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Por que HQ não é literatura?



Li esses dias um artigo na internet que criticava aqueles que não consideram histórias em quadrinhos como literatura. Como não estou a fim de entrar em debates, até porque preciso de tempo para outras coisas, não comentei na postagem, prática que venho seguindo. O melhor é comentar por aqui mesmo, sabendo que não gerará nenhum debate, pois poucos estão seguindo minhas publicações.
Antes, é bom frisar que sou leitor de HQ, desde as mais populares, até as mais elaboradas artisticamente. Já reservei espaços na minha coluna sobre livros no jornal para escrever sobre obras como “Sandman”, do Neil Gaiman, ou “Vida e obra de Terêncio Horto”, de André Dahmer, por exemplo. Além disso, minha vida de leitor começou com a coleção de gibis de um dos meus tios.
Por isso, posso afirmar: não é preconceituoso ou retrógrado não considerar HQ como literatura. Ora, não é literatura porque não precisa ser literatura para ser considerada como arte. Aliás, há um termo mais correto que a denomina, proposto pelo desenhista e mestre do gênero Will Eisner: arte sequencial.
O processo de elaboração é diferente do processo literário. O escritor escreve um roteiro que será ilustrado, diagramado, colorido. O objetivo final é chegar a uma história, uma narração, em que a imagem se complemente com as palavras, às vezes sem elas. A literatura, por sua vez, é a arte da palavra. Se há ilustrações, elas são tão-somente o complemento (claro que há ilustrações que salvam um livro muito ruim, mas aí é outra história).
O escritor de HQ, portanto, escreve roteiro, que não faz parte de nenhum gênero literário, pois seu objetivo é guiar os passos de uma produção de audiovisual ou de imagem. A HQ tem suas linguagens e recursos próprios, fazendo parte de um sistema distinto do literário.
Ao dizer que HQ não é literatura, não se está desmerecendo-a, bem pelo contrário. Ela não precisa estar atrelada a nenhuma outra arte porque ela existe por si só, sendo inclusive chamada de Nona Arte. A música (1ª Arte), a dança (2ª), a pintura (3ª), a escultura (4ª) e o teatro (5ª) não são literatura (6ª), assim como não o são o cinema (7ª) e a fotografia (8ª). Por que a história em quadrinhos seria?

Comentários

Tiago Cysne disse…
Concordo com você Cassuinei, até porque não existe literatura sem palavras assim como não existe quadrinhos sem desenho.

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