Sobre "Angústia", de Graciliano Ramos
Uma narrativa angustiante por Cassionei Niches Petry “Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente.” O início do romance Angústia , de Graciliano Ramos, nos põe diante de um homem doente, como o narrador de Memórias do subsolo , de Dostoiévski. Ainda não sabemos do que Luís da Silva está se recuperando, mas essa enfermidade o faz ter um olhar amargo sobre os outros, como afirma no segundo parágrafo: “Há criaturas que não suporto”. Deixou de ter prazer com as coisas de que antes gostava, como as livrarias, nesse caso devido aos escritores “exibindo títulos e preços no rosto, vendendo-se. É uma espécie de prostituição”. Ora, o narrador-protagonista está justamente escrevendo um livro. Não estaria ele também “oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama”? Por conseguinte, ainda na primeira página, aparece o antagonista, Julião Tavares, com sua “cara balofa”, cuja imagem aparece na sua frente o tempo todo. Os outros são o problema, apesar...








