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Lendo para morrer (I)




O título não cabe nos 140 caracteres do twitter: Pequeno divertimento sobre literatura em cem lições também conhecido sob o título Substâncias Perigosas em que se explica por que meios os livros matam os seus leitores & onde se dão variados e mui instrutivos exemplos ao alcance do comum dos mortais. Seu autor, o português Pedro Eiras, é poeta, dramaturgo e professor de Literatura. Ainda não li todo o livro, publicado no Brasil pela editora Casa da Palavra. Estou degustando-o aos poucos, com medo de morrer depois da leitura, pois ali está escrito: “Alguns livros convidam a matar. Outros, ao suicídio. Outros ainda, mais sutis, limitam-se a relativizar a morte – meio caminho para morrer. Todos são substâncias perigosas, como os medicamentos. Só deveriam poder ser comprados com receita médica ou atestado de robustez intelectual.”

Sim, os livros são perigosos. Cuidado com eles. Melhor dizendo, os bons são perigosos. Aqueles que nos incomodam, nos dizem verdades que não queremos ler. Os ruins dizem as verdades que queremos que sejam verdades, mas que não passam de mentiras que nos confortam. “O universo conspira a nosso favor”, diz um desses escrevinhadores. Ora, sabemos que não é assim. Tudo conspira contra nós. Só os mais afortunados podem dizer isso. Os demais precisam se mexer muito para obter algo a seu favor e mesmo assim não alcançam os objetivos.

A boa literatura, não custa repetir, é a que nos deixa com mais dúvidas, não a que nos dá repostas. Mostra quem somos, não quem desejaríamos ser. Expõe nossa mediocridade, nossas feridas, nossas angústias, nossas decepções e nos fazem pensar. Literatura ruim não nos faz pensar porque não dá espaço para isso. As respostas vêm prontas, embaladas e bonitas, tudo ao gosto do freguês. Por isso vende mais. Quantidade não é sinônimo de qualidade. Nem tudo que é muito lido, ouvido ou assistido é bom. 

“TODO O LIVRO PROCURA A SUA VÍTIMA”, escreve Pedro Eiras, assim mesmo, em letras garrafais. No momento, Substâncias Perigosas me encontrou. Posso ser sua vítima. Mas vou adiar o máximo possível que ele provoque a minha morte ou que me incite ao suicídio. Enquanto isso, vou relatando os passos que me levarão à indesejada das gentes.

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