A fé dos outros e o meu jornal de domingo
Morar em Santa Cruz do Sul tem dessas ironias. A cidade te abraça sob o túnel verde das tipuanas, com o cheiro de cuca assando no forno das padarias e a Catedral São João Batista fincando suas torres pontiagudas no céu. É um monumento belíssimo, não tem como não admitir. O problema é que, para quem traz o ceticismo cravado no peito, viver sob a sombra de uma catedral numa terra batizada de Santa Cruz do Sul é uma piada pronta do destino. Fui buscar o jornal na Banca, costume que andei perdendo devido à internet. Com o exemplar dobrado debaixo do braço, decidi sentar em um dos bancos da praça bem em frente à catedral, apesar do frio desta manhã de agosto. É a hora em que os sinos dobram. As famílias desfilam em direção às escadarias da igreja, ostentando a serenidade dos que têm certeza do amanhã. Eu, por outro lado, me acomodo no banco de concreto e madeira com o papel impresso e três fantasmas (de um morto e de dois ainda bem vivos) me fazendo companhia. Um é Christopher Hitche...






