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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2009

Borges e Poe

L. F. Verissimo, sempre se superando. Publicado na ZH de hoje.

Num livro fascinante chamado The Mistery to a Solution (O Mistério de uma Solução), o americano John T. Irwin trata da ligação de Jorge Luis Borges com Edgar Alan Poe. Ligação, no caso, direta, pois Borges fez questão de escrever cada uma das suas três histórias policiais baseadas em Poe exatamente cem anos depois da publicação de cada uma das três histórias do Poe que deram início ao gênero. Os dois autores tinham em comum o gosto por enigmas e sentidos cifrados, e tamanho era o prazer do Borges com jogos literários que ele deve ter planejado esta simetria para poder reivindicar uma espécie de coautoria nos mistérios do Poe. A simetria faria parte do significado das obras conjuntas.
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Mas Irwin chama atenção para diferenças na vida dos dois que determinaram diferenças importantes nas suas histórias. Mesmo arriscando cair num psicologismo superficial, lembra que Poe perdeu a mãe quando ainda era criança enquanto Borges teve…
E começa hoje a Feira do Livro de Santa Cruz, cujo patrono é Charles Kiefer. Parando esta chuva, vou lá fuçar nos balaios e comprar livros em espanhol na Calle Corrientes.
“O maior pavor humano é o da expansão da consciência. Toda a parte assustadora, hedionda da mitologia deriva desse medo. “Vivamos em paz e harmonia!, suplica o medíocre. Mas a lei do universo determina que a paz e a harmonia só podem ser conquistadas pela luta íntima. O medíocre não quer pagar o preço desse tipo de paz e harmonia: quer encontrá-lo já pronto, feito terno confeccionado em série na fábrica.”
Trecho de "A hora do assassino", de Henry Miller, citado na coluna do Romar Belling, no caderno Magazine da Gazeta do Sul de hoje.

Texto de L. F. Verissimo na ZH de hoje

A coruja do Hegel

Já me recomendaram que começar um texto citando Hegel (Georg Wilhelm Friedrich, século 19, alemão, muito alemão) serve a dois propósitos: criar no leitor uma expectativa de profundidade ou espantá-lo logo nas primeiras linhas, pois quem tem tempo para o Hegel hoje em dia? A você que continua a ler devo avisar que a tal profundidade não virá. Recorro a Hegel, ou à coruja do Hegel, para fins estritamente superficiais.
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Hegel certa vez comparou a filosofia com a coruja da deusa Minerva, que carrega toda a sabedoria do mundo mas só voa ao anoitecer, quando não há mais luz para aproveitá-la. O que Hegel quis dizer (eu acho) é que qualquer período histórico só pode ser compreendido quando está no fim, e que a filosofia sempre chega tarde para explicá-lo. No fundo, estava denegrindo o seu ofício. Ninguém tratou de interpretar a História com mais densidade do que Hegel, mas no fim todas as suas teses e todo o seu palavrório não passavam do voo tardio de uma coruja inútil, no…

Vitória contra o racismo

Deu na Zero Hora de hoje
EUA
Vitória contra o racismo
Cidade americana famosa por ter sido palco de crimes raciais na década de 60 elege o seu primeiro prefeito negro

Para o americano James Young, sua vitória pode ser comparada a uma “bomba atômica da mudança”. Famosa por ser uma das cidades mais racistas dos EUA e por ter sido o palco de um triplo homicídio de ativistas dos direitos civis na década de 60 – crime que inspirou o filme Mississippi em Chamas –, Philadelphia, no Mississippi, sul dos EUA, elegeu esta semana o primeiro prefeito negro de sua história.

Possivelmente beneficiado por um “efeito Barack Obama”, Young, 53 anos, derrotou o atual prefeito, Rayburn Waddell, por uma diferença de apenas 46 votos. Aproximadamente 55% dos 8 mil habitantes da cidade são brancos, como Waddell.

– Eu não poderia imaginar isso nem em um conto de fadas. Quem poderia prever que um garoto do campo como eu se tornaria prefeito de Philadelphia? Principalmente levando em conta a forma como fomos tratados…

Falou e disse...

"Um escritor é alguém congenitamente incapaz de dizer a verdade. Por isso, o que ele escreve chama-se ficção." Willian Faulkner.

Neste ano estou programando uma releitura de sua obra, sobre a qual escreverei aqui.

Eu estou me lixando para você, leitor

Texto do antropólogo Roberto DaMatta, no Estadão de ontem, sobre "o deputado que se lixa para a opinião pública" Sérgio Moraes:

Roberto DaMattaEu estou me lixando para você, leitor"Se eu digo isso, o jornal me despede; se um comerciante tem essa atitude, ele vai à falência; se um pai de santo, ministro, rabino ou sacerdote repete o mote, ele faz suas orações sozinho e não salva ninguém; se um professor adota esse credo, ele não merece dar cursos; do mesmo modo que um médico, um juiz, um policial, um engenheiro e um advogado deixariam morrer os doentes, perderiam o senso de justiça, do limite e da eficiência. Seria o fim deste nosso mundo chamado de moderno, e olha que eu estou apenas mencionando as profissões mais estabelecidas.Quando um membro do Parlamento, um servidor público importantíssimo e privilegiado, porque representa uma massa de desejos e esperanças de uma região do País, diz que está ‘se lixando para a opinião pública’, como fez o deputado federal Sérgio Mor…

Entendendo o cinema (Griffith parte 1)

Entendendo o cinema (Edwin S. Porter)