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Arranhões, um conto de Cassionei Niches Petry

  ARRANHÕES O calçado arranhando o calcanhar a deixa irritada. Resolve tirá-lo. Não adianta mesmo ficar com os sapatos, pois não vai poder sair para comprar a comida do seu gatinho.  Vai à sacada se divertir com o balé dos guarda-chuvas na rua. Ela está seca e protegida, e isso a faz se sentir superior. Ri quando um carro passa sobre uma poça d’água, molhando as pessoas na parada de ônibus. Ri quando pedestres, nos seus trajetos, se arranham nas paredes para buscar abrigo. Ri quando uma mulher pisa em uma laje solta da calçada e também fica encharcada. Arranha a garganta de tanto rir, esquecendo-se de que poderia ser ela mesma nessa situação.  “Guardei até onde eu pude guardar  o cigarro deixado em meu quarto  é a marca que fumas  confesse a verdade não deves negar.”  Sim, um cigarro cairia bem agora, porém os conselhos do médico estão ainda nítidos na sua memória. Era como se o fumo estivesse arranhando seu pulmão. “Os meus cabelos brancos me obrigam...

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