O salvador da humanidade

Cassionei Niches Petry

Suas idéias influenciam o mundo até hoje, séculos depois de sua morte, tanto que a história do pensamento se divide em antes e depois dele. Vindo de uma família humilde, pouco se sabe sobre sua infância e adolescência, visto que ele aparece para a história já na idade adulta, difundindo seus ensinamentos. Usava roupas simples, pois não se preocupava muito com a aparência, e andava muitas vezes descalço. Não deixou nada escrito, pois tudo que sabemos sobre seu pensamento foi através do que escreveram os discípulos que o seguiram, por isso muitas pessoas até duvidam da sua existência histórica.

Entre as suas ideias estava a de nos trazer a luz, nos tirando da escuridão. Para ensinar a seus seguidores, dialogava com eles caminhando pelas ruas da cidade. Quando falava, todos o escutavam. Afirmava que uma voz o orientava. Umas das poucas coisas que o irritavam eram os mercadores do saber. Apesar de difundir a paz, foi condenado à morte por enfrentar os poderosos da sua época, sendo que havia, entre seus amigos, traidores que o entregaram. Aceitou a morte como parte de sua missão. Mas antes se reuniu com seus seguidores, comendo, bebendo e deixando-lhes suas últimas palavras. Ainda mencionou a um deles, enigmaticamente, algo sobre um galo.

Muitos acreditam, e me incluo entre eles, que a humanidade se salvará se seguirmos seus ensinamentos. Afirmava que devemos olhar para dentro de nós mesmos, buscarmos as respostas que estão escondidas nos desvãos de nossa mente. Lembrando a profissão da sua mãe, se dizia parteiro, não de pessoas, mas de ideias. Fazia com que seus discípulos, através de várias perguntas e respostas, “dessem à luz” o saber de que estavam “grávidos”. Por isso palavras e expressões como “iluminado”, “lucidez”, “esclarecer”, “às claras”, etc. estão relacionadas ao conhecimento e à razão. Os filósofos franceses no século XVII, por exemplo, fundaram o Iluminismo e denominaram sua época de “Século das Luzes”.

Ele também contribuiu para surgimento dos nossos valores morais. Saber o que é certo e errado, bem e mal, justo e injusto. Ele não só nos ensinou isso, como sua vida foi exemplo do que ensinava. Para ele, a ética tinha a ver com a virtude e o homem virtuoso é aquele sabe o que é o bem. O que pratica o mal é porque ignora seu significado, por isso a virtude é uma qualidade que pode ser ensinada. Tudo através do uso da razão.

Utilizou-se ainda da ironia, dizendo não saber nada, para depois mostrar que na verdade seu interlocutor é que era o ignorante. Ele tentou nos mostrar os caminhos para se chegar às verdades, não a uma só verdade absoluta. O farol que guia a embarcação, a luz no fim do túnel. Essa luminosidade nada tinha de sobrenatural e sim estava dentro de cada um. Muitos, porém, eram cegos e surdos, ou fingiam ser, mesmo para ver e escutar o seu interior.

Era um santo, um sábio, um mártir. Morreu para se tornar imortal. E todos aqueles que o seguirem podem não se tornar imortais como ele, mas saberão encarar a morte, viverão melhor e salvarão o mundo da imbecilidade.

O nome dele? Sócrates.


Comentários

Robson Duarte disse…
Eu sabia que não era o Goku.
Mirella disse…
HAHA Só de ler o título e o primeiro parágrafo, já pensei: Sócrates. E era mesmo... Boa, psor! Se sair no jornal, aguarde não por chuvas, mas por temporais de canivete!
Cassionei Petry disse…
Estes textos que não são sobre livros eu mando para a editoria de opinião, mas há tempos eles não publicam. Por que será?
rayssa gon disse…
vc vai acreditar que usei a mesma "tática" desse post no meu ultimo ???

muito foda! :)

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