira, julho 30, 2012

O 33



“Mi padre se quitó la vida un viernes por la tarde.
Tenía 33 años.
El cuarto viernes del mes próximo yo tendré la misma edad.”

"Mi padre se suicidó a los 33 años; nunca me había preocupado seriamente por eso, pero cuando llegué cerca de esa edad el recuerdo adquirió vivacidad para mi espíritu…"

“Hace 33 años me dieron este cuerpo al que posteriormente han sido agregados hábitos, ideas, una manera de comer...”

Trechos de "Los suicidas", de Antonio Di Benedetto.

sábado, julho 28, 2012

Meu texto no Caderno Cultura de Zero Hora

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a3834412.xml&template=3898.dwt&edition=20081&section=1029

Sem emoção, não é literatura

O artigo “Um novo papel para os profissionais das Letras”, de Elias J. Torres Feijó, publicado no último sábado no caderno Cultura, expôs uma concepção de mercado, burocrática e utilitarista, da qual não estamos precisando nas aulas de literatura. No começo, reivindica uma visão cultural mais ampla para obtermos conhecimento, sendo a literatura parte desse contexto. Até aí, de acordo. É uma das disciplinas que mais consegue se adaptar à interdisciplinaridade que se deseja na educação. Um poema, por exemplo, pode trazer temas abordados pela filosofia, pelo ensino religioso, pela educação física, pela biologia, pela matemática, pela química, pela sociologia, pela história etc. Para uma boa apreciação de um texto literário, é necessário um amplo saber. E esse texto acaba sendo a fonte de conhecimento, igualmente acionado para a compreensão de outro texto ad infinitum.

Para produzir conhecimento, entretanto, o autor, professor da Universidade de Santiago de Compostela, condena o que é essencial em um texto artístico: a emoção. Para ele, emoções “como o gosto ou a qualidade são produções de valor normalmente dependentes de quem tem mais poder para impor os seus gostos ou os seus particulares critérios de qualidade”. Cita como exemplo John Keaton, personagem do filme Sociedade dos Poetas Mortos, que seria representante de um tipo de professor que manipula os estudantes. Afirmação totalmente equivocada, pois o protagonista fazia justamente o contrário: provocava a mudança do paradigma em que os alunos obedeciam cegamente o que ditavam pais e professores que lhes conduziam a um caminho já previamente estipulado.

Feijó passa, por conseguinte, a propor uma visão mais útil para o ensino das Letras: “dar aos estudantes instrumentos de análise e interpretação dos fenômenos literários e dos fenômenos mais alargadamente culturais”. Concordo com o articulista, porém questiono o porquê de se excluir a emoção. Outras expressões defendidas pelo professor advêm de uma visão mercadológica, como aplicabilidade, empreendedorismo, resultados. Paradoxalmente, afirma: “Defendo isso precisamente para não sermos subservientes ao mercado”. Essa abordagem mata a literatura como forma artística, transformando-a em mais uma peça do sistema econômico, que, mecanicamente, produz uma falsa arte em série para satisfazer o mercado.

Ao criticar o profissional de Letras que desburocratiza a literatura, o articulista quer derrubar as tentativas que os professores fazem para inocular a paixão pelas artes nos estudantes que vivem cercados por produtos midiáticos, estes, sim, sem utilidade nenhuma. Literatura sem emoção não é literatura.
CASSIONEI NICHES PETRY | Mestrando em Letras pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc)

sexta-feira, julho 27, 2012

Tudo gravado nas minhas fitas K7


 A leitura da crônica “O homem de mudança”, do livro A última madrugada, de J. P. Cuenca, me fez lembrar que ainda tenho uma séria decisão a tomar: jogo ou não jogo fora minhas caixas repletas de fitas cassetes? Já descartei uma porção de papelada quando consegui trazer minha biblioteca para a nova casa há poucos meses, mas as minhas fitas, mesmo quase não as ouvindo mais – pois hoje tenho tudo em formato MP3 –, não sei ainda se vão para o lixo.


