domingo, abril 26, 2009

Refletindo...

A partir da leitura do texto "Perversões uspianas:O DOUTORANDO CARECA", de Janer Cristaldo.
Eu tentei entrar no mestrado de Letras da UFRGS, não consegui... Claro, foi só uma vez, mas, como já vou fazer 30 anos, não vou insistir. Pretendo me dedicar mais as minhas leituras, meus escritos, até porque, sinceramente, acho que o mundo acadêmico, depois que ficamos sabendo de algumas coisas que rolam lá dentro, não me é muito convidativo. Escrever para poucas pessoas lerem (ou ninguém), então prefiro escrever só neste cantinho, onde tenho 3 ou 4 leitores.

Agora, não sei se sou eu que não mereço o mestrado, ou o mestrado que não me merece.

Igreja Universal

Sempre que passo na frente da Igreja Universal sou abordado por pessoas oferecendo jornais da igreja. Educadamente, recuso. Uma das justificativas por não gostar dessa instituição está nessa matéria feita pelo Jornal Nacional, com vídeos feitos por um ex-pastor da IURD. Neles aparecem, além de Edir Macedo, ensinando como se ganha dinheiro dos fiéis, o Bispo Crivela, que quase se tornou governador do RJ no ano passado, contando dinheiro. Para quem não viu:

sábado, abril 25, 2009


"As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós".

Lygia Fagundes Telles, no caderno Ideias & Livros do Jornal do Brasil de hoje. A autora está relançando sua obra completa pela Companhia das Letras. Para mim, ela é a rainha da literatura no Brasil, supera até Clarice Lispector.

quinta-feira, abril 23, 2009

Dia Mundial do Livro


“O maldito 23!”
Quem assistiu ao filme protagonizado pelo ator Jim Carey, deve ter ficado pelo menos uma semana como o personagem, meio paranoico, vendo o número 23 em tudo. Pois justamente em um dia 23, do mês de abril do ano de 1616 (16+16=32, 23 ao contrário) morreram dois dos maiores escritores de todos os tempos (que clichê, hein?): Shakespeare (há controvérsias) e Cervantes. Por causa disso, foi instituído pela Unesco a data de hoje como o Dia Mundial do Livro. Portanto, prepare a mesa e comemore degustando este alimento, que às vezes é indigesto, claro, pois diz algumas verdades que não gostamos de ler, mas é essencial nas nossas vidas.

terça-feira, abril 21, 2009

Batman e Dostoiévski?


Ndee Naldinho - Remix - 1993

Quem acompanha (ou acompanhou) há mais tempo o blog lembra que eu colocava links para baixar CD’s, geralmente retirados de outros blogs. Como o Google apagou um desses posts, resolvi apagar todos. Mas voltarei a deixar links aqui de CD´s ou LP’s que não estão mais disponíveis para compra e que marcaram minha adolescência. Começo com esse do Naldinho, de 1993, que ripei de uma fita K7, por isto não está com qualidade muito boa, mas vale a pena para quem gosta do velho e bom rap nacional.

Link: http://www.4shared.com/file/100649479/acdb38bb/Ndee_Naldinho_Remix_1992__ripado_K7__por_cassioneiblogspotcom.html

segunda-feira, abril 20, 2009


“Eu não gosto dos donos da verdade, sejam quem forem. Me aborrecem e me dão medo. Eu sou anti-fanático (fanaticamente)”

Luis Buñuel, em Meu último suspiro

sexta-feira, abril 10, 2009

Em qual das ceias abaixo eu me sentiria bem, me pergunto. A clássica do Da Vinci faz parte das minhas lembranças de infância, pois sua reprodução pairava sobre a mesa da cozinha lá de casa. Aliás, um enorme quadro, que nem imaginava quem tinha pintado. Mas não seria nessa mesa que me sentaria. Muito sóbria para o meu gosto.

A do meu Mel Brooks é engraçada. Na cena do filme o personagem dele está trabalhando de garçom e vai atender na sala onde Da Vinci está pintando a ceia real, ou tirando uma foto, não lembro, e ele entra de penetra. Só assistindo ao filme para entender. Mas não seria nessa.

Nas dos super-heróis? Não sei, uma delas, inclusive, traz o Capitão América como Cristo, ou seja, os EUA como o centro de todas as decisões do mundo. Na outra, a Mulher Maravilha faz o papel de João (ou seria de Maria Madalena). Também não seria nessas.

Na dos mendigos do filme do Buñuel? Jamais. Os mendigos desse filme eram ingratos e desprezíveis.

A versão que utiliza várias pinturas é bem interessante, olha onde está a Vênus de Botticelli...

Sou fã do Dalí, mas essa versão ficou muito mística para meu gosto.

Ah, eu sabia! Dirá meu único leitor! A julgar pela foto do perfil, a ceia do Homer Simpson seria a escolhida! Engana-se. Não gosto nenhum pouco desse tipo de ambiente. Bebo muito pouco e a foto é uma ilusão de ótica, o copo estava muito longe de mim, nem era meu...

