BBB e FEBEAPÁ

 

Minha crônica no jornal Gazeta do Sul de hoje


BBB e FEBEAPÁ

por Cassionei Niches Petry


Em época de Big Brother Brasil, reality show assistido por milhões de pessoas em todo o país, inundando a TV e as redes sociais da internet, nada melhor do que lembrar o livro que deu origem ao nome da atração. Trata-se do romance 1984, do escritor britânico George Orwell.

Publicada em 1948, com uma versão cinematográfica lançada justamente no ano de 1984, a história se passa em uma sociedade futura, onde os “cidadãos” são vigiados por teletelas, que seriam os olhos do Grande Irmão (em inglês, Big Brother), chefe supremo do Partido governante. Nesse regime totalitário, o personagem principal, Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, tem como função modificar as notícias dos jornais, manipulando os fatos para perpetuar o Partido no poder. Uma das passagens marcantes acontece quando o protagonista, depois de ser flagrado com uma mulher (o que era proibido), é preso e torturado. O torturador, chamado O'Brien, pede que ele responda qual o resultado de 2 + 2. Ele dá a resposta correta. O algoz diz que está errado, pois ele deveria responder 5. E tome tortura, até que ele acaba respondendo de acordo com a ordem. Mais tarde, em um café, Winston escreve sobre a poeira da mesa: 2 + 2 = 5. Ou seja, sua mente foi manipulada para esquecer a realidade.

Logicamente, devido ao programa televisivo, a expressão Big Brother, que servia como símbolo de um totalitarismo deplorável, se banalizou (pensando bem, o que a TV não banaliza?). Diferentemente do romance, o Grande Irmão são os milhões de telespectadores que se detêm na frente da tela para cuidar da vida de outras pessoas, tendo o poder de eliminar aquelas que não são de seu agrado. Os que estão sendo vigiados podem namorar, se divertir, dizer bobagens, usar roupas curtas (de preferência bem curtas) e não precisam nem trabalhar. Ainda podem embolsar uma boa quantia em dinheiro e outros prêmios para fazer nada. Quem tem a mente manipulada agora não são os vigiados, mas sim os que estão vigiando.

Podemos dizer, usando de uma expressão do cronista Stanislaw Ponte Preta, que o BBB faz parte do FEBEAPÁ, o Festival de Besteira que Assola o País?

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