quinta-feira, dezembro 31, 2009

Matando a saudade...








Para fechar o ano, nada melhor do que ouvir, só por diversão e nostalgia, o som no último volume, clássicos da música House do final do anos 80 e início dos 90.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

E também,,,

O texto "Os livros são perigosos?" foi reproduzido também no site Praia de Xangri-Lá, editado por Jorge Pinto Loeffler.
http://praiadexangrila.com.br/os-livros-sao-perigosos/

Na Gazeta do Sul de hoje



Meu texto "Os livros são perigosos?", sobre Fahrenheit 451, Ray Bradbury, saiu na Gazeta do Sul de hoje, no caderno Mix, com uma belíssima diagramação. Porém, infelizmente, foi suprimido o último parágrafo.
Aqui, o texto na íntegra:
Os livros são perigosos?
Sempre que ocorre algum incêndio em favelas ou outro tipo de desastre, como enchentes, um dos primeiros objetos salvos é a televisão. Fico pensando, ao observar minha pequena biblioteca, o quão triste para mim seria vê-la consumida pelo fogo. A televisão é uma coisa fria, sem vida, enquanto os livros parecem humanos, têm sentimentos. Se acontecesse comigo, salvaria os livros.
 O mais duro, porém, é saber que um mecanismo opressivo de um Estado totalitário poderia querer atear fogo na minha biblioteca. É o que acontece na sociedade distópica criada por Ray Bradbury em seu romance Fahrenheit 451. O livro, clássico da ficção científica, publicado em 1953 (foi escrito nos porões de uma biblioteca, onde Bradbury alugava uma máquina de escrever, de acordo com o posfácio escrito por ele) está sendo relançado pela Editora Globo, na coleção Globo de Bolso, com tradução de Cid Knipel, ao preço de R$ 16,80.
Fahrenheit 451 (que corresponde à temperatura em que o papel entra em combustão) conta a história de Guy Montag, bombeiro cuja função não é apagar incêndio, mas queimar livros. Como assim?, está se perguntando o leitor agora. Pois nessa sociedade futura, as casas são pintadas com um produto que as protege de incêndios. Já os livros são proibidos, com a alegação de que tira a paz das pessoas e as deixa deprimidas. Por isso, ao receberem denúncias, os bombeiros são chamados para acabar com eles. As pessoas que vivem nessa sociedade têm como divertimento assistir à televisão, disposta nas paredes das casas, onde os moradores interagem com a chamada “família”. “A TV molda as pessoas como bem deseja! É um ambiente tão real quanto o mundo. Ela se torna a verdade e é a verdade. Os livros podem ser postos de lado com razão”. Mildred, esposa de Montag, passa o tempo todo vidrada nas paredes, não ficando muito tempo longe dessa sua “família”.
Uma nova vizinha, a adolescente Clarisse, muda a mente de Montag. Ela o ensina a ver as coisas boas da vida e pergunta a ele se é feliz. A partir desse momento o bombeiro começa a ter curiosidade de ler o que está nos livros que são incinerados e os rouba. O que trazem esses objetos a ponto de preocupar tanto às pessoas como Beatty, seu chefe no corpo de bombeiros? Aliás, em uma passagem do romance, uma descrição ao mesmo tempo bela e apavorante, Montag imagina a voz do seu superior o orientando: “Observe. Delicadamente, como as pétalas de uma flor. Acenda a primeira página, acenda a segunda página. Cada uma se torna uma borboleta preta. Linda, não é? Acenda a terceira página na segunda e assim por diante, fumaça em cadeia, capítulo a capítulo, todas as coisas estúpidas que as palavras significam, todas as falsas promessas, todas as noções de segunda mão e filosofias desgastadas pelo tempo.”
 O romance (adaptado para o cinema por François Truffaut em 1966) é um registro de amor pelos livros, seja no papel ou guardado na memória, que foi a maneira encontrada pelos resistentes para conservar o conhecimento sem serem presos. O objeto livro nessa história também simboliza toda a obra intelectual que nos faz pensar sobre a condição humana, tanto no aspecto psicológico quanto no aspecto social e, consequentemente, é perigosa para os interesses do Estado. Ao mesmo tempo, Fahrenheit 451 é uma crítica à televisão que estava se tornando um sucesso na época. Ray Bradbury, hoje com 89 anos, a julgava como um objeto alienante, que limitava a mente das pessoas.
Fica a reflexão: O que preferimos? A realidade anestesiante desse objeto retangular, cheio de imagens e sons, chamado televisão? Ou a realidade inquietante, perigosa, desse objeto retangular, cheio de letras impressas e imaginação, a que chamamos livro?