Cuenca se viu em situação parecida quando teve que se mudar. Aliás, todos que vivem esse ritual ou fazem reforma em algum ambiente da residência se veem retratados no texto. O cronista pergunta: “Se jogar suas lembranças fora, o que sobrará? O que somos além desse acúmulo de passado e esquecimento?” 

Pergunto isso a mim mesmo, porém, apenas quando a esposa pede para eu jogar minhas fitas fora. Na verdade, não quero me desfazer delas. Nas minhas fitas está gravado o que eu fui nos anos 90. Há de tudo ali: house, pop, rap, samba, MPB, rock progressivo, erudito. Ouvia rádio da moda, dancei passinho marcado nas boates, arrisquei ser MC e dançava break, virei ritmista no carnaval e dirigente de escola de samba, fui arrebatado pela poesia da nossa canção, me encantei com as narrativas musicais repletas de referências filosóficas e literárias do Rush e do Pink Floyd até refinar mais um pouco o gosto e me dedicar aos clássicos. Gravava músicas do rádio, copiava de LPs e duplicava fitas. Meu sonho era ter um 3 em 1 com dois decks da Gradiente ou da Aiwa, para fazer cópias com mais qualidade. Meu microsystem do Paraguai deixava o som muito abafado e com ruídos. 

Não guardo as fitas – devidamente rebobinadas e conservadas em caixas de sapato –, só para acumular coisas. Elas representam uma época da minha vida que passou, da qual tenho saudades, mas que, sinceramente, não gostaria de reviver. Sou outro. O que sou, no entanto, devo a esse período também. Quando olho para as caixas, pego uma das minhas primeiras fitas e a ponho para tocar, faço uma viagem ao passado, para depois voltar ao presente e chegar à conclusão: como eu era ridículo e tinha péssimo gosto.

Mudamos de casa, mudamos nossa própria casa, mudamos os gostos, mudamos quem somos. Nossas lembranças, no entanto, não mudam. Elas ficam. Assim como fica a sensação de que sou mais feliz sem precisar colar fitas cassetes com fitas durex.                                                                                 


quinta-feira, julho 26, 2012

"Não leia para se aborrecer..."

foto de Eder Chiodetto

"Não leia para se aborrecer, mas também não venha me dizer que a Ilíada, de Homero, é um livro aborrecido: aborrecido pode ser você." Autran Dourado, em Breve manual de estilo e romance.

quarta-feira, julho 25, 2012

Para isso escrevemos

Recebi um e-mail de um professor de Minas Gerais. Pedi que ele autorizasse a publicação aqui nesse espaço, pois retornos como esse servem de motivo para continuar escrevendo:

