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A mostrar mensagens de Setembro, 2016

No Traçando livros de hoje , "Só faltou o título"

(Minha coluna no jornal Gazeta do Sul de hoje, Caderno Mix.)
Só falta você lerCassionei Niches Petrycassio.nei@hotmail.com
Escritor frustrado vomita impropérios sobre autores bem-sucedidos e editoras que não o publicam e é julgado por assassinato de jovem amante. Este resumo, que cabe nos 140 caracteres do Twitter, não dá conta de apresentar o romance Só faltou o título, de Reginaldo Pujol Filho (Record, 322 páginas, disponível também em e-book). Não estamos apenas diante de mais uma ficção metaficcional em que um escritor é o protagonista, tampouco leremos uma narrativa policial tradicional. Temos à disposição, senhoras e senhores, mancebos e moçoilas, uma obra ousada, que ainda não foi devidamente lida e analisada como deveria. Só falta uma boa crítica, que ainda não será esta.O narrador e protagonista é Edmundo Dornelles. Em suas anotações, a que denomina de esforços de memória, memórias esquecíveis e outras denominações, lembra o seu trabalho de revisor de, segundo ele, “pseudoliter…

Possíveis títulos para um texto sobre educação inspirado na obra daquele que não podemos criticar

Pedagogia do comprimido. Pedagogia do deprimido.Pedagogia do reprimido.Pedagogia do proibido.Pedagogia do Smilinguido.Pedagogia do indefinido.Pedagogia do assumido.Pedagogia do sumido.Pedagogia do sabido.Pedagogia do exprimido.Pedagogia do partido.Pedagogia do sem partido.Pedagogia do bipartido.Pedagogia do repartido.Pedagogia do dividido.Pedagogia do colorido.Pedagogia do extorquido.Pedagogia do aturdido.Pedagogia do fedido.Pedagogia do falido.Pedagogia do combalido.Pedagogia do foragido.Pedagogia do abduzido.Pedagogia do despedido.Pedagogia do distraído.Pedagogia do exibido.Pedagogia do fingido.Pedagogia do grunhido.Pedagogia do iludido.Pedagogia do punido.Pedagogia do abatido.Pedagogia do vencido.Pedagogia do impedido.
Pedagogia do temido.

Minha breve resenha sobre livro de contos de David Foster Wallace no Digestivo Cultural

Na revista Amálgama, escrevo sobre a reforma da educação

Meu depoimento no 2 mil toques

Escrevo no site 2 mil toques, projeto do escritor André Timm, sobre a minha rotina de escrita:https://2miltoques.com/2016/09/24/cassionei-niches-petry/

Nem eu me entendo

Sou um cara que não viu e não gostou. Sou um cara que escreve à mão e depois não entende o que escreveu. Sou um cara que escuta, mas não houve direito, cheira sem reconhecer os aromas e tem o paladar apurado que não difere o gosto de uma salada de maionese de batata da salada de maionese de mandioca. Assiste a um filme e esquece o que assistiu, lê livros e esquece o que leu, ouve música e depois, quando a ouve pela segunda vez, não lembra se a já tinha ouvido antes.Sou um cara humilde e genial. Sou um cara cuja beleza é feia e a feiura bonita. Sou um cara que tem ideias maravilhosas que não servem para nada. Sou um cara cuidadoso que derruba tudo que encontra pelo caminho, fuma cachimbo, depois chupa Halls para não ficar com o gosto do fumo na boca, gosta do frio, mas é friorento, toma café forte, mas com bastante açúcar.Sou um cara ateu que acredita em um deus, Kafka, um deus todo-poderoso e fracote, cuja grandiosidade está em ser um inseto inferior e cuja coragem é ter medo do mundo…

Minha coluna no Digestivo Cultural de hoje

Mais um minutinho, seu juiz!