terça-feira, dezembro 29, 2009

A Record do Reino de Deus e do Ateísmo

Já comentei algo semelhante nesse post, do qual reproduzo um trecho:

Isso me fez recordar do que ouvi em uma palestra há alguns anos, de um professor de linguística da Alemanha, na Semana Acadêmica de Letras da UNISC. Nos primeiros dias em que estava morando no Brasil, assistia à TV pela manhã bem cedo, quando começou um programa desses da Igreja Universal. Como tema de abertura, a música “Also sprach Zaratustra”, de Richard Strauss. Disse o palestrante: “ora, o que falou Zaratustra na obra de Nietzsche? –Deus está morto. Das duas, uma – ou os membros da IURD são ignorantes e usaram a música sem saber seu significado, ou realmente não é Deus quem é o exaltado nesta instituição.”

Mas fico surpreso (ou não, como diriam o Caetano e o Cléber Machado) com o espaço dado aos ateus na emissora. Dia desses, li que Dr. House, cujo seriado tem uma considerável audiência, é ateu. Hoje vi que no portal R7, pertencente ao grupo Record, há um espaço para os blogs de dois jornalistas ateus: André Forastieri e Marco Antônio Araújo. O primeiro escreveu o um texto interessante sobre Mitra e afirmou que Jesus não existiu. Claro que houve alguns que o criticaram por isso, poucos é verdade. Uma comentarista sugeriu até a demissão dele. Já Marco Antônio Araújo, cujo blog se chama O Provocador, se declara ateu já no perfil e ainda escreveu um post sobre isso.

Não sei se é uma maneira de dizer que a Record é democrática ou quer passar uma imagem de isenção religiosa. Mas me chamou bastante atenção isso.


segunda-feira, dezembro 28, 2009

Importância da vírgula

Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.
Não espere.


Ela pode sumir com seu dinheiro...

23,4.
2,34.


Pode criar heróis...

Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.


Ela pode ser a solução...

Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião...

Não queremos saber.
Não, queremos saber.


A vírgula pode condenar ou salvar...

Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!


Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.




quinta-feira, dezembro 24, 2009

Os livros são perigosos?

por Cassionei N. Petry

Sempre que ocorre algum incêndio em favelas ou outro tipo de desastre, como enchentes, um dos primeiros objetos salvos é a televisão. Fico pensando, ao observar minha pequena biblioteca, o quão triste para mim seria vê-la consumida pelo fogo. A televisão é uma coisa fria, sem vida, enquanto os livros parecem humanos, têm sentimentos. Se acontecesse comigo, salvaria os livros.

O mais duro, porém, é saber que um mecanismo opressivo de um Estado totalitário poderia querer atear fogo na minha biblioteca. É o que acontece na sociedade distópica criada por Ray Bradbury em seu romance Fahrenheit 451. O livro, clássico da ficção científica, publicado em 1953 (foi escrito nos porões de uma biblioteca, onde Bradbury alugava uma máquina de escrever, de acordo com o posfácio escrito por ele) está sendo relançado pela Editora Globo, na coleção Globo de Bolso, com tradução de Cid Knipel, ao preço de R$ 16,80.

Fahrenheit 451 (que corresponde à temperatura em que o papel entra em combustão) conta a história de Guy Montag, bombeiro cuja função não é apagar incêndio, mas queimar livros. Como assim?, está se perguntando o leitor agora. Pois nessa sociedade futura, as casas são pintadas com um produto que as protege de incêndios. Já os livros são proibidos, com a alegação de que tira a paz das pessoas e as deixa deprimidas. Por isso, ao receberem denúncias, os bombeiros são chamados para acabar com eles. As pessoas que vivem nessa sociedade têm como divertimento assistir à televisão, disposta nas paredes das casas, onde os moradores interagem com a chamada “família”. “A TV molda as pessoas como bem deseja! É um ambiente tão real quanto o mundo. Ela se torna a verdade e é a verdade. Os livros podem ser postos de lado com razão”. Mildred, esposa de Montag, passa o tempo todo vidrada nas paredes, não ficando muito tempo longe dessa sua “família”.

