Meu texto no jornal Gazeta do Sul de hoje
“ Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?” Desde pequeno me misturei com amigos negros e suas mães que se tornaram minhas tias e também minhas mães, depois namorei e me casei com uma negra, minha família, portanto, também é negra, minha filha é negra. Me embrenhei na cultura negra, samba, carnaval, Hip Hop, tive algumas experiências curiosas com religião de matriz africana, morei no morro, casa de madeira cheia de cupins e frestas, sei o que é ser pobre e além disso ser de uma etnia olhada de lado pelos descendentes de alemães, quando se queria, por exemplo, simplesmente botar para ensaiar a bateria de uma escola de samba e ser impedido pelo poder público devido ao “barulho”, sendo que a Oktoberfest faz muito mais. Nunca explorei esse meu lado de periferia na minha literatura. Muitos pensam que sou um branco privilegiado de classe média, portanto sem “lugar de fala”, o que é uma besteira. Nunca tive privilégios. Minha mãe foi safrista de indústria fumageira e trab...