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Cronista frustrado



Sou um cronista frustrado. Aliás, sou frustrado em uma porção de coisas, mas é essa a frustração que me dói mais. Quando jovem, a literatura que me conquistou foi, num primeiro momento, a dos cronistas. Queria escrever como eles, publicar em jornais como eles, me profissionalizar como eles. Tinha inveja do Rubem Braga, com sua coluna diária nos jornais. Tinha inveja do Fernando Sabino, que escrevia para importantes revistas. Tenho inveja do Luis Fernando Verissimo, com sua legião de leitores e com crônicas adaptadas para a TV.

Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, respondia que seria professor. Mas no fundo, eu pensava em ser cronista. Para isso, comecei a escrever textos desse gênero, mas só depois de ler muito, principalmente os primeiros volumes da coleção “Para gostar de ler”. Escrevia e mandava para os jornais da cidade. Na época, tinha que ir direto à redação e entregar ao editor os manuscritos (no meu caso era à mão mesmo, pois nem máquina de escrever tinha).

Meu primeiro editor foi o Roni Ferreira Nunes, no Riovale Jornal. Ele era uma das minhas referências na época, um dos cronistas da minha cidade, autor do livro O buscador. No “Caderno 2” do jornal, foi publicada a crônica “Memorião”, sobre um cara que se gabava por ter uma ótima memória, mas que na verdade não a tinha. Eu, um jovem de 17 anos, inspirava-me nos mestres para escrever histórias com humor e final inesperado.

Naquele mesmo ano, 1996, levei uma crônica para o Mauro Ulrich, na Gazeta do Sul. O texto concorria justamente a um sorteio do livro do Roni. Foi publicado e recebi o prêmio. Mas o mais importante era que vi meu nome estampado no maior jornal da região. O texto, chamado “Pascoalina”, trazia a história de uma jovem cujo pai, tradicionalista, autorizou que ela fosse a sua primeira reunião dançante, mas com uma condição: que usasse vestido de prenda. Mais uma vez tentava usar o humor para conquistar leitores e, quem sabe, o posto de cronista. Depois mandei outro texto (“O ovo”), mais outro (“O homem na porta”) e depois outro (“Germano e as calcinhas”)... 

Só aí é que o vivente se deu conta de que estava sonhando demais. Não, ele não seria convidado para ser cronista do jornal. Aliás, suas crônicas eram até sofríveis. Deixou na gaveta, por isso, muitos textos inéditos. Depois passou a escrever sobre livros, tentando ser crítico literário, e também artigos para a página de opinião. Conseguiu um espaço no jornal como resenhista, mas não profissionalmente. Ainda tentou convencer o editor que seria interessante um espaço como cronista, mas recebeu um não. Por isso, de vez em quando, usa seu espaço no blog para cronicar, inclusive continuando com a saga do Germano, aquele das calcinhas, ou chorando as pitangas pelo fato de não ter alcançado ainda alguns objetivos.

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