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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2014

O homem da garagem de marfim (ou Me, myself & I)

Gostaria de ter disciplina para a leitura diária, porém sou um indisciplinado por natureza. Estabelecer um planejamento do que ler, partindo de determinados autores e seguir uma ordem cronológica é impossível. No meio do caminho vão aparecendo outros livros que furam a fila e as obras daquele autor ficam para trás. Há muita coisa para ler. Quando penso nisso fico com vergonha de ter publicado dois livros. Já não há escritores e publicações suficientes? Mas aí paro, penso e concluo: eu tenho algo a dizer. Não li durante toda a minha vida (ou seja, ainda li muito pouco) para ser apenas leitor. Li para ser escritor também. E está aí uma coisa que nunca disse: eu sou bom no que faço. Chega de bancar uma de humilde, até porque, mesmo não querendo me enaltecer, já fui chamado de arrogante. Como escrevi num aforismo no meu blog, umas de minhas palavras despedaçadas: arrogo a mim o direito de ser arrogante. A questão é simples. O cara escreve, escreve, depois de ter lido muito, mas muito mesmo.…

No Traçando Livros de hoje, Agustín Fernández Mallo

Um romance sobre o suicídio

No primeiro romance da poeta Micheliny Verunschk, Nossa Teresa – vida e morte de uma santa suicida, publicado pela Editora Patuá, o protagonista é o suicídio. Vocês, meus 2 ou 3 leitores, sabem que é um tema que me atrai.
Temos aqui a história de Teresa, uma menina cujo suicídio nos é narrado logo no início. Conhecida como Beata Teresa de V., consoante que denomina a cidade durante todo o enredo, ela é a padroeira dos suicidados. Apesar de cometer um pecado contra vida, era considerada como santa pelos fieis, por isso um Papa, Petrus II, está prestes a canonizá-la. Ambos viveram na mesma cidadezinha (por sinal, com altos índices de suicídios), ele sendo o orientador espiritual da jovem, quando era simplesmente o padre Simão. (Sim, habemus um papa brasileiro na história.)
Em alguns capítulos, outros suicídios são mencionados, num mosaico de histórias que preenchem o romance, inclusive com reprodução de bilhetes de suicidas guardados numa biblioteca imaginária cujo bibliotecário, se ela…

Aposentadoria do Lauro Quadros

Quando comecei a ouvir as rádios AM's de Porto Alegre, tinha sonho de ser entrevistado pelo Ruy Carlos Ostermann, no Gaúcha Entrevista, que acabou há alguns anos, e pelo Walter Galvani, no Guaíba Revista, que também acabou há algum tempo. Outro programa que adorava e que gostaria de participar era o "Polêmica", da Rádio Gaúcha, com o Lauro Quadros, que se aposentou hoje. Quando trabalhava de auxiliar de escritório, podia ouvi-lo todos os dias. Nos últimos tempos, por estar trabalhando em sala de aula, passei a ouvir somente nas férias ou feriados. Certo dia, opinando sobre um dos temas do programa através do facebook, a produtora me ligou para participar, por telefone, no “Pitaco do ouvinte”, e falei pela primeira vez com o Lauro no ar. Isso se repetiu mais uma vez. Mas em março deste ano, devido a um texto meu publicado na Zero Hora, fui convidado para participar nos estúdios, num programa inteiro! Foi uma emoção muito grande, confesso. No dia, na sala de espera, vejo …

Por que temos que escolher?

Estou há uma semana com esta frase na cabeça: “Prefiro não escolher. Escolher é perder sempre.” Quem disso isso foi Rafael, filho do multiartista Jô Soares, que reproduziu a frase em seu programa de TV, numa homenagem ao menino de 50 anos que havia falecido em decorrência de um câncer no cérebro. Rafael era autista e, por isso, vivia no seu mundo particular, segundo o Jô, trabalhando em sua estação de rádio e tocando piano.
Penso nessa frase a todo o instante porque ela me desestabilizou completamente. Tinha como verdade absoluta a frase “a vida é feita de escolhas”. Tive/tenho que fazer muitas durante esses meus 35 anos de idade mais ou menos bem vividos. Agora entendi porque me tornei um perdedor em certos aspectos. Foram todas as vezes em que tive que escolher. Escolher fazer literatura, por exemplo, me tornou um perdedor. Escolhi ser professor também e perdi ou estou perdendo. Escolhi fazer Letras e perdi. Escolhi fazer mestrado em Letras e perdi. 
Não estou quer…

Traçando Livros de hoje é sobre "Soy un escritor frustrado", José Ángel Mañas