Caro colega professor Cassionei

                Entenda este mail como uma singela forma de agradecimento pela publicação do seu ótimo texto "Aula Chata é Legal", que encontrei ao acaso na internet! Tomei a liberdade de publicá-lo, com referência, numa página do Facebook criada por ex-alunos da instituição onde trabalho em ocasião de uma festa de egressos (http://www.facebook.com/groups/142916845835880/ ).
                Nesta festa, me senti muito aborrecido com uma ex-aluna que disse que atualmente (anos depois de sido minha aluna), ao namorar um arquiteto, percebeu o quanto era bom o conteúdo do que eu passava em sala de aula, apesar das minhas aulas serem chatas e maçantes (sou professor de História da Arte para Ensino Médio Técnico). Depois de umas cervejinhas, fiquei meio sem saber o que falar na hora.
                Minhas aulas são realizadas em um ateliê construído ao longo de anos e anos, edificado com muita luta dentro de uma escola essencialmente tecnológica, onde boa parte dos colegas são engenheiros disso ou daquilo, sendo que muitos destes enxergam a arte (e algumas outras disciplinas humanas) como um dispensável acessório. Faço uso didaticamente de muitas imagens da História da Arte, projetadas em tamanho gigante por um data-show, trechos de documentários de canais como Discovery, History Channel e NGC (isto é, bem dinâmicos), distribuição de pôsteres de quadros famosos, explicação do significado de cada um deles, aulas práticas envolvendo os temas (pintura, desenho, mosaico, teatro (paródias de mitologia grega) etc. Além do mais, costumo fazer convênio com o cinema de minha cidade quando este exibe películas que de alguma forma estejam relacionadas com os meu conteúdos - filmes como "O Código Da Vinci", "Tróia", "Cruzada", "Rei Arthur", "Alexandre"...). Os ingressos são vendidos com desconto no próprio colégio. Tanto antes, quando depois do filme, os alunos são inseridos no universo de seus enredos, onde procuro destacar as partes relacionadas à História da Arte. Ainda ocorre, ocasionalmente, visitas ao MASP, Bienal de S. Paulo e afins, que é algo meio complicado, visto que moramos em Minas, a mais de 10 horas de viagem da capital paulista.
                Mas é claro que em alguns momentos, na verdade, em boa parte deles, eu tenho que dar uma aula tradicional, escrevendo (ou desenhando) no quadro, ou falando de política do Egito, da Grécia ou da Roma Antiga (para justificar estilos de arte),  ou me delongando no espírito humanista do Renascimento, ou tentando explicar o que havia por trás do Modernismo. Isto é, como vc disse em seu belíssimo texto, há momentos que aulas são chatas porque o mundo não é necessariamente algo "não-chato".
                Atualmente faço doutorado em Ciências Sociais. E neste, muitas aulas que assisto, são extremamente chatas e lineares. Mas vejo que não tem que ser de outra forma. Certo professor, que é cientista político, estudou por dez anos "O Príncipe". Aprendeu italiano especialmente para ler quase tudo que Maquiavel teria lido, só para entender ao máximo as entrelinhas de sua obra, que também leu em italiano. Sua aulas então são ótimas, mas às vezes cansativas. Sem que ninguém o questione quanto a isto, ele mesmo diz que não há outro jeito. Não tem como resumir e fazer uma apresentação de Powerpoint. Não tem como ficar contanto piadas sobre isto (embora vez por outra, naturalmente algumas tenham surgido). E quando o negócio está complicando, ele dá uma pausa para a gente tomar um cafezinho (as aulas são depois do almoço!). E mesmo assim, nós gostamos das aulas e vemos nelas sua importância para o nosso aprendizado.
                Concluindo, para que este e-mail não fique "chato", o seu texto foi iluminador porque demonstra que não precisamos ser circenses para dar uma boa aula . Foi mais um desabafo com um colega que com certeza compreende minha indignação. De certa forma, seu texto organizou o que a minha mente já sabia, mas que não conseguia expressar com clareza. Se eu for no próximo encontro de egressos, já saberei o que dizer.

Muito obrigado.
Edilson R. Palhares
Professor do CEFET-MG de Araxá

terça-feira, julho 24, 2012

Ateu



Exercício poético 

ateu

ateu
atiça
ata
desata
à cata
mata
rato
pato
acredita
mentira
escrita
ateu
desacredita
cita
medita
regurgita
poética
cética
tua
ética
patética
anti
ateia
trava
tudo
turva
túnel
até
tem
gente
crente
tolerante
inocente
taco
tiro
certo
mente
demente
tio
tia
parente
tiro
da frente
teia
tecido
texto
testa
tino
desatino
teu
teísmo
atesta
intelecto
ateu
traça
trajeto
reto
torto
até
restar
morto.

segunda-feira, julho 23, 2012

"História Universal do Achismo"

Além do romance e da dissertação de mestrado, estou escrevendo uma "História Universal do Achismo", que será minha obra-prima. Eu acho.

sábado, julho 21, 2012

Literatura não pode prescindir da emoção



O artigo “Um novo papel para os profissionais das Letras”, de Elias J. Torres Feijó, publicado na edição do dia 21 de julho de 2012 do jornal Zero Hora, no caderno Cultura, expôs uma concepção de mercado, burocrática e utilitarista da qual não estamos precisando nas aulas de literatura. 

