Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2010

Uma almofada nada confortável

por Cassionei Niches Petry

“Leer es como pensar, como rezar, como hablar con un amigo, como exponer tus ideas, como escuchar música (sí, sí), como contemplar un paisaje, como salir a dar un paseo por la playa”.

De um personagem de 2666, romance de Roberto Bolaño

"Yo no sé cómo hay escritores que aún creen en la inmortalidad literaria. Entiendo que haya quienes creen en la inmortalidad del alma, incluso puedo entender a los que creen en el Paraíso y el Infierno, y en esa estación intermedia y sobrecogedora que es el Purgatorio, pero cuando escucho a un escritor hablar de la inmortalidad de determinadas obras literarias me dan ganas de abofetearlo. No estoy hablando de pegarle sino de darle una sola bofetada y después, probablemente, abrazarlo y confortarlo. En esto, yo sé que algunos no estarán de acuerdo conmigo por ser personas básicamente no violentas. Yo también lo soy. Cuando digo darle una bofetada estoy más bien pensando en el carácter lenitivo de ciertas bofetadas, como aquellas que en el cine se les da a los histéricos o a las histéricas para que reaccionen y dejen de gritar y salven su vida."

Roberto Bolaño

"Muchas pueden ser las patrias, se me ocurre ahora, pero uno sólo el pasaporte, y ese pasaporte evidentemente es la calidad de la literatura. Que no significa escribir bien, porque eso lo puede hacer cualquiera. ¿Entonces qué es una escritura de calidad? Pues lo que siempre ha sido: saber meter la cabeza en lo oscuro, saber saltar al vacío, saber que la literatura es básicamente un oficio peligroso."

Roberto Bolaño

Dois inimigos, duas crônicas

Luis Fernando Verissimo e Juremir Machado da Silva, inimigos públicos juramentados, disputam quem escreve a melhor crônica de hoje. O primeiro escreve sobre a falta de assunto, o segundo se compara a Paul Auster. Boa leitura.

LVF - O mestre

Eu precisava escrever esta crônica. Tinha pouco tempo e nenhuma ideia. Fazer o quê? Fui procurar o Mestre. Expliquei minha situação. Ele sorriu, paternalmente. O velho problema de sempre. A aflição de todo cronista. Pouco tempo e nenhuma ideia.

– Escreva sobre isso – sugeriu ele, agora com um sorriso irônico. – Sobre a aflição. Sobre o que sente um cronista sem tempo e sem ideias, obrigado a cumprir um prazo.

– Mas, Mestre, isso é o que tem feito todos os cronistas desde os tempos bíblicos. Na falta de assunto, escrever sobre a falta de assunto. Não é novidade.

– Ainda bem que você reconhece – disse ele. – Esse truque não funciona mais. Vamos às alternativas. Que tipo de crônica você quer fazer?

– Bem...

– Séria? Humorística? Opiniática? Lirica…

Dicas de textos para ler nessa tarde de sábado

Paul Auster em seu escritório (1993)

Artigo de Vila-Matas, sobre Paul Auster, no Babelia, do jornal El País: aqui (em espanhol)

Artigo de Rosa Montero, sobre Carmen Laforet, também no Babelia: aqui (em espanhol)

Crônica de Celso Loureiro Chaves, sobre Alfred Schnittke no Cultura de ZH: aqui

Crônica de Nilson Souza, sobre Darwin e Deus, no Segundo Caderno de ZH: aqui

Artigo de Terry Sanderson, no jornal The Guardian: aqui (em inglês)

Mergulhado no livro desse cara aí. Aguardem as consequências disso na segunda-feira.

Companhia das Letras

Estou recebendo livros da editora Companhia das Letras a partir desse mês. Mandei links de todos as resenhas que escrevi para diferentes editoras e a Cia. foi a única que me deu retorno, através de trocas de e-mail com uma das responsáveis pela divulgação. Por isso não estranhem se os próximos textos serão mais sobre livros da editora paulista, que, diga-se, inaugurou recentemente um blog: http://www.blogdacia.com.br/.
Aliás, vasculhando a biblioteca da Unisc, vi que foram adquiridos títulos depois que foram por mim resenhados no jornal Gazeta do Sul. Outros já constavam do acervo.

Tive o desprazer de ouvir no rádio por esses dias opiniões de pessoas que não parecem viver no século XXI. Invocar deus, Bíblia e dizer que o demônio está por trás da criação de vida artificial feita recentemente por cientistas? Isso é de uma demência sem tamanho! Antes que me peçam respeito, lembrem que as pessoas que dizem isso também não o têm por outras que se dedicam a buscar curas para nossas doenças, as quais nenhuma oração dessa gente carola consegue curar.