Pensando bem, estou fora de qualquer ceia... Prefiro o churrasco de domingo na casa do vô.

quinta-feira, abril 09, 2009

Versões da "Última ceia"

Da Vinci
Cena do filme "História do mundo: parte 1", de Mel Brooks
Cena do filme "Veridiana", de Buñuel, a polêmica Ceia dos Mendigos



Salvador Dalí


domingo, abril 05, 2009

"Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus. Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males? Por que razão é que não os impede?Epicuro




Se há alguém que deve tudo a Bach esse alguém é Deus. Afinal, a teologia é desprovida de objeto e toda a criação é fictícia sem Bach.
Emil Cioran

sábado, abril 04, 2009

quinta-feira, abril 02, 2009

Texto de Daniel Sottomaior

Jornal do Brasil - Quarta-feira, 01 de Abril de 2009
Um acordo contra a cidadania
Daniel Sottomaior - PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ATEUS E AGNÓSTICOS
No último dia 13 de novembro, o presidente Lula e o bispo de Roma assinaram um acordo entre o Brasil e a chamada Santa Sé, um dos órgãos de representação máxima da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). O documento, que deveria ter sido objeto de amplo debate nacional, sintomaticamente só veio à tona depois de assinado. Mais alarmante ainda foi o fato de que a mídia se impôs um amplo silêncio sobre o assunto.
De certa maneira, eles têm razão: cachorro mordendo homem não é notícia; notícia é quando homem morde cachorro. Embora, ao menos no papel, o Brasil seja um Estado laico desde o século retrasado, a laicidade nunca foi um valor plenamente incorporado a nenhuma das democracias ou ditaduras republicanas. Nosso dinheiro estampa uma mensagem religiosa, e os prédios públicos dos três poderes, nas três esferas, incluindo Planalto, Congresso e Supremo Tribunal, ostentam símbolos religiosos. Nossos juízes sentem-se livres para "sugerir" que os presos em liberdade condicional tenham alguma religião, e ainda fixar que religião deve ser essa. E nada disso é notícia, nem provoca ação das autoridades.
O quadripé de universalidade de violações, desconhecimento da Constituição Federal (CF), permissividade com tudo que vem da religião e sobretudo uma caprichada vista grossa das partes indevidamente beneficiadas, vem anestesiando a crítica da sociedade e dos seus quatro poderes para todos os avanços da Igreja sobre o Estado. Mas é preciso mudar esse estado de coisas se quisermos levar minimamente a sério nossa lei máxima e caminhar para uma liberdade religiosa de fato.
Muitos estranharão a idéia de que não existe liberdade religiosa plena no país porque não vive as limitações na própria pele. Mas basta utilizar a regra de ouro para entender a gravidade da situação. Imaginemos, por um instante, um Brasil levemente diferente cuja moeda dissesse "Ogum seja louvado", cujos tribunais ostentassem estrelas de Davi e que assinasse acordos com a Igreja Universal do Reino de Deus. Se isso causaria escândalo nacional, também deve ser escândalo o atual acordo com qualquer outra igreja ou culto.
Mas escândalo pelos motivos certos: não porque a estrela ou Oxum seja maior ou menor aos olhos do Estado, ou porque as crenças sejam minoritárias, mas porque um Estado democrático de fato simplesmente não tem o direito de distribuir preferências ou rejeições, materiais ou ideológicas, a qualquer religião, assim como ao ateísmo. Quando o Estado toma essa iniciativa, na verdade são os servidores públicos que estão fazendo da sua crença particular uma política pública. E o acordo em questão é um dissimulado rol de preferências do Estado brasileiro sobre a Igreja Católica e seus fiéis, em detrimento de todos os demais grupos e cidadãos.
Se o acordo simplesmente garantisse os direitos que a lei já concede à Igreja, ele seria desnecessário e redundante. Se ele existe é para ir além da lei, apesar da linguagem enganadora do texto. O art. 8º, por exemplo, garante à ICAR o que já está estabelecido em nossa lei maior, que é a assistência aos seus fiéis em quartéis e hospitais. Ora, os sacerdotes de cultos afro-brasileiros são rotineiramente proibidos de exercer esse mesmíssimo direito, barrados em hospitais e em capelanias militares, e a lei atual não lhes serve de nada. Reafirmar o direito dos que sempre o exerceram enquanto se esquece os que nunca o conseguiram é um retrato acabado da perversidade de vários artigos desse acordo.
Mas outros dispositivos vão além. O art. 6º, por exemplo, determina que o Brasil e a Sé de Roma "continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica". Esse é um direito que nenhum outro grupo tem e que selará a manutenção da Igreja pelo Estado brasileiro às custas de contribuintes de todas as crenças e descrenças, obviamente impedidos de buscar acordos semelhantes pois só a ICAR tem personalidade jurídica para tanto. Vários outros artigos caminham no mesmo sentido.
É imperioso que a nação se mova para impedir a consumação desse acordo. Para se tornar efetivo, ele precisa ser aprovado pelo Congresso, onde agora tramita. É dever de todos se informar, mobilizar, mandar cartas aos seus deputados e senadores, e procurar o judiciário, como já está sendo feito. Não se trata de uma iniciativa de negação da religião, mas de preservação das liberdades individuais e da lei, com apoio de amplos setores da sociedade, em respeito à sua pluralidade. E os afortunados indivíduos que sentem não ter nada a perder com o acordo devem se lembrar sempre da regra de ouro: se não por si, que o façam pela cidadania.