Até os gênios cochilam
Somos no dia a dia obrigados a chegar à perfeição no nosso trabalho. Querem de nós o relatório impecável, o prazo cumprido em sua exatidão, a postura irretocável, a frase sem deslizes, a vida sem rasuras. Exigem de nós uma eficiência robótica, um desempenho de alta performance das sete e meia da manhã às onze da noite. Para tanto, ainda é preciso ter um sono perfeito! No meio desse ritmo frenético, porém, a literatura antiga nos dá um alento. Há mais de dois mil anos, o poeta romano Horácio deixou registrado, em latim, na obra Arte poética : “Quandoque bonus dormitat Homerus”. Em bom português, "às vezes o bom Homero cochila". Homero não era um sujeito qualquer. Estamos falando do pai da literatura ocidental, o criador da Ilíada e da Odisseia (que está no hype, como dizem), o homem que moldou a imaginação de civilizações inteiras, embora sua existência seja questionada. Pois até ele, no meio de milhares de versos épicos, dava suas escorregadas. De vez em quando, ressuscita...





