Sábado, Maio 11, 2013

É a roda



Ponho Paganini para ouvir. Concerto para violino número 3. A orquestra introduz o tema. O solista, mais adiante, entra sozinho, dialogando, depois conduzindo os outros instrumentos, impondo, de certa forma, sua individualidade. É a representação sucinta de um indivíduo que se diferencia do coletivo, não significando exatamente que esteja sendo egoísta.
Artistas como Paganini externavam, através da arte, o que sentiam. Gênios incompreendidos que encontravam justamente nessa incompreensão o seu sucesso. Parece paradoxal, mas muitos pintores, músicos, cineastas e escritores acabaram sendo reconhecidos dessa forma, claro que na maioria das vezes depois de anos de suas realizações. Outros nunca alcançaram êxito. É a roda.

Sexta-feira, Maio 10, 2013

"Os óculos de Paula" na biblioteca da Unisc

Meu romance inédito, Os óculos de Paula, sobre o qual já falei aqui, pode ser lido pelos leitores da biblioteca da Universidade de Santa Cruz do Sul - Unisc, na versão em conjunto com as notas sobre o processo de criação. Ambos formam minha dissertação de mestrado, defendida no final de fevereiro. Quem acompanhou a defesa ficou curioso pela história, principalmente devido aos comentários da banca.

Quarta-feira, Maio 08, 2013

História universal do achismo, no Traçando livros de hoje

 http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/405372-historia_universal_do_achismo/edicao:2013-05-08.html

Manuscrito encontrado em um bar no centro da cidade, escrito em folhas de caderno escolar e em caixa alta. Não encontramos seu autor. Presumimos que seja um professor de Filosofia, que bebia as angústias de uma profissão não valorizada ou simplesmente refletia sobre os seres humanos que frequentavam o mesmo estabelecimento. Também pode ser de um professor de Literatura e aspirante a escritor, igualmente se sentindo um fracassado e que devora (traça?) todos os livros que julga necessários para analisar uma obra de ficção. Mesmo sem autorização, publicamos estes seus aforismos, esperando que ele apareça para assumir a autoria. Estamos tentando verificar também em quais pensadores ele se inspirou para (re)criar as frases. Cartas (com selo e tudo) para a redação.
“O achismo é imortal e indissolúvel.”
“O achismo é o princípio de tudo.”
“Quem acha é, quem não acha não é.”
“Ninguém acha duas vezes a mesma coisa.”
“O achismo é a medida de todas as coisas.”
“Só acho que nada acho.”
“Uma vida sem achismo não vale a pena ser vivida.”
“O homem é um animal achante.”
“Todos os homens têm, por natureza, desejo de achar.”
“Achar para crer, crer para achar.”
“Acho, logo existo.”
“Viver sem achar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.”
“O achismo é o lobo do homem.”
“O achismo é um caminho árduo e difícil, mas pode ser percorrido por todos, se desejarem a liberdade e a felicidade.”
“Há mais coisas no céu e na terra, do que sonha o teu vã achismo".
“Não se ensina o achismo; ensina-se a achar."
“Devemos julgar um homem mais pelo que ele acha do que por suas respostas.”
“O homem é ele e seus achismos.”
“O achismo está morto.”
“O inferno são os que acham.”
“Todos os homens sãos já pensaram em achar alguma vez.”
Já cantava Noel Rosa: “Quem acha vive se perdendo”. O autor desses aforismos, inspirados em filósofos e escritores que leu, pode ter se perdido pela cidade depois de beber. Ler é se perder. Quem encontra o caminho é porque leu autoajuda, ou seja, não leu. Você não acha?
Cassionei Niches Petry é professor, mestre em Letras e escritor (ou melhor, aspirante a escritor). Publicou Arranhões e outras feridas (Editora Multifoco). Escreve seus achismos no blog cassionei.blogspot.com.

Terça-feira, Abril 30, 2013

Um post daqueles que ninguém gosta




Está acontecendo um fato bem chato comigo, não com o Cassionei pessoa, mas com o Cassionei crítico, aquele que dá sua opinião, que polemiza, enfim, o escritor que expõe o que pensa no blog, no jornal, nos livros e nas redes sociais. Não vou relatar agora o que houve. Depois de tudo resolvido, para o bem ou para o mal, volto a falar no assunto.

