Carver e Giannetti

68 cenas da vida

“Eu consegui enxergar as menores coisas”, título de um dos 68 contos de Raymond Carver, (Companhia das Letras, 712 páginas, tradução de Rubens Figueiredo), pode resumir o fazer literário desse grande escritor das pequenas coisas. Não é à toa que o cineasta Robert Altman chamou de Short Cuts (no Brasil com a adição da expressão Cenas da vida) o filme baseado em histórias do autor.

A coletânea reúne quase a totalidade da obra do americano Raymond Carver, que nasceu em 1938. Teve uma vida conturbada, casou cedo, trabalhava em empregos que mal sustentavam a família, enquanto produzia paralelamente sua literatura. Além de problemas com o consumo excessivo de álcool, o cigarro o levou à morte em 1988, com apenas 50 anos.

A vida de pessoas simples de pequenas cidades, os costumes tipicamente americanos e os dramas humanos são alguns temas presentes na obra de um escritor rotulado de “minimalista”.

De certa forma, a leitura em conjunto dos livros do autor nos permite perceber as mudanças no estilo de Carver, principalmente no volume Do que estamos falando quando falamos de amor, quando entra em cena o editor Gordon Lish, que teria modificado a forma de Carver escrever, sugerindo muitos cortes.


Auto-engano e A origem

Lendo o livro Auto-engano (Companhia de Bolso, 256 páginas), de Eduardo Gianetti, me deparei com um trecho que tem a ver com o filme “A origem”. Escreve o filósofo: “No engano por desinformação ativa, a ilusão é positiva. A discrepância entre a realidade e a aparência consiste em induzir um organismo a ver coisas, a formar imagens deturpadas ou a distrair-se momentaneamente.”

No livro de Gianetti, ele está se referindo a artimanhas usadas por animais para sua sobrevivência. No filme, é um recurso usado por homens para roubar informações. Sem eufemismos, é a mentira...

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