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Júlio Nogueira e o celular na sala de aula

Mais uma colaboração do Júlio Nogueira, professor de literatura aposentado, que mora numa chácara no interior de uma cidade do interior do RS, e que hoje apenas lê e escreve. O mestre me mandou esse e-mail depois de ler um comentário no facebook de um desses críticos da educação que não saem dos seus gabinetes sobre um “gif” dos Simpson, que também compartilhei nas redes sociais da internet:

"Sobre o descaso dos professores retrógrados como eu que não usam o celular como recurso 'pedagógico' em sala de aula, cabem algumas considerações:
1- Nem todos os alunos têm o aparelho, o que dificulta o trabalho uniforme e gera a exclusão.
2 - O acesso à internet ainda é precário nas escolas.
3 - Se o professor não consegue controlar o aluno que não faz as atividades (como uma simples leitura de um texto) por causa do celular, quem garante que ele utilizará o aparelho para a atividade proposta? Vale para tablet, notebook, etc.
4 - Nem todos os professores têm condições ou querem ter um aparelho moderno. Sou ultrapassado se quero ter um celular barato que apenas faz e recebe ligação?
5 - Vamos dar mais um passo para sermos escravizados por esse aparelhinho?
6 - Por que abandonar os livros? Ora, não adianta fazer de vez em quando o uso do celular como prática pedagógica. Quando não for utilizado, o aluno não vai largá-lo para ler um livro e continuaremos com o mesmo problema. Então, vamos aposentar os livros e os deixem apenas para velhos gagás como eu.
7 - Será que, para resolvermos todos os nossos problemas, precisamos sempre  nos adaptar e mudar nosso comportamento? Por que o aluno não pode mudar o seu?
8 - Até quando quem pouco ou nunca pisou numa sala de aula do ensino básico (dar palestrinhas ou fazer projetinhos extraclasse vez ou outra não conta como experiência) vai ficar defecando na cabeça dos professores?
9 - Se os alunos são o reflexo de seus mestres, basta uma visita a uma sala de professores na hora do recreio e contar quantos estão lendo um livro e quantos estão nos seus celulares vendo e compartilhando besteiras para sabermos o nível em que estamos. Alguns ainda, felizmente, conversam entre si, mesmo que seja para falar sobre a imagem que compartilharam no celular.
10 - Ah!, mas isso é coisa de mentes ultrapassadas como a minha.
11 - Teria outras considerações a fazer, caro Cassionei, mas volto à minha releitura de Kafka.

12 - Metido a intelectual, esse cara, dirão alguns depois de ler esses itens, o que para muitos é um defeito. O certo hoje em dia é ser metido a imbecil.”

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