Uma nova vizinha, a adolescente Clarisse, muda a mente de Montag. Ela o ensina a ver as coisas boas da vida e pergunta a ele se é feliz. A partir desse momento o bombeiro começa a ter curiosidade de ler o que está nos livros que são incinerados e os rouba. O que trazem esses objetos a ponto de preocupar tanto às pessoas como Beatty, seu chefe no corpo de bombeiros? Aliás, em uma passagem do romance, uma descrição ao mesmo tempo bela e apavorante, Montag imagina a voz do seu superior o orientando: “Observe. Delicadamente, como as pétalas de uma flor. Acenda a primeira página, acenda a segunda página. Cada uma se torna uma borboleta preta. Linda, não é? Acenda a terceira página na segunda e assim por diante, fumaça em cadeia, capítulo a capítulo, todas as coisas estúpidas que as palavras significam, todas as falsas promessas, todas as noções de segunda mão e filosofias desgastadas pelo tempo.”

O romance (adaptado para o cinema por François Truffaut em 1966) é um registro de amor pelos livros, seja no papel ou guardado na memória, que foi a maneira encontrada pelos resistentes para conservar o conhecimento sem serem presos. O objeto livro nessa história também simboliza toda a obra intelectual que nos faz pensar sobre a condição humana, tanto no aspecto psicológico quanto no aspecto social e, consequentemente, é perigosa para os interesses do Estado. Ao mesmo tempo, Fahrenheit 451 é uma crítica à televisão que estava se tornando um sucesso na época. Ray Bradbury, hoje com 89 anos, a julgava como um objeto alienante, que limitava a mente das pessoas.

Fica a reflexão: O que preferimos? A realidade anestesiante desse objeto retangular, cheio de imagens e sons, chamado televisão? Ou a realidade inquietante, perigosa, desse objeto retangular, cheio de letras impressas e imaginação, a que chamamos livro?

domingo, dezembro 20, 2009

Mitos e ritos das festas de final de ano (parte II)


Já o Ano-Novo tem um caráter mais universal. Nenhuma religião quis ser dona dessa data. Há um ecumenismo significativo, que origina vários rituais e superstições interessantes.

Esse período também é conhecido por réveillon, que em português significa "despertar". Mais uma vez a metáfora do nascimento aparece, sendo que um novo ano nasce e temos que nos renovar. Na virada, usamos roupa de cores que simbolizem algo, a mais usada é o branco, representando o desejo de paz. Outros preferem o vermelho, para atrair uma paixão, ou amarelo, para atrair dinheiro. Comer lentilha ou guardar as sementes na carteira também é uma superstição para quem quer melhorar sua vida financeira. Não se deve comer aves, para não deixar a felicidade voar para longe. Outra superstição é pular 7 ondas no mar e fazer pedidos. Poderia elencar ainda vários ritos realizados por diferentes pessoas, com crenças diferentes, todos com o objetivo de atrair boas energias ou bons fluidos, de acordo com a nomenclatura dos místicos. Se funcionam ou não, é crença de cada um, mas acredito que não tem nada a ver com nenhuma força superior, mas sim a força interior que temos. Se estamos dispostos a construir um ano melhor, faremos com os ritos ou sem eles.

É bom lembrar que o primeiro mês do ano é janeiro, cujo nome é uma homenagem ao deus romano Jano, porteiro dos céus, sempre representado com duas cabeças, uma olhando para frente, o futuro, outra olhando para trás, o passado. Assim como Jano, não podemos esquecer o ano que passou. Temos que avaliar tanto os acertos, para repeti-los ou aprimorá-los, quanto os erros, para não cometê-los mais. Só assim estaremos preparados para encarar o novo ano e enfrentar os novos desafios.