O começo do texto reivindica uma visão cultural mais ampla para obtermos conhecimento, sendo a literatura parte desse contexto. Até aí, de acordo. É uma das disciplinas que mais consegue se adaptar à interdisciplinaridade que tanto se deseja na educação. Um poema, por exemplo, pode trazer temas como morte, religiosidade, corpo, números, fenômenos da natureza, desigualdade social, mitologia e tantos outros assuntos abordados pela Filosofia, pelo Ensino Religioso, pela Educação Física, pela Biologia, pela Matemática, pela Química, pela Sociologia, pela História e etc. Para uma boa apreciação de um texto literário, é necessário um amplo saber, sendo que esse mesmo texto acaba sendo a fonte de conhecimento, igualmente acionado para a compreensão de outro texto ad infinitum. 

Para produzir conhecimento, entretanto, o autor, professor da Universidade de Santiago de Compostela, condena o que é essencial em um texto artístico: a emoção. Para ele, emoções “como o gosto ou a qualidade são produções de valor normalmente dependentes de quem tem mais poder para impor os seus gostos ou os seus particulares critérios de qualidade”. Cita como exemplo John Keaton, personagem do filme Sociedade dos poetas mortos, que seria o representante de um tipo de professor que manipula os estudantes. Afirmação totalmente equivocada, pois o protagonista fazia justamente o contrário: provocava a mudança do paradigma em que os alunos obedeciam cegamente o que ditavam pais e professores, que lhes conduziam a um caminho já previamente estipulado.

Feijó passa, por conseguinte, a propor uma visão mais útil para o ensino das Letras: “dar aos estudantes instrumentos de análise e interpretação dos fenômenos literários e dos fenômenos mais alargadamente culturais”. Mais uma vez concordo com o articulista, porém questiono o porquê de se excluir a emoção. Outras expressões defendidas pelo professor advêm de uma visão mercadológica, como aplicabilidade, empreendedorismo, resultados. Paradoxalmente, afirma: “Defendo isso precisamente para não sermos subservientes ao mercado.” Essa abordagem, não obstante, mata a literatura como forma artística, transformando-a em mais uma peça do sistema econômico que, mecanicamente, produz uma falsa arte em série para satisfazer o mercado.

Ao criticar o profissional de Letras que, assim como o personagem Keaton, desburocratiza a literatura, o articulista quer derrubar as tentativas que os professores fazem para inocular a paixão pelas artes nos estudantes que vivem cercados por produtos midiáticos, este sim sem utilidade nenhuma. Literatura sem emoção não é literatura.

quinta-feira, julho 19, 2012

Machado de Assis para prefeito e Brás Cubas para vereador

Estou lançando uma campanha para as prefeituras de todo o Brasil. Em vez de votarmos em branco ou anular, podemos votar no Machado de Assis. Antes do PLT - Partido da Literatura, de acordo com o simulador da urna eletrônica, o Machado era candidato a vereador, com o número 92106, sendo que para prefeito era o Drummond, número 92. Mas parece que o Bruxo do Cosme Velho fundou o seu próprio partido para concorrer à prefeitura: é o PH, Partido do Humanitismo, e o seu número é o 18, mesmo número de sua casa.
E para vereador, voto no Brás Cubas, a chance de ele não fracassar na política. Sua principal promessa é a criação do emplastro que acabará como todos os males da humanidade. Seu número, 18810.
Já tenho o apoio, pelo Facebook, do Dilso, do blog  cronutopia.blogspot.com.br/

quarta-feira, julho 18, 2012

Ricardo Lísias no Traçando Livros de hoje


 A página que escrevo quinzenalmente para o Caderno Mix do jornal Gazeta do Sul trata do romance de Ricardo Lísias, O céu dos suicidas. http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/357704-o_inferno_dos_que_decidem_viver/edicao:2012-07-18.html
O inferno dos que decidem viver


