“Decifra-me ou te devoro”
“Decifra-me ou te devoro” por Cassionei Niches Petry Em alguns momentos da minha vida eu andava sempre com a Bíblia debaixo do braço. Não ficava, porém, apenas com ela debaixo do braço. Eu também a lia. Lia, sublinhava, fazia anotações. E a questionava. Talvez a sua leitura a tenha me tornado o ateu que sou hoje. Ou, como costumo dizer, voltado a ser ateu, afinal, nascemos sem crença alguma. É um livro repleto de contradições, mas não é o meu objetivo debatê-las agora. Um dos métodos que seguia para ler a Bíblia era abrir aleatoriamente uma página, apontar com o dedo um trecho, de olhos fechados, e depois desfrutar dos versículos ao acaso. Achava que era alguma mensagem divina. Hoje utilizo a mesma estratégia, mas com os livros do filósofo Friedrich Nietzsche. Abro aleatoriamente uma página de Humano, demasiado humano II , em uma edição de bolso da Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza. Na página 117, um aforismo, de número 348, me chama a atenção: “Da terra dos ...








