Luís Fernando Veríssimo (1936-2025)


Foi um dos meus primeiros ídolos literários. Se aquele cronista de 16 anos começou a publicar crônicas nos jornais no final do século passado, foi em parte por causa dele. O jovem queria escrever crônicas diárias como ele, ser escritor em tempo integral, usar de doses de humor nos seus textos, romper a timidez com a palavra escrita.

Na fila de autógrafos, um Cassionei sorrindo timidamente, clicado por aquela com a qual viveria toda a vida, estava ansioso por conhecer o escritor que era uma estrela, inclusive com obras adaptadas pela Globo. Na sua memória, a imagem era de um Luís Fernando Veríssimo sério, como sempre. O “escriba que não conseguiu virar um cronista profissional” agora se admira ao rever a foto de seu ídolo sorridente. Teria o aprendiz de cronista conseguido dizer algo que o fez mostrar os dentes ou, sempre atrapalhado nessas horas, teria tropeçado, caído e feito o sisudo escritor rir? De qualquer forma, um então menos gordinho Cassionei chegou à mesa do famoso cronista e disse que também escrevia. Ouviu apenas um “hã-hã” e depois, bem baixinho, “seu nome?” ou algo do tipo. Recebeu um autógrafo protocolar no exemplar do romance “O clube dos anjos”, não lembra se teve respondido seu obrigado, deu lugar ao próximo da fila e saiu pensativo. O ídolo quebrou um pouco sua expectativa, mas depois entendeu que ele era assim com quase todo mundo.

Hoje Luis Fernando Verissimo se despede, mas seus livros ficam, com o perdão do clichê. (“Não deveria haver um Código Remorse só para pedidos de perdão?”, escreveu LFV em uma crônica do seu primeiro livro.) Hoje é dia de reler o cronista. Vou de “O analista de Bagé”, lembrando que há muita gente por aí precisando de uma “terapia do joelhaço”.


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