Um dos concursos mais aguardados dos últimos anos no meio literário foi o da edição brasileira da revista Granta, publicação britânica que já revelou escritores como Ian McEwan e Paul Auster. O resultado foi divulgado no último Festival de Literatura de Paraty, a Flip. Foram 20 autores, de até 39 anos, escolhidos como “os melhores jovens escritores brasileiros”. Segundo um dos editores da revista, “são nomes que vão ditar os rumos da literatura nos próximos anos”. Não reprovo totalmente a lista de vencedores, discutível como em qualquer concurso. Questiono a afirmação de que são os melhores e que vão guiar o que vai se escrever daqui para adiante no Brasil. É uma pretensão muito grande e que delimita os rumos artísticos. No máximo, pode-se dizer que são autores representativos da nova geração, mas parece valer mais o marketing do que a arte e isso não é nada bom para a literatura.

Ricardo Lísias, 36 anos, faz, com justiça, parte da lista. Desde Cobertor de estrelas (editora Rocco), de 1999, o escritor vem sendo elogiado pela crítica e foi traduzido em alguns países. O romance O livro dos mandarins venceu vários prêmios e foi considerado um dos melhores romances da última década. Justamente quando escrevia essa obra, Lísias soube da notícia do suicídio de um grande amigo. A tragédia pessoal serviu de mote para sua mais recente obra.

O céu dos suicidas (editora Alfaguara) é uma ficção, mesmo sendo real o fato que a desencadeou e apesar de o narrador protagonista ter os mesmos nome e sobrenome do escritor.  E é uma ficção perturbadora por abordar um tema tabu de forma muito contundente e crítica. O protagonista sente-se indignado com a atitude do amigo que tira sua própria vida: “minha primeira reação foi sentir ódio do André. Tenho vergonha de dizer: mal ele tinha sido enterrado, eu o xingava, falando sozinho na rua”. Mais revoltado ainda ele fica com a indiferença da religião por aqueles que cometem esse ato: “no portão do cemitério dou-me conta de que não havia nenhum tipo de trabalho religioso no enterro. Foi um suicídio. Minha irritação aumenta, não consigo me controlar e de novo começo a gritar na rua. Os suicidas sofrem. Deus desgraçado”. 

Ricardo Lísias – o narrador-personagem, não o escritor – é colecionador e ensina a atividade para interessados. Depois de juntar tampinhas de garrafa, selos e cédulas antigas, ele coleciona antipatias por onde passa. A morte do amigo e um selo que recebeu de um parente que morou no Líbano lhe provocam duas perguntas: seu tio-avô seria um terrorista? Por que os suicidas não vão para o céu? Quando não lhe respondem como ele deseja, lança impropérios a torto e a direito. “Devo ter xingado todo mundo, mas quem mais ouviu foi o André.”

A narrativa é composta por capítulos curtos e frases rápidas, reflexo da pressa do protagonista em resolver seus problemas. O leitor, ao mesmo tempo em que sente aversão por um personagem tão rabugento, envolve-se com ele de tal maneira que começa a também sentir raiva do mundo, das pessoas, das religiões, de Deus. Em consulta a um psiquiatra, Ricardo diz: “tenho a impressão de que o mundo inteiro está gritando”. Como resposta, o médico afirma: “Não é o mundo que grita, Ricardo, é você.” É um grito de um ser humano desesperado, que quer continuar a viver, porém também quer compreender o inferno ao seu redor e, consequentemente, entender o inferno dentro de si mesmo.

Cassionei Niches Petry é mestrando em Letras e bolsista do CNPq. Segundo um numerólogo, foi um suicida em uma de suas vidas passadas. Quinzenalmente escreve para o Mix e mantém o blog cassionei.blogspot.com.

terça-feira, julho 17, 2012

Duas notícias sobre publicações minhas

Havia comentado que estava esperando a edição impressa da revista Signo, com meu ensaio sobre o suicídio. No entanto, a revista é publicada somente on line desde 2007. Portanto, quem quiser dar uma lida no meu ensaio e nos demais textos, inclusive de Gustavo Bernardo (que recomendo para professores de literatura) e de Lúcia Santaella, é só acessar o link que segue e baixar os PDFs de cada trabalho:  http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/index.