De qualquer forma, como estou numa fase muito boa na minha vida, tanto na pessoal quanto na profissional, não me sinto nem um pouco abalado, o que aconteceria algum tempo atrás, quando nada dava certo. Um fato desses me faria desistir desse caminho que estou criando aos poucos, tentando estabelecer uma carreira como escritor. Somente isso me importa e confesso que até o professor fica em segundo plano, apesar de ser meu único ganha-pão.

Se estou escrevendo pouco é porque estou desmotivado. Perdi um pouco de espaço no jornal onde mantenho uma coluna, já que a colaboração não é mais quinzenal; meu livro não está sendo bem lido, muito menos vendido (o que já esperava, pois não sei divulgar meu trabalho); estou me cansando de apenas receber tapinhas nas costas e elogios nem sempre sinceros; espero respostas de pessoas que dizem que vão me indicar para uma grande editora, mas demoram para fazê-lo; e há, claro, a paciência, que até agora não foi apresentada para mim. Desconheço essa senhora.

Há também um fato importante, que pode ser chamado de trauma pós-mestrado, ou mais especificamente pós-romance, tendo em vista que minha dissertação foi a escrita de uma narrativa e notas sobre o seu processo de criação. Depois de pronto o trabalho, não consegui restabelecer um novo roteiro de leituras e a criação de novas obras de ficção ficou em modo de espera. Somente consegui escrever alguns contos para o projeto do blog www.robertmarston.blogspot.com.

 No momento não penso em parar de publicar aqui no “Alacrán”. É um espaço pelo qual tenho muito carinho, afinal já são anos que o alimento com palavras, e ele retribuiu me trazendo leitores qualificados, além de poder conhecer outros escritores/blogueiros com os mesmos interesses culturais e artísticos. Não, por enquanto, este não um post de despedida. Quem sabe o próximo o seja?

Quarta-feira, Abril 24, 2013

Um nome

"Pedi para fecharem a cortina, mas até agora não fui atendido. Dizem que o sol fará bem para mim. Não são apenas a luz no meu rosto ou o calor que me incomodam, mas também a imagem das calcinhas em um varal da casa vizinha. Lógico que não vou dizer que esse é o verdadeiro motivo." 

Segunda-feira, Abril 22, 2013

O destino de uma crônica



Na semana passada, refletindo com alunos de literatura sobre o texto “O jornal e suas metamorfoses”, do livro Histórias de cronópios e de famas, de Julio Cortázar, me lembrei de um episódio que me marcou no início da minha colaboração como escritor nos periódicos da minha cidade.

Corria o ano de mil novecentos e antigamente. Eu trabalhava com meu pai na marcenaria dele. Era o responsável pela pintura dos móveis, além de ajudá-lo na montagem. Também nessa época, ainda estudante do ensino médio, comecei a escrever minhas primeiras crônicas, tentando, ingenuamente, trilhar o caminho de Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade, quarteto protagonista das primeiras edições da coleção “Para gostar de ler”, da editora Ática. Queria ser um cronista profissional como eles, ou seja, ganhar uns “pila” com meus textos e ver meu nome estampado com letra impressa.
O primeiro jornal que me acolheu foi o Riovale, pelas mãos do editor Roni Ferreira Nunes, também escritor, autor do belíssimo O buscador (que tem ecos de Cortázar) e hoje advogado. Mais tarde, o jornal Gazeta do Sul também me abriu as portas, graças à paixão pela literatura do editor de cultura e poeta Mauro Ulrich. Desde esse momento, nunca deixei de colaborar com a Gazeta, sendo que hoje tenho até uma coluna. (Mas não, não me tornei profissional como desejava ingenuamente ser.)
Um dia, montando móveis de cozinha em uma casa em reforma, vi no chão a página com minha crônica, servindo de forro para não sujar o piso. Gotas de tinta sujavam as palavras que escrevi. Pés pisavam sem dó a ilustração, desfigurando o rosto da personagem Pascoalina. Juntei o jornal, amassei-o e o joguei no lixo. Pelo menos não veria mais o meu texto sendo maltratado.
Lembrei-me então do texto do Antonio Candido que falava do destino da crônica publicada no jornal, que serviria como embrulho do peixe na feira. Ou então “embrulhar um molho de acelga”, de acordo com o texto do Cortázar, que se refere ao jornal como um todo. Um dia, quem sabe, minhas crônicas possam ser publicadas em livros, assim como o foram as obras do quarteto acima citado.