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Vargas Llosa: crítico dos outros e de si mesmo

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Nas páginas centrais do Caderno de Sábadodo Correio do Povo, de Porto Alegre, antecipo, num curto ensaio, o que vou abordar na minha participação no 10º Festival de Inverno de POA: a atividade de Vargas Llosa como crítico literário.
Os primeiros ensaios literários de Mario Vargas Llosa foram reunidos no volume Contra vento e maré (Francisco Alves, tradução de Carlos Jorge Branco Bailly), definido por ele mesmo, sem receio da autocrítica, como uma “súmula de contradições, ingenuidades, equívocos e uma ou outra intuição feliz (...)”. Logicamente, isso se refere a um conjunto de textos que envolvem não apenas a crítica literária realizada pelo escritor peruano, mas também a análise política presente na obra, principalmente em relação ao que pensavam Sartre e Camus, símbolos, de certa forma, de uma mudança de ideias e uma revisão ideológica de Vargas Llosa. O crítico elogia o trabalho do autor de A náusea enquanto concorda com sua visão política e faz ressalvas à obra do criador de O estra…

Vila-Matas sem contratempo

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A Enrique Vila-Matas pode-se atribuir o que diz o narrador de La parte inventada, de Rodrigo Fresán: “Era un adicto a los escritores. Nada le interesaba más como tema y trama”. E é o que acabam esperando os seus leitores, sempre sedentos por mais um enredo em que um personagem ora se veja envolvido com o processo de criação literária, ora num momento de total falta de inspiração, ora lendo e comentando sobre suas leituras, ora recusando-se a escrever. O recente romance (diário, livro de contos ou ensaio) de Vila-Matas tem um pouco de tudo isso. E mais, ele também se volta para a própria obra, inclusive de forma crítica. Mac e seu contratempo (Companhia das Letras, 288 páginas, tradução de Josely Vianna a Baptista) tem como narrador e protagonista um advogado de mais de sessenta anos que decide escrever uma obra literária, depois de anos sendo apenas um bom leitor, e agora com mais tempo, pois perdeu o emprego. O que lemos, na verdade, é um diário sobre esse seu intento. Mac Vives Vehin…

Mais um Nobel para um brasileiro (pelo menos na ficção)

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O Nobel de Literatura é um prêmio que causa polêmica. Há sempre discussões acaloradas sobre quem perde ou quem ganha, principalmente agora, com a amplificação proporcionada pelas redes sociais. Há pouco tempo, houve quem fosse contra o vencedor ser o compositor Bob Dylan, enquanto Philip Roth, para citar apenas um nome entre tantos, era preterido.
Neste ano, uma denúncia de abuso sexual envolvendo membros da Academia Sueca, que escolhe o vencedor, fez com que o prêmio fosse cancelado. Por ironia do destino, logo depois do escândalo, morreu Philip Roth, em cuja obra há personagens que costumam assediar mulheres. Entra na lista seleta de escritores que não foram contemplados, como Borges, Nabokov, Kafka, Cortázar, Tolstói, Drummond, Proust, Joyce...
Quantos aos brasileiros, a decepção é por jamais nosso país ter sido merecedor de um Nobel, em que pese termos batido na trave algumas vezes, pelo que consta nos arquivos revelados pela Academia. Na ficção, no entanto, já foram escritas alguma…

"Escreve & Conta"

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Elaborado por alunos da Unisc, o projeto "Escreve & Conta" traz entrevistas sobre o processo de escrita criativa. Participo do episódio 1 (ESCRITA CRIATIVA: DANDO VIDA ÀS IDEIAS) e do episódio 2 (MOLDANDO A IDEIA: O ROMANCE LITERÁRIO). Confira os vídeos dirigidos pela Vanessa Garcia neste blog: https://escreveeconta.blogspot.com/p/episodios.html.  Também estão disponíveis podcasts com as entrevistas na íntegra.

Conto inédito: "Jeremias falou"

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Foi republicado o meu conto "Jeremias falou" no jornal Fuxico nº 40, publicação do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Feira de Santa - BA. Na edição anterior, o texto estava truncado.

Júlio Nogueira escreve sobre "Quincas Borba"

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Estou desmotivado para escrever sobre livros, mas o Júlio Nogueira, meu mestre imaginário e colaborador do meu blog (autor, para quem não sabe, de um “esboço da minha biografia precoce não autorizada”) enviou pelos Correios há dois meses (só chegou agora) um manuscrito com uma de suas notas de leitura (no caso releitura). Aproveito para perguntar: quando os cadernos com as notas de leitura de meu outro mestre (este bem real), Elenor Schneider, virão a público?
Notas de leitura sobre Quincas Borba, de Machado de Assis
Apesar de ser considerada uma das obras-primas de Machado de Assis, Quincas Borba não é um romance tão conhecido como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. No entanto, o Bruxo do Cosme Velho mais uma vez mostrou toda a sua criatividade e empenho de fazer uma obra diferenciada para a época, a começar pelo título, que confunde propositalmente o leitor. Para algum desavisado, o Quincas Borba que intitula o livro seria o mendigo filósofo, amigo de Brás Cubas, e a narr…

"Fugindo da manada" na Gazeta do Sul de hoje

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