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Um pouco esquizofrênico



Lembrando alguns livros ou filmes que falam sobre esquizofrênicos, principalmente sobre a ilusão que criam ao seu redor. Uma mente brilhante, por exemplo, ou Spider, de David Cronenberg, baseado no romance homônimo de Patrick McGrath. Pergunto-me às vezes se o que vejo é real e sentiria vergonha se me vissem falando sozinho ou soubessem que tenho uma porta na minha biblioteca com ligação direta a uma sala da CIA. Ok, não tenho, mas se tivesse não revelaria. 

Na infância, somos um pouco assim. Criamos amigos imaginários, o que leva muitos a pensarem que a criança tem contato com espíritos. Eu gostava de teatralizar conflitos no velho oeste, conversando com o espelho. Numa dessas ações, ao sair do quarto, me deparei com minha vó que ouvia tudo e me olhou com cara de pena. Trocava ideias com meus bichinhos de pelúcia, algo como as tirinhas do Calvin e Haroldo, ou com os bonecos de super-heróis. Eram tão reais para mim que uma vez, no inverno, coloquei todos os brinquedos dormindo comigo debaixo das cobertas para que não ficassem com frio.

Hoje falo com as personagens dos livros, tanto com as dos outros escritores como as minhas. Ou seja, não deixei de ter meu lado esquizofrênico. Nunca vou deixar. Só espero que isso não passe a influenciar a realidade, que as personagens não interfiram na minha vida, que não relatem para minha esposa o que andei fazendo com elas. Poderia acabar com meu casamento.

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