“Nasce o Sol e não dura mais que um dia.” Esses são os versos iniciais de um soneto de Gregório de Matos, poeta barroco, de um longínquo século XVII. Fala sobre o tempo, a efemeridade do tempo. Tudo passa tão rapidamente, pelo menos depois que ultrapassamos certa idade, e não damos conta de realizarmos tudo que queremos. Num piscar de olhos, num flash de uma máquina fotográfica, num estalar de dedos, tudo acaba. Recém estou “no meio do caminho desta vida”, para usar dos versos de Dante Alighieri, mas a transitoriedade da existência me afeta, principalmente quando penso nos livros que ainda tenho que ler e não consigo. “A vida é breve, a arte é longa. A ocasião fugidia”, escreveu Hipócrates, o pai da medicina.Como não acredito em vida além após a morte, tento viver intensamente, todos os dias, fazendo coisas de que gosto. “Carpe diem” (do latim, significa “colha o dia”, “aproveite o momento”) é um dos meus lemas. Conheci a expressão através do filme “Sociedade dos poetas mortos”, depoi…

Acabei de descobrir que fui traduzido para o inglês!

Acabei de descobrir que fui traduzido para o inglês! Na verdade, a Agência Villas-Boas & Moss apenas traduziu um trecho da minha resenha sobre o romance "A segunda pátria", do Miguel Sanches Neto (publicada na minha coluna no site Digestivo Cultural), no catálogo de divulgação para a Feira de Frankfurt, na Alemanha, no ano passado.

Breve resenha sobre um livro hediondo

Há oito anos, David Foster Wallace cometia suicídio, enforcando-se na garagem de sua casa em Claremont, na Califórnia, EUA, que servia também como local de escrita. Já escrevi sobre seu romance e o livro de ensaios lançados por aqui. Hoje me detenho nos contos do livro recentemente reimpresso pela Companhia das Letras: Breves entrevistas com homens hediondos (373 páginas, tradução de José Rubens Siqueira).É interessante como ele consegue dilatar um momento aparentemente banal da vida de alguém, como no conto “A morte não é o fim”. Um escritor premiado está deitado à beira de uma piscina, lendo, e a história aparentemente é só isso. Aparentemente, frisa-se, pois sempre seus textos escondem uma camada de significados. Também à beira da piscina, dessa feita esperando na fila para pular pela primeira vez de um trampolim, um menino, no seu aniversário de 13 anos, amadurece, sendo a altura do salto o emblema disso: “Agora que está em cima, dá pra ver a coisa toda”.O conto que dá título ao l…

Quem é mesmo massa de manobra?

A música “Admirável gado novo”, de Zé Ramalho, é sempre utilizada por defensores de algumas ideologias para criticar pessoas que, segundo eles, vivem metaforicamente uma “vida de gado”, seguem a manada sem questionar, são massa de manobra, marcados pelos poderosos que são os donos de suas mentes. O engraçado disso tudo é que a música serve também para esses mesmos críticos que defendem cegamente ideias de um partido (ou de partidos que se desmembraram do próprio partido), repetem palavras de ordem, repercutem notícias falsas, leem somente autores que seus partidários sugerem, ignoram acusações contra seus confrades (mas ampliam as denúncias contra os adversários) e reproduzem um pensamento único, que não deve ser questionado.A composição do artista paraibano, autor de outros clássicos de nossa canção, como “Avôhai” e “Chão de giz”, foi inspirada no romance Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, publicado em 1932. No enredo, num futuro não muito distante, as pessoas nascem em laborató…

Philip Roth no Traçando Livros de hoje

Autobiografia (?) de Philip Roth
Philip Roth anunciou há alguns anos que não irá mais escrever. A Companhia das Letras aproveita, então, para lançar por aqui um livro dele que ainda não foi traduzido. Trata-se de Os fatos: a autobiografia de um romancista (Tradução de Jorio Dauster, 240 páginas), originalmente publicado em 1988. Se a obra pretende ser uma autobiografia, como promete o subtítulo, na verdade a vejo como outra peça literária e ficcional do autor disfarçada de não-ficção. Em Roth libertado: o escritor e seus livros, obra também publicada pela Companhia das Letras, sua biógrafa Claudia Pierpont explica que Os fatos “é na maior parte uma biografia franca, sem rebuscamentos”, e que Roth havia chamado “o livro de uma sequência de O avesso da vida; chegou a dizer que era o ‘avesso da minha vida’- isto é, de sua vida não transformada pela ficção.”Com intuito de desvendar o que verdadeiramente estava por trás de suas primeiras narrativas, Roth conta fatos de sua vida desde a infâ…

Mais uma sincronicidade junguiana

Faço sempre uma lista das leituras e filmes a que vou assistindo durante o ano. Agora há pouco, numa sincronicidade junguiana, depois de digitar um dos filmes vistos, apareceu um número que tem tudo a ver com o enredo. Quem assistiu, sabe.