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Anotações no meu Moleskine (I)

06/01/2010
A Última Noite de Boris Grushenko, do Woody Allen, é um filme bem curioso, em que ele parodia romances russos, como "Guerra e Paz", "Os irmãos Karamazov," etc. Há um diálogo entre o Bóris e a Sônia em que são citados títulos de romances do Dostoiévski.

14/01/2010
Há uma música do LP “O papa é pop”, dos Engenheiros do Hawaii chamada “Perfeita simetria”. Aparentemente, parece uma redundância, reforçada ainda pelo refrão: “Ao tempo em que nada/ Nos dividia/ Havia motivo pra tudo/ E tudo era motivo pra mais/ Era perfeita simetria/ Éramos duas metades iguais”. Ora, se há uma simetria, ela já é perfeita; se há duas metades, elas são invariavelmente iguais. Mas não é bem assim.
Quando trato desse assunto com meus alunos, lembro sempre de uma das alegorias do filósofo Platão, na obra “O banquete”, em que aborda o amor. Em um dos diálogos, diz Aristófones, comediógrafo do teatro grego, que em tempos passados, antes do masculino e do feminino, haviam os andróginos, seres que possuíam os dois gêneros ao mesmo tempo.

Comentários

Mirella disse…
"O Banquete" é outro nível. Leitura muito boa.
Cassionei Petry disse…
"O banquete" é um banquete.

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No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …