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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

Crônica de um chato sobre outros chatos

Um homem corta uma árvore ao pé do Cinturão Verde, não se importando com a possibilidade de a planta ser a sustentação de um barranco, que pode mais adiante destruir a casa desse mesmo indivíduo. Cachorros, possivelmente mal alimentados, destroem sacos de lixo em busca de comida ou mesmo restos de papeis higiênicos usados, espalhando sujeira e riscos de doenças. Um jovem escuta música no seu celular, sem fone de ouvido, dentro de um ônibus, enquanto um carro na pista ao lado faz “tremer o chão” com seu som potente, ambos sem perguntar se os demais querem ouvir o mesmo tipo de música. Outro jovem, já nem tão jovem assim, compra uma casa geminada para fazer festas, começando muitas vezes depois das dez da noite, não se importando com o outro vizinho cuja parede é grudada a dele.
Liguei o “modo chato” do meu sensor interno para escrever essa crônica e falar sobre gente chata que me incomoda, mas que também deve incomodar a tantos outros que me leem.
No último domingo, escutei o som de …

33 de novo

Aforismo XVII

Já fui de esquerda, já flertei com a direita, já me considerei de centro. Hoje sigo o meu próprio caminho, que não é um só.

Häxan - A feitiçaria através dos tempos

Filmaço de 1922. Só tinha lido sobre ele, mas somente graças aos que ainda mantêm o compartilhamento de arquivos na internet pude assisti-lo. Por isso digo que sem download ficaremos mais burros. Pode ser encontrado em http://www.downloadcult.com/2011/08/14/0016-haxan-a-feiticaria-atraves-dos-tempos-1922/.

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Juan Villoro no Traçando Livros de hoje

http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/325474-juanito_e_os_livros/edicao:2012-01-25.html
Juanito e os livros
Cassionei Niches Petry



O Traçando Livros de hoje é destinado aos jovens entre 10 e 100 anos, que não sabem ainda o que ler nestas férias ou querem ampliar seu rol de leituras. A traça que vos escreve acaba de sair de um paraíso. Um livro cuja história se passa em um casarão abarrotado de suculentos volumes prontos para serem devorados. O problema é agarrá-los, pois eles têm vida e saem das prateleiras, se escondendo às vezes. Um deles, inclusive, precisa ser domado: é O livro selvagem.
A história, escrita pelo mexicano Juan Villoro, com tradução de Antônio Xerxenesky e publicada pela Companhia das Letras, tem como protagonista Juanito, cujos pais se separaram há pouco tempo. Ele foi passar as férias com o tio Tito, numa casa repleta de livros e três gatos. Seu tio vivia o tempo todo lendo e tomando um “chá de cachimbo”, o que o fazia ir ao banheiro seguidamente. A cozinha e a li…

Juan Villoro no Traçando Livros de quarta-feira

El libro salvaje, de Juan Villoro, será o tema do Traçando Livros desta semana. Aqui neste link, estão disponíveis ilustrações da história que infelizmente não constam da edição brasileira feita pela Cia. das Letras.

Canal-L: Juan Villoro. "El libro Salvaje"

Escribe Juan Villoro

"La lectura es como el paracaidismo: en condiciones normales la practican algunos espíritus arriesgados, pero en caso de emergencia le salva la vida a cualquiera."

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Escribiendo

“Dentro de una pieza cavernosa, esferoide, un novelista se encontraba escribiendo. Al parecer, de lo más entretenido.”
 Em “Aventuras de un novelista atonal”, de Alberto Laiseca.