***

O meu primeiro livro de contos "Arranhões e outras feridas", tem previsão para ser lançado na segunda quinzena de agosto, justamente no mês do meu aniversário. A editora é a Multifoco, do Rio de Janeiro.

sábado, julho 14, 2012

Diário de um fracasso anunciado: as angústias da criação (VII)


14/07/2012

Enquanto digito este texto, ouço um som que é música para meus ouvidos. Instalei no computador um programa que imita o martelar das teclas de uma máquina de escrever. Quando jovem leitor, já sonhando com uma carreira literária, me imaginava varando a madrugada, fumando cachimbo, bebendo muito café e batendo sem parar numa Olivetti aquilo que poderia ser uma obra-prima. 

Hoje a realidade é diferente. Não entro madrugada adentro porque sou casado e, bem, preciso deitar cedo, trabalho no outro dia de manhã, etc. Também não fumo cachimbo, pois minha esposa não gosta do cheiro. O café é meu companheiro inseparável. Muito café. Quanto à máquina de escrever, nunca tive uma e, claro, o computador é muito melhor e mais prático. Em relação à obra-prima, vejo distante esse desejo, pois, como sou leitor exigente, não colocaria minha produção literária, ainda inédita, num patamar ideal. Tento, mas me falta talento para isso.

Imagens de escritores escrevendo em velhas máquinas Remington ou Underwood são minhas favoritas nos filmes a que assisto, assim como gosto de ler obras em que um personagem é escritor e está escrevendo. A literatura é um grande tema, por mais que alguns críticos não vejam com bons olhos que ela se volte sobre o próprio umbigo. Gosto de literatura, vivo-a a todo o momento, pauto minha vida por ela e não seria nada sem ela. Sim, não seria nada. Em que pese ser um bom pai de família, sou dispensável. O homem da casa sempre o é. Como professor, me considero medíocre, apesar de elogios vez ou outra ao meu trabalho. Em outras profissões também fui um fracasso, principalmente na marcenaria, dom que meu pai tem, mas não passou para seu filho mais velho.

Vejo um fracasso também na minha carreira como escritor. Sei que vou publicar meu livro de contos e estou escrevendo um romance. Enfim, estou a pleno vapor. A literatura que eu faço, porém, vai vender muito pouco e, num meio editorial em que o que vale é o dinheiro e o marketing, não terei muito espaço. Salvo se meus poucos e qualificados leitores consigam no boca a boca divulgar meus escritos, se é quem eles merecem ser divulgados.

O fracasso é um dos temas do novo livro do Vila-Matas, Aire de Dylan (Ar de Dylan na edição da CosacNaify), além da metaliteratura que é de praxe na obra do escritor espanhol. Vou escrever sobre o romance mais adiante, pois ainda o estou degustando. Não acho ruim falar de fracasso ou se considerar um fracassado, por isso retomo o “Diário de um fracasso anunciado”, interrompido pois iria utilizar o título na minha dissertação, ideia rechaçada pelo meu orientador, notório otimista. Não sou nem nunca vou ser otimista e, apesar disso, muita coisa boa está acontecendo comigo nos últimos anos, prova de que não é o “pensamento positivo” que resolve.

Antes ser fracassado, porém fazendo o que se gosta e com qualidade, do que ser um sucesso produzindo mediocridade passageira. Das teclas do meu computador, desejo que saia algo que mire um alto padrão. Posso não conseguir, estou longe disso, no entanto é meu objetivo.

quinta-feira, julho 12, 2012

Altair Martins, sobre um dos contos do meu primeiro livro


Sobre "Arranhões":
Cassionei, teu conto é rápido, sem truques. E violento. Gosto disso. (...) O texto e a linguagem são muito bons. E o efeito é único.
Abraços,
Altair