História universal do achismo, no Traçando livros de hoje

 http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/405372-historia_universal_do_achismo/edicao:2013-05-08.html

Manuscrito encontrado em um bar no centro da cidade, escrito em folhas de caderno escolar e em caixa alta. Não encontramos seu autor. Presumimos que seja um professor de Filosofia, que bebia as angústias de uma profissão não valorizada ou simplesmente refletia sobre os seres humanos que frequentavam o mesmo estabelecimento. Também pode ser de um professor de Literatura e aspirante a escritor, igualmente se sentindo um fracassado e que devora (traça?) todos os livros que julga necessários para analisar uma obra de ficção. Mesmo sem autorização, publicamos estes seus aforismos, esperando que ele apareça para assumir a autoria. Estamos tentando verificar também em quais pensadores ele se inspirou para (re)criar as frases. Cartas (com selo e tudo) para a redação.
“O achismo é imortal e indissolúvel.”
“O achismo é o princípio de tudo.”
“Quem acha é, quem não acha não é.”
“Ninguém acha duas vezes a mesma coisa.”
“O achismo é a medida de todas as coisas.”
“Só acho que nada acho.”
“Uma vida sem achismo não vale a pena ser vivida.”
“O homem é um animal achante.”
“Todos os homens têm, por natureza, desejo de achar.”
“Achar para crer, crer para achar.”
“Acho, logo existo.”
“Viver sem achar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.”
“O achismo é o lobo do homem.”
“O achismo é um caminho árduo e difícil, mas pode ser percorrido por todos, se desejarem a liberdade e a felicidade.”
“Há mais coisas no céu e na terra, do que sonha o teu vã achismo".
“Não se ensina o achismo; ensina-se a achar."
“Devemos julgar um homem mais pelo que ele acha do que por suas respostas.”
“O homem é ele e seus achismos.”
“O achismo está morto.”
“O inferno são os que acham.”
“Todos os homens sãos já pensaram em achar alguma vez.”
Já cantava Noel Rosa: “Quem acha vive se perdendo”. O autor desses aforismos, inspirados em filósofos e escritores que leu, pode ter se perdido pela cidade depois de beber. Ler é se perder. Quem encontra o caminho é porque leu autoajuda, ou seja, não leu. Você não acha?
Cassionei Niches Petry é professor, mestre em Letras e escritor (ou melhor, aspirante a escritor). Publicou Arranhões e outras feridas (Editora Multifoco). Escreve seus achismos no blog cassionei.blogspot.com.

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