Diário de um fracasso anunciado: as angústias da criação (IV)

19/01/2012
Há uma pilha de livros sobre criação literária ao meu lado. Depois de escrever os dois últimos artigos, ou melhor, ensaios para disciplinas do mestrado, agora é mergulhar na dissertação e no romance. Para quem está lendo meu blog pela primeira vez, meu estudo será sobre o processo de criação da narrativa longa que estou escrevendo, e isso envolve a leitura de textos sobre o assunto. Mas como esse diário é sobre o possível fracasso que será meu livro, vou falar sobre outros dois fracassos anunciados.
Tenho prontos dois livros para serem publicados. Prontos é força de expressão, porque estou sempre tentando melhorar alguma coisa neles. Um é de contos, um projeto antigo, e que está nas mãos de uma editora aqui da cidade. Iria sair no início do ano passado, depois passou para o final do ano e agora, talvez, saia em 2012. Esse já é um fracasso antes de ser publicado. Confesso que, como sempre, as esperanças são poucas, mas é o livro que está mais próximo de sair da gaveta.
O outro …

BBB e o narcisismo

http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/324350-bbb_e_o_narcisismo/edicao:2012-01-18.html

Todos nós somos um pouco narcisistas, já dizia Freud. Uma das primeiras coisas que fazemos pela manhã é olhar para o espelho. Na maioria das vezes, nos assustamos com o que vemos. Começa aí todo o processo de cuidar da aparência e, num grau de narcisismo menor, a pessoa vai apenas lavar o rosto, escovar os dentes e pentear o cabelo. Em graus maiores, não se deixa nem o quarto sem aplicar uma maquiagem. Antes de sair de casa, mais uma olhadela no espelho. Na rua, até as vitrines das lojas servem para dar mais uma conferida no visual. Os vidros dos carros estacionados também servem. Vale tudo para cuidar da vaidade.
Muitos sabem o significado de narcisismo, mas poucos conhecem a história que deu origem à expressão. Na mitologia grega, Narciso era filho do deus Cefiso e da ninfa Liríope. Logo após seu nascimento, um oráculo previu que sua vida seria longa, desde que nunca olhasse para si mesmo. Seus …

Escritores de culto, no Babelia de hoje

Lógico que Vila-Matas está na lista desses escritores "sagrados", "deuses" com seu "adoradores"... Imperdível o suplemento Babelia, do jornal El País de hoje.

Tentando descrever o que é o Facebook

1) Facebook é um lugar onde as pessoas satisfazem seus desejos de copiar/colar, copiar/colar, ad infinitum...
2) Facebook é um lugar onde a produção própria é menos apreciada do que o cópia/cola.
3) Facebook é um lugar onde as pessoas curtem inclusive notícias sobre acidentes, desastres, mortes...
4) Facebook é um lugar onde você entra e depois se pergunta por que entra. E depois entra de novo, ad infinitum...
5) Facebook é um lugar onde história não é um texto que tem início, meio e fim ou registro de fatos importantes para a humanidade.
6) Facebook é um lugar onde você critica as bobagens que outros compartilham e depois compartilha as suas bobagens.
7) (descrição censurada)

Duas perguntas básicas sobre o piso dos professores e o jornal Zero Hora

1 - Por que em nenhum momento o jornal Zero Hora (me refiro à edição de hoje, mas serve para outras edições) menciona que o estado, caso não consiga pagar o piso, deve pedir ajuda para o governo federal. Lembrando que o estado tem que justificar por que não pode pagar. 2 - Por que a coluna página 10, mesmo com uma interina, sempre pede a opinião da ex-secretária Mariza Abreu, a qual, por sua vez, sempre fala em mexer no plano de carreira do magistério?

Falando sobre a minha doença no Traçando Livros de hoje

Minha página no Mix de hoje no jornal Gazeta do Sul, sobre Enrique Vila-Matas: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/323208-enfermidade_literaria/edicao:2012-01-11.html
Enfermidade literária
Cassionei Niches Petry

Sou um homem doente. Não como o “homem do subsolo”, de Dostoiévski, pois não sou mau, tampouco sofro do fígado. Minha doença é a literatura. Há pouco fiquei sabendo: minha irmã, que é manicure, tem uma cliente que me viu de pé, escorado numa parede, na frente de um grande supermercado da cidade, onde esperava minha esposa sair do trabalho, no meio de uma movimentação intensa de véspera de Ano-Novo. E eu estava lendo! Imagine! “Só pode ser doente”, disse a senhora. Tenho que admitir que talvez esteja mesmo, mas não pretendo me curar. Se os leitores querem me dar uma força, torçam para que eu não me cure jamais.
A doença foi muito bem diagnosticada em um livro de outro doente e dá título ao volume, O mal de Montano, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas (CosacNaify, traduçã…

Estou doente

Estou doente. Quarta-feira eu digo qual é minha doença. Torçam por mim.