XENÓFANES DE COLÓFON

Fragmentos:
11 - Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo o que para os homens e opróbrio e vergonha: roubo, adultério e fraudes reciprocas.
14 - Mas os mortais imaginam que os deuses são engendrados, tem vestimentas, voz e forma semelhantes a eles.
15 - Tivessem os bois, os cavalos e os leões mãos, e pudessem, com elas, pintar e produzir obras como os homens, os cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, e os bois semelhantes a bois, cada (espécie animal) reproduzindo a sua própria forma.
16 - Os etíopes dizem que os seus deuses são negros e de nariz chato, os trácios dizem que têm olhos azuis e cabelos vermelhos.
34 - Pois homem algum viu e não haverá quem possa ver a verdade acerca dos deuses e de todas as coisas das quais eu falo; pois mesmo se alguém conseguisse expressar-se com toda exatidão possível, ele próprio não se aperceberia disto. A opinião reina em tudo.
35 - Considerai todas estas coisas como meras opiniões, tendo aparência de verdade.

"Outros povos nos deram santos, os gregos nos deram sábios."Nietzsche

Registrando sincronicidades

Agora há pouco, na página do site da Gazeta do Sul, vi uma foto do estande da loja Móveis Luciane em uma feira no parque da Oktoberfest. Ao mesmo tempo, o Mr. Pi, na reprise do Pretinho Básico da rádio Atlântida, lia um e-mail de uma ouvinte e disse o nome dela: Luciane.

Adaptação de "A metamorfose"

No ano passado sugeri aqui no blog esse filme, uma adaptação de "A metamorfose", do Kafka. Hoje achei o trailer no Youtube. Reparem na interpretação de Gregor Samsa feita pelo ator Yevgeni Mironov. O filme foi reallizado em 2002 com direção e roteiro do russo Valeri Fokin.

Poesia dos outros

VERDADE

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível antigir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)


MOMENTO NUM CAFÉ

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saud…

"Laranja mecânica" no jornal de hoje

Aceita uma laranja?

Alguém já disse: se torcêssemos um jornal como se faz com uma toalha, pingaria muito sangue. Claro, isso serve para a TV, nesse caso não apenas nos noticiários, como também nos filmes, séries e novelas, que estão se especializando na “estética do tiro”. Muitos afirmam que é a sociedade que está cada vez mais violenta. Isso é uma verdade em partes, pois a violência cresce proporcionalmente ao aumento da população. O homem sempre foi um animal violento. A diferença é que uns controlam esses instintos, enquanto outros não seguram a fera dentro de si.O que acontecerá no futuro? Os otimistas acreditam que tudo pode melhorar, sonham com um mundo de paz para seus filhos, são utópicos. Os pessimistas, por seu turno, pintam um mundo sombrio, onde cada vez mais as casas terão cercas eletrificadas e proliferarão os condomínios fechados. Quem não tiver dinheiro (a “tia pecúnia”) estará à mercê de gangues, com delinquentes cada vez mais jovens, que praticarão a “ultraviolência”. Esse cenário distó…

Mais sincronicidades

Estou escrendo uma resenha que vai sair ainda hoje aqui no blog e quarta-feira na Gazeta do Sul sobre o romance Laranja mecânica. Pois chega da escola a minha família com um sacola de... de... laranjas, me perguntando se não quero uma. E o título da resenha vai ser justamente "Aceita uma laranja?"

Fala, mestre!

"Boa parte da formação cultural é um trabalho de desmontagem do que os parentes e professores nos ensinaram. Cultura não é apenas acúmulo de informações e domínio de conceitos; é um processo longo, conflituoso e não-linear, em que lutamos para retirar as cascas com que o senso comum – “a trama ideológica fundamental”, na frase de Jacques Ellul – nos embota desde que nascemos, em osmose contínua. Ao contrário do que se diz, uma biblioteca não é um lugar silencioso, aonde vamos colher saberes como se fossem frutos; é uma arena de combate, onde pensamentos de várias épocas e lugares se digladiam, não raro causando mortes. Não há conhecimento sem conflito; e isso lhe dá vida."
Daniel Piza
http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/rembrandt-picasso-e-voce/

SIMULTANEIDADE

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

Mário Quintana - A vaca e o hipogrifo

Meu texto no Diário Regional de hoje

Coletividade X indivíduo

Cartum de Quino