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Durma-se com um barulho desses

(Mais uma participação do crítico e ex-professor Júlio Nogueira aqui no blog.)

Aqui na chácara, tudo tranquilo. Na última madrugada, um grilo deu o ar de sua desgraça, mas foi só. Ouço apenas o som do vento nas árvores, do canto dos pássaros e o da cozinha, pois minha mulher prepara o almoço. Por que não o faço eu, para agradá-la? Porque minha cozinha é outra, meu banquete não é comestível.
Hoje dispenso até a música clássica. Beethoven está mudo, em vez de surdo. Os instrumentos não falam por ele. Talvez o “4’33”, do Cage, fosse uma boa pedida.
Li alguma coisa de literatura contemporânea para ver se despertava algo para escrever. Nem para criticar estão servindo as últimas leituras. Já abandonei o último livro do Ricardo Lísias, um bom romancista, cujos contos isolados até são bons também, mas no conjunto se tornaram intragáveis pela repetição de temas e de personagens com o mesmo nome do autor. As descrições das partidas de xadrez são mais chatas do que o próprio jogo. Tchau, “Concentração”.
As redes sociais me apresentaram ao poeta e contista Diego Moraes. Gostei muito de alguns poemas e, principalmente, dos aforismos. É um bom frasista. Quando li um conto dele, porém, me decepcionei, pois a todo o momento tenta inserir uma dessas frases de impacto com uma reiteração de comparações no lugar de metáforas. Fiquei tão irritado como o Mirisola quando recebe críticas. Aliás, gostaria de ler o último livro do autor de “O herói devolvido”. Providencia um exemplar, minha filha.

Prometi escrever um texto ameno e acho que estou cumprindo minha promessa, por isso não vou escrever sobre a farofada que são os livros do Gregório Duvivier, cujos pontos nem ele consegue ligar. Tampouco vou falar sobre a Fernanda Torres, que como escritora é uma grande filha da Fernanda Montenegro. É o fim da picada essa moça (ops!) já ser alçada como grande nome da literatura ao lado de outros consagrados. Calma, muita calma. Também não vou falar do irmão do Julinho da Adelaide, nem vou ouvir sua música, pois eu quero silêncio. E o strogonoff preparado pela minha eterna namorada.

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