Anotações no meu Moleskine (IV)

Chico Xavier lendo
25/04/2010
Resposta que escrevi a um defensor do Chico Xavier em um debate de uma rede social na internet:
Chico Xavier poderia ter sido escritor. Tinha talento. Como ele não viu perspectivas de que fosse reconhecido, escreveu os poemas atribundo-os a outros poetas para chamar atenção. Talvez inconscientemente, por que não? Porém, não devem ter sido os espíritos dos escritores, principalmente os que já tinham reconhecimento em vida. Sobre os desconhecidos, eram desconhecidos para a maioria de nós, mas não para ele, que era um grande leitor. Ele queria ser reconhecido, amado, idolatrado e conseguiu.
Já citei anteriormente Ray Bradbury, escrito de Ficção científica, que escreveu sobre a vida em Marte. Há um conto dele em que espíritos de escritores vivem em um planeta e estão prestes a receber a visita indesejada de um foguete vindo da Terra. O conto é bem posterior aos primeiros escritos de Chico Xavier, mas mostra como podemos canalizar nossas fantasias para a ficção e não para uma religião.

26/04/2010
Qualquer semelhança (com CX) não é mera coincidência:
"Na busca pela fama, Paulo comete dois pecados capitais: o plágio e o uso de ghost writer. Ainda na década de 1960, em Aracaju, pedem a ele que escreva um artigo contra a ditadura para publicar num jornal local. Sem tempo ou inspiração, ele simplesmente chupa um texto de Carlos Heitor Cony. Quando, já na década de 1980, lança seu primeiro livro, Arquivos do Inferno, um dos capítulos era uma suposta piscografia do inquisidor espanhol Tomás Torquemada defendendo a tortura. Mas, na verdade, era um plágio do livro A verdade sobre a inquisição, de Henrique Hello." Gian Danton, no Digestivo Cultural, sobre a biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Moraes.

Mas os defensores do Paulo Coelho podem argumentar que é uma obra que não é representativa na bibliografia dele, que não se pode analisar só uma parte em detrimento do grosso da obra. Logo, Paulo Coelho não é plagiador. (É esse o argumento que usaram a favor do Chico Xavier no debate já citado.)

Continua Danton: "O segundo livro de Paulo Coelho também revela uma situação grave. Como havia feito cursos sobre vampiros na Inglaterra (onde viveu uma relação a quatro com sua esposa, uma japonesa e o compositor Peninha), ele foi convidado a escrever um livro sobre o assunto para a editora Eco. Paulo aceitou dividir a autoria com o jornalista Nelson Liano Jr., que dera a ideia do livro, mas não conseguiu escrever seus capítulos. Recorreu, então, a um amigo, Toninho Buda, com a promessa de que o nome dele seria creditado. Toninho Buda não recebeu nada pelo trabalho e seu nome não apareceu em lugar nenhum da publicação."

Comentários

Barata disse…
Cassionei: este relato, sobre Toninho Buda é inclusive corroborado em "Raul Seixas, metamorfose Ambulante", de Mário Lucena e acrescentado o fato de que inclusive Paulo Coelho teria dado um sonoro calote em Buda!
Cassionei Petry disse…
Você me falou sobre isso um vez, mas quando escrevi no meu "moleskine" eu não tinha essa informação. Abrazzz!
Andy Garcia disse…
Meu caro, você diz que ele não via perspectivas de ser reconhecido, e por qual motivo ele queria sê-lo?

O retorno financeiro foi para onde, você sabe?

Tem conhecimento de onde ele habitou? os "luxos" que teve?

Amigo, analise a vida deste homem, praticamente analfabeto, de onde partiria tamanhas inspirações e vocabulário?

Não analise sob o prisma a que se habituou a fazer, a questão não é religiosa, e mesmo que fosse, enxergue além do mercado e do consumismo, nunca teve por objetivo arrecadação, e o que ganhou aplicou em obras de caráter filantrópico, o reconhecimento foi natural e se soubesse mais sobre a vida do Chico entenderia o porquê disso tudo!!!

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