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Escrevi sobre "Mac y su contratiempo", de Vila-Matas, no site Amálgama

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Sinto cheiro de podre no ar

“Aquelas pessoas estavam apodrecendo e não sabiam.” Assim termina uma crônica de Nelson Rodrigues em seu livro O reacionário – memórias e confissões (Editora Nova Fronteira). Nelson está na pauta mais uma vez, devido à adaptação dos seus textos no Fantástico. O curioso é que muita gente que considera a palavra reacionário um xingamento ao tempo enaltece a obra do escritor, dizendo que ele faz falta e tal. Pinçam algumas frases que atingem justamente a eles e acham que estão “lacrando”, como costumam dizer.
A frase acima encerrava uma crônica de 1970, que falava sobre um velho comunista que, numa reunião de intelectuais (“Preliminarmente, devo confessar meu horror ao intelectuais, ou melhor dizendo, a quase todos os intelectuais”), afirmou que era inevitável o assassinato em nome da ideologia. Nelson, então, contestou: “Se você acha inevitável um assassinato de um inocente, também é um assassino”.
Não é diferente do que vemos hoje, quando pessoas defendem bandidos em nome de um partido,…

Na minha coluna no Digestivo Cultural escrevo sobre Lúcio Cardoso

Escrevi sobre "A Jaca do Cemitério é Mais Doce", de Manoel Herzog, no Amálgama

Bauman foi mais esperto (XX) – Já te contaram?

“Às vezes não nos contam toda a história”, diz o diretor de um filme dentro de outro filme, Império dos sonhos, de David Lynch. O filme dentro de um filme, um sonho dentro de um sonho, um corpo dentro de outro corpo, o tempo dentro de outro tempo, uma história dentro de outra história.
São assim os filmes e séries de Lynch. Twin Peaks, o que foi aquilo!
Gosto de obras de arte assim. Um quadro de Magritte, um romance de Vila-Matas, um conto de Cortázar, uma música de Humberto Gessinger. Metaficção. Matryoshka. Ororoboro. Segui por este caminho em alguns de meus contos e principalmente no romance publicado, porém inédito, Os óculos de Paula. Se alguém fez o favor de ler, sabe do que estou dizendo.
Mas volto à frase do diretor, que contava ao casal de atores sobre um fato acontecido com o casal de atores da primeira versão desse filme. Um assassinato. Ninguém queria contar à equipe atual sobre uma possível maldição para quem participa desse trabalho. Esconder os fantasmas, imaginários ou re…

Resenhei "Sempre vivemos no castelo", de Shirley Jackson

Na minha coluna "Uma biblioteca na cabeça", do Portal Entretextos, escrevo sobre "Sempre vivemos no castelo", de Shirley Jackson (Suma de Letras, selo da Companhia das Letras): http://www.portalentretextos.com.br/materia/uma-casa-nada-engracada,12713

Bauman foi mais esperto (XIX) – Lendo gibi

Fui ontem com a família ao centro da cidade, mais precisamente à praça da igreja matriz, para tomar chimarrão. Um costume comum em qualquer cidade, mas que para nós é algo meio raro, em parte porque a minha esposa trabalha dois domingos por mês, mas o principal motivo é que não gosto de sair da minha toca e ficar longe dos meus livros, meus discos e o computador onde escrevo estas linhas e também é fonte de outras tantas leituras.
Mas o motivo desta crônica (que retoma a série “Bauman foi mais esperto” do meu blog) não foi nossa saída, mas sim a reação de um menino que me viu lendo um gibi que havia aproveitado para comprar na banca. “O Tio Patinhas!”, ele disse, admirado, talvez porque um marmanjo estava lendo esse tipo de publicação (minha filha já havia feito uma brincadeira comigo quando me viu voltando da banca com o exemplar na mão).
Quem ficou mais admirado, na verdade, fui eu. O guri deveria ter uns 8 ou 9 anos e brincava com outro da mesma idade. E hoje não há quase crianças q…