Trecho de "Bufo & Spallanzani", do Rubem Fonseca

“Um escritor está sempre trabalhando, não é?”, disse Orion, o maestro, sentando-se ao meu lado. Na viagem de carreta Orion me havia perguntado, depois de se apresentar, qual era a minha profissão. Quis inventar uma profissão, mas nenhuma veio à minha cabeça naquela hora, e acabei dizendo que era escritor.

“Vendo o mundo à sua volta, metendo o nariz nas coisas (sem querer ofender), apropriando-se da alma das pessoas como uma ave de rapina metafísica (sem querer ofender), escrevendo livros que ninguém lê” — ele falava movimentando as mãos no ar, como um maestro sem batuta, e tentava disfarçar com um sorriso as coisas desagradáveis que dizia.

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