O cara e a mina (Delação premiada)

O sujeito se senta para escrever uma crônica, mas o que sai é uma letra de música, um rockzinho fuleiro. Perdoem-no, ele não sabe o que faz:

O cara quando diz que não foi ele foi
A mina quando diz que não vai ela vai
O cara quando apronta esconde o que fez
A mina quando apronta faz mais uma vez
No cara e na mina não dá pra confiar
O cara e a mina vivem pra te enganar
Na cama, na política, em qualquer lugar
Abra o olho que eles acabaram de chegar

Refrão:
Cuidado com o cara, cuidado com a mina
Cuidado com quem parece ser gente fina
Seu bolso tá em perigo, confie no que eu digo,
Cuidado com quem quer ser muito seu amigo

O cara e a mina eram amigos meus
O cara e a mina dizem acreditar em Deus
O cara e a mina por fora são legais
Por dentro suas mentes são pior que Satanás
O cara conseguiu se eleger deputado
A mina foi mais longe e chegou ao Senado
O cara e a mina iam mudar o Brasil
Agora mandam o povo pra puta que o pariu!

(Refrão)

O cara recebeu dinheiro de empreiteiro
A mina desviou dinheiro da educação
O cara planejou chegar à presidência
A mina desse cargo também não abria mão
O cara decidiu derrubar a mina
A mina muito esperta percebeu a situação
Denunciou o cara por receber propina
E o cara também fez a sua delação

(Refrão)

O cara se safou por delação premiada
Continuou no cargo como se não houvesse nada
Dinheiro rola solto, seu bolso está repleto
Chegar à presidência ainda é o seu projeto
A mina na cadeia disse que se converteu
Depois que saiu, construiu um templo seu
Agora tira grana do bolso do fiel
Tem um monte de terreno pra vender lá no céu 

(Refrão)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Uma resenha que não aconteceu