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Mensagens

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …
Mensagens recentes

O cara e a mina (Delação premiada)

O sujeito se senta para escrever uma crônica, mas o que sai é uma letra de música, um rockzinho fuleiro. Perdoem-no, ele não sabe o que faz:

O cara quando diz que não foi ele foi A mina quando diz que não vai ela vai O cara quando apronta esconde o que fez A mina quando apronta faz mais uma vez No cara e na mina não dá pra confiar O cara e a mina vivem pra te enganar Na cama, na política, em qualquer lugar Abra o olho que eles acabaram de chegar
Refrão: Cuidado com o cara, cuidado com a mina Cuidado com quem parece ser gente fina Seu bolso tá em perigo, confie no que eu digo, Cuidado com quem quer ser muito seu amigo
O cara e a mina eram amigos meus O cara e a mina dizem acreditar em Deus O cara e a mina por fora são legais Por dentro suas mentes são pior que Satanás O cara conseguiu se eleger deputado A mina foi mais longe e chegou ao Senado O cara e a mina iam mudar o Brasil Agora mandam o povo pra puta que o pariu!
(Refrão)
O cara recebeu dinheiro de empreiteiro A mina desviou dinheiro da educação O cara p…

Escrevi sobre "Nós", de Zamiátin, para a Revista Amálgama

Meus textos na Zero Hora e na Gazeta do Sul de hoje

Meu artigo "Quem é mesmo massa de manobra?" saiu hoje na página de opinião do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Com o mesmo título, mas numa versão estendida, o artigo foi publicado no jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul.

Mais uma coluna minha no Digestivo Cultural

Sísifo

1. Às vezes cansa existir. Cansa mesmo. No entanto, existimos. Não há um benfeitor que nos esmague com a ponta dos seus dedos como o faz Antoine Roquentin com uma mosca. “- Era um favor a se prestar a ela”, justifica-se perante o amigo que tentou impedi-lo. Esta passagem faz parte do romance A náusea, de Jean-Paul Sartre, ficção filosófica que discute justamente esse sentimento esquisito que é se saber no mundo. Por isso leio, leio e leio. É o que me conforta. Aliás, me causa um desconforto que me acalma. As inquietações provocadas pelas minhas leituras me conduzem, me elevam, não me deixam desistir da existência. Cansa existir. Basta, entretanto, descansar e começar tudo de novo, abrir um novo livro e empurrar a pedra até o topo do morro que vejo daqui da porta da minha toca. Sei que ela vai descer depois. Vai rolar de volta. Se não passar por cima de mim, tudo bem.

Júlio Nogueira retorna para dizer o que o fez abandonar uma leitura

Júlio Nogueira entra em contato comigo nesta madrugada do dia 17 de junho para que eu publique uma pequena crítica no blog. Voltou a dar aulas, mas continua refugiado numa chácara no interior do RS, talvez próximo onde morou por um tempo o Belchior. Contou que andou tentando escrever em um outro blog, dessa vez com um pseudônimo, mas não deu muito certo. Havia publicado este texto por lá. “Acho que no teu blog haverá mais leituras”, ele diz, ingenuamente.
Um livro que tentei ler dessa nova geração de escritores que desponta nas redes sociais (e sabe lidar muito bem com ela, diga-se) foi Jantar Secreto, de Raphael Montes, editado pela Companhia das Letras, uma editora com uma capacidade enorme de dar um ar de sofisticação para algumas porcarias. Espero sinceramente ter começado com o romance errado a conhecer o jovem escritor, porque a primeira impressão não foi nada boa nas primeiras páginas da obra. Sim, não fui adiante na leitura, e olha que costumo ler até o fim livros ruins.
O mote…