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“O maior pavor humano é o da expansão da consciência. Toda a parte assustadora, hedionda da mitologia deriva desse medo. “Vivamos em paz e harmonia!, suplica o medíocre. Mas a lei do universo determina que a paz e a harmonia só podem ser conquistadas pela luta íntima. O medíocre não quer pagar o preço desse tipo de paz e harmonia: quer encontrá-lo já pronto, feito terno confeccionado em série na fábrica.”
Trecho de "A hora do assassino", de Henry Miller, citado na coluna do Romar Belling, no caderno Magazine da Gazeta do Sul de hoje.

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No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Uma resenha que não aconteceu

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