Poemas sobre o suicídio (II)

(VERUNSCHK, Micheliny. A cartografia da noite.
São Paulo: Lumme Editor, 2010.)

Lugar para escrever

Vila-Matas no seu "rincón"
“Os cadernos de capa azul, os dois lápis, o apontador de lápis (com o canivete desperdiçaria muito), as mesas com seus tampos de mármore, o perfume das primeiras horas da manhã, apagar aqui, corrigir ali, mais um bocado de sorte - eis tudo o que era necessário.” Isso era o essencial para Hemingway no seu ritual de escrita, segundo relata em Paris era uma festa, suas memórias do início de carreira, quando foi viver na capital francesa. Reli o livro antes de mergulhar em Paris no se acaba nunca, de Enrique Vila-Matas, que narra a tentativa do escritor catalão de imitar seu ídolo literário. No meu caso, sinto a falta da minha biblioteca, que ainda não foi montada aqui na casa nova – estou apenas aguardando o meu pai instalar a porta da garagem onde ela terá seu espaço –, e o meu computador. Não é que não goste do notebook, mas estava acostumado com meu PC, minha escrivaninha, as duas estantes de livros atrás de mim e as revistas e os papéis espalhados po…

Aforismo XVI

O Diabo me disse: "Sobe e incomoda!"

Diário de um fracasso anunciado: as angústias da criação (III)

"Martinique", foto de André Kertész
04/01/12 Entre as angústias da criação, está a angústia da influência. É o título, aliás, de um livro de Harold Bloom. As influências perseguem o escritor. Às vezes é o escritor que as persegue. A sombra sobre mim agora é a de Enrique Vila-Matas, o que lembra a capa do seu livro de contos Exploradores del abismo, ilustrada com uma foto de André Kertész. Na contracapa do volume editado pela Anagrama, de Barcelona, lê-se que, quando perguntado sobre o que estava escrevendo depois da publicação de Doctor Pasavento, Vila-Matas respondeu: “Escribo el título de un libro”. A partir do título, que tinha a ver com a sensação de estar com um abismo a sua frente depois de terminar seu romance, o escritor catalão começou a escrever os relatos, sempre relacionados ao tema. Meu romance também começou com um título, citado entre as obras de um personagem que é escritor em um dos contos do meu livro ainda inédito. Escritor que escreveu inclusive um livr…

A luta e a vida

Meu texto, já publicado anteriormente aqui no blog, saiu hoje na página de opinião da Gazeta do Sul: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/321621-a_luta_e_a_vida/edicao:2012-01-02.html

Muitos falam que a vida é uma luta diária. Mas de que tipo ela seria? Uma das artes marciais, como o judô, o jiu-jitsu, o karatê, o kung fu ou a capoeira? Ou de outras categorias como o boxe, o sumô e o telecatch? É interessante falar em artes marciais nesse período que corresponde à entrada de um novo ano. Marcial vem de Marte, o deus da guerra na mitologia romana. Cada começo de ano tem a ver com uma nova guerra em que vamos entrar – lembrando que na antiguidade o ano começava em março. Quando falamos em artes marciais, falamos sobre artes de combate em que não se usa armas, o que já é uma boa ideia para um mundo que busca a paz. Podemos encarar a vida no próximo ano como uma luta de judô. Aqui a estratégia é importante. Estudamos atentamente nosso objetivo antes de agarrá-lo. A palavra…

Feliz 2012 aos leitores do Porém, ah, porém!