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Anotações no meu Moleskine (III)

12/02/2010
Do filme "Dias dos mortos", de George Romero: "Este é o problema do mundo, minha cara. As pessoas têm ideias diferentes a respeito do que querem da vida."

Quem está certo no filme? Os militares? Os cientistas? Os religiosos?


18/02/2010
"A pergunta irritante que nos fazem — a nós, escritores — é:
— De onde você tira suas idéias?
E a resposta é: confluência. As coisas se juntam. Os ingredientes certos e, de repente: Abracadabra!"
Neil Gaiman


02/04/2010
Svankmajer explora mais o lado do subconsciente de Alice em seu filme, ao fazê-la entrar em uma gaveta (o que nos remete às pinturas de Dalí). Interessante é que dentro da gaveta há réguas e esquadros. A razão matemática (Carroll era matemático) se contrapondo à imaginação.
Outro momento interessante: quando o coelho branco, na verdade um coelho empalhado que ganha vida através do stop motion, olha para o relógio e diz a frase “estou atrasado”, sai areia de dentro do seu corpo, o que nos lembra a ampulheta e a areia do tempo escorrendo...

Comentários

Mirella disse…
George Romero. ♥

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No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Uma resenha que não aconteceu

Terminei a leitura de Os invernos da ilha, de Rodrigo Duarte Garcia (Record, 462 páginas), já pensando em escrever uma resenha crítica, apontando alguns pontos positivos e outros negativos do romance. Antes de pôr a mão na massa, porém, entrei nas redes sociais e fiquei sabendo que a coluna do Raphael Montes, em O Globo, apontava a obra do Rodrigo como popular, para se divertir, e então desanimei.
Acontece que há um equívoco tremendo por parte de alguns autores e leitores de literatura de entretenimento quando afirmam que literatura policial, de mistério ou de aventura (em que se encaixaria Os invernos da ilha) são desprezados pela crítica. Este é o tom do texto de Raphael Montes. Ele e tantos outros se equivocam ao dizer que Rubem Fonseca, escritor já canonizado e que é objeto de estudos até em livros didáticos, não tem o reconhecimento que merece porque é taxado por fazer literatura menor. Ledo engano ou uma tentativa forçada de se colocar como vítima.
Ora, a “crítica” (coloco entre …