Avançar para o conteúdo principal

Mesa improvisada para escrever


Enquanto não consigo ainda instalar minha biblioteca na nova casa, vou improvisando, entre e a cozinha e a sala, meu local de trabalho. Reparem que tenho a companhia de Roberto Bolaño, Paul Auster e Raimundo Carrero, além do inseparável café e do caderno de anotações. Quanto ao título do romance, não me importo de divulgá-lo de antemão, até porque já está público no meu currículo Lattes. No mais, ler, ler, ler e escrever, escrever e escrever, além de mais trabalho pela frente: as aulas que reiniciam, o concurso do magistério e um estágio docente na universidade. Não tenho o que reclamar, a não ser pelo maldito livro de contos, que parece que não vai sair da gaveta tão cedo.

Comentários

Tom disse…
BOOOOOOOOOOA, psor!
Sempre quis ler Os segredos da Ficção de Raimundo, mas ainda não tive a oportunidade... Quais são os livros que estás lendo de Auster e Bolaño?

;D
Cassionei Petry disse…
Se tu clicares na imagem ela vai ser ampliada, dá pra visulizar os nomes: do Bolaño, "Entre peréntesis", e do Auster, "Da mão para a boca: crônica de um fracasso inicial".

Mensagens populares deste blogue

No Traçando Livros de hoje, Milan Kundera e A arte do romance

Notas sobre os ensaios de Milan Kundera
1 Se alguns veem o romance como mero entretenimento, apenas mais uma forma de contar uma história, quando penso em literatura, penso no romance como forma de arte em primeiro lugar. O escritor, nesse caso, elabora as palavras em busca do efeito estético. Além disso, o autor também pode refletir sobre sua criação e a dos outros, formando assim, sua poética. É o que faz Milan Kundera em seu A arte do romance, de 1986, livro de ensaios relançado este ano pela Companhia das Letras numa bela edição de capa dura, seguindo a linha de outros relançamentos do autor de A insustentável leveza do ser. 2 Como a maioria das outras obras do escritor checo, esta também é dividida em sete partes, contendo um ensaio cada. Kundera fala sobre este número em entrevista para a Paris Review, dividida no livro em dois ensaios: “não é de minha parte nem coquetismo supersticioso com um número mágico, nem cálculo racional, mas imperativo profundo, inconsciente, incompreensíve…

Um toque

Chuva, café, música clássica e leitura. Daqui a pouco, o cachimbo. Combinação quase perfeita para uma manhã de dezembro, já de férias, final de ano, final de um péssimo ano. Os dedos escorrem pelas teclas com aquela necessidade de escrever algo. Não quero, porém, fazer nenhum balanço de final de ano como costumava fazer. As coisas ruins suplantaram as boas, peso maior para a morte trágica do meu pai, cujo rosto pude tocar pela última vez há pouco mais de dois meses. Os dedos continuam tateando o teclado. Há pouco estava lendo o romance O inverno e depois, de Luiz Antonio de Assis Brasil, editado pela L&PM. O protagonista, Julius, é um violoncelista, que tateia as cordas buscando o som perfeito, que toca no seu instrumento entre as pernas (o violoncelo, que fique claro) como se tocasse as curvas do corpo de uma mulher, que toca os cobertores que o protegem do frio do pampa, que toca o corpo das mulheres (Klarika, Constanza) como se tocasse seu cello. O toque é a preliminar do prazer…