Uma rua, muitas lembranças
As visitas à minha mãe aos domingos por vezes me fazem lembrar da minha rua da infância. O barro, as valetas, as casas de madeira (a do meu avô era uma das poucas de “material”, como chamávamos as de alvenaria), as bolitas ou clicas espalhadas pelo chão ainda sem paralelepípedos. Naqueles finais de tarde na Rua Acre, depois das aulas no Luiz Dourado, o tempo não passava apenas pelos ponteiros do relógio: passava pela luz do sol sumindo atrás das árvores e pelo grito da mãe, ainda com avental cheirando a fumo devido ao trabalho nas fumageiras, chamando para lavar os pés encardidos antes de entrarmos em casa. Éramos donos daquele vasto território. A Rua Acre, antes de ganhar o calçamento e a pressa dos carros, era o nosso palco. Ali, nos agachávamos para jogar clica. A maior riqueza que um menino podia ostentar cabia nos bolsos do calção: duas bolitas leiteiras e uma “argentina”. Era nosso tesouro. Quando cansávamos do jogo de chão, o mundo se expandia em duas rodas. Empinávamos biciclet...






