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Um post daqueles que ninguém gosta




Está acontecendo um fato bem chato comigo, não com o Cassionei pessoa, mas com o Cassionei crítico, aquele que dá sua opinião, que polemiza, enfim, o escritor que expõe o que pensa no blog, no jornal, nos livros e nas redes sociais. Não vou relatar agora o que houve. Depois de tudo resolvido, para o bem ou para o mal, volto a falar no assunto.

De qualquer forma, como estou numa fase muito boa na minha vida, tanto na pessoal quanto na profissional, não me sinto nem um pouco abalado, o que aconteceria algum tempo atrás, quando nada dava certo. Um fato desses me faria desistir desse caminho que estou criando aos poucos, tentando estabelecer uma carreira como escritor. Somente isso me importa e confesso que até o professor fica em segundo plano, apesar de ser meu único ganha-pão.

Se estou escrevendo pouco é porque estou desmotivado. Perdi um pouco de espaço no jornal onde mantenho uma coluna, já que a colaboração não é mais quinzenal; meu livro não está sendo bem lido, muito menos vendido (o que já esperava, pois não sei divulgar meu trabalho); estou me cansando de apenas receber tapinhas nas costas e elogios nem sempre sinceros; espero respostas de pessoas que dizem que vão me indicar para uma grande editora, mas demoram para fazê-lo; e há, claro, a paciência, que até agora não foi apresentada para mim. Desconheço essa senhora.

Há também um fato importante, que pode ser chamado de trauma pós-mestrado, ou mais especificamente pós-romance, tendo em vista que minha dissertação foi a escrita de uma narrativa e notas sobre o seu processo de criação. Depois de pronto o trabalho, não consegui restabelecer um novo roteiro de leituras e a criação de novas obras de ficção ficou em modo de espera. Somente consegui escrever alguns contos para o projeto do blog www.robertmarston.blogspot.com.

 No momento não penso em parar de publicar aqui no “Alacrán”. É um espaço pelo qual tenho muito carinho, afinal já são anos que o alimento com palavras, e ele retribuiu me trazendo leitores qualificados, além de poder conhecer outros escritores/blogueiros com os mesmos interesses culturais e artísticos. Não, por enquanto, este não um post de despedida. Quem sabe o próximo o seja?

Comentários

charlles campos disse…
Cassionei, você precisa de mais lucidez e autocrítica. Lucidez no tocante a saber que, na maior parte das vezes, as pessoas não são as culpadas por você ainda não fazer sucesso. O culpado, única e exclusivamente, é você. Autocrítica por saber que você publicou somente um livro de contos, que, por mais que seja interessante (eu o li), por mais que revelem talento, não são encaixáveis o bastante à indústria livresca. E não coloque a culpa na indústria livresca. Menos lamentação, meu caro. Você é um escritor iniciante, ainda sem uma obra de fôlego, apenas com exercícios (exercícios competentes, mas exercícios). Mire-se na trajetória de seus escritores preferidos. Escreva um romanção, cara, algo da veia, algo firme, fiel, sério, de fôlego, algo que ferva_ não matéria de mestrado; não cadernos da adolescência. Eu leio seu Robert Marston, mas, convenhamos, é uma obra preguiçosa, compacta, sem muita paixão. Os tapinhas nas costas, na verdade, são seus melhores amigos, te mostram que o escritor só pode contar consigo mesmo. Eu, por anos, estava envolvido em um projeto literário, coloquei excertos em meu blog, e vi que, por mais que eu fosse ligado e ele, não funcionava. Estava me enganando. Parei com ele, mas não parei de escrever. Eu estava me iludindo, escrevendo um arremedo de minhas leituras.
Cassionei Petry disse…
Charlles, tu é do tipo de leitor de que gosto, não dá apenas tapinha nas costas, é crítico, tem opinião, só tenho a agradecer pelo que tu dizes. Sobre autocrítica, a tenho até demais, até porque nunca disse que minha pequena obra é boa. Justamente o silêncio que incomoda. Prefiro mil vezes uma crítica contrária do que ao silêncio. E esse post foi mais pra tentar evitar esse assunto que vem me perseguindo, não é sobre a minha obra, mas sim se relaciona ao que escrevi sobre alguém e vou ter que responder por isso.
